AGÊNCIA CBIC
CMA da CBIC debate soluções baseadas na natureza e oportunidades para a construção
A adoção de soluções baseadas na natureza (SbN) no planejamento urbano e nos empreendimentos da construção civil esteve no centro das discussões da reunião da Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CMA) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O encontro reuniu representantes do setor e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) para discutir estratégias de adaptação climática, cooperação institucional e caminhos para ampliar a aplicação dessas soluções nas cidades brasileiras.
O secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, Adalberto Felício Maluf Filho, apresentou o Programa Cidades Verdes Resilientes (PCVR) e a estratégia nacional para soluções baseadas na natureza em áreas urbanas. Segundo ele, um dos principais desafios é transformar as diretrizes e os planos em projetos executáveis, com a participação dos governos, do setor privado e da sociedade civil.
“É muito importante que vocês absorvam essas metodologias, a tabela SINAPI, as obras de soluções baseadas na natureza, as tipologias. Entendam, trabalhem com os atores locais e procurem atuar para que esses projetos possam ganhar escala”, destacou.
Entre as iniciativas apresentadas estão ferramentas de planejamento urbano, projetos de arborização e referências técnicas para a contratação de obras com SbN. O secretário ressaltou a elaboração de um guia nacional de orçamentação que reúne 15 tipologias, como jardins de chuva, biovaletas e bacias de retenção, com orientações para estimar custos e facilitar a contratação dessas intervenções com base no Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI).
A demanda por projetos de adaptação climática também ganhou destaque. De acordo com os dados apresentados, o banco de projetos do PCVR recebeu 357 propostas relacionadas a soluções baseadas na natureza, com demanda superior a R$ 10 bilhões. A iniciativa busca contribuir para o aprimoramento dos projetos e aproximá-los de instituições financeiras e fontes de recursos.
O vice-presidente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CBIC, Nilson Sarti, destacou a capilaridade da entidade como um diferencial para disseminar conhecimento e estimular a implementação dessas soluções em diferentes regiões do país. “A CBIC tem esse lado muito importante, que é a capilaridade. Nós estamos em todos os estados do Brasil”, afirmou. Ele ressaltou a importância de considerar as particularidades regionais e fortalecer a atuação junto aos municípios.
*Aplicação nos empreendimentos*
A reunião também discutiu a incorporação das SbN aos empreendimentos imobiliários desde a fase de concepção dos projetos. Patrícia Machado Bittencourt, gerente de Sustentabilidade e ESG do Secovi-SP, apresentou uma iniciativa desenvolvida por entidades do setor em parceria com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). O trabalho resultou em um guia de boas práticas para orientar projetistas e empresas na aplicação dessas soluções e contribuir para maior segurança nos processos de licenciamento ambiental.
As discussões reforçaram que as SbN vão além de intervenções como telhados verdes. A recuperação de áreas permeáveis, a arborização, os jardins de chuva e os sistemas de drenagem natural são exemplos de medidas que podem complementar a infraestrutura urbana convencional, melhorar o manejo das águas pluviais, reduzir os riscos de alagamentos e qualificar os espaços urbanos.
Além da pauta sobre adaptação climática, a CMA acompanhou informes sobre o andamento da Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) e a avaliação do Plano Edifica. Os temas integram a agenda da CBIC voltada ao acompanhamento de políticas públicas e instrumentos que podem impulsionar a sustentabilidade e orientar a transformação do setor da construção.





















































































