CBIC encerra com êxito participação no 8º Fórum Mundial da Água

Sessões temáticas sob coordenação da CBIC foram disputadas e abordaram cidades com consciência hídrica e gestão responsável da água na indústria

Das 100 mil pessoas, entre inscritos e visitantes, que passaram pelo 8º Fórum Mundial da Água, cerca de 180 participantes tiveram o privilégio de conferir os dois tópicos coordenados no evento pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Ambos os painéis contaram com lotação máxima, deixando muitos ávidos por informações à porta da sala. Este foi apenas um dos indicadores do sucesso no Fórum da participação da entidade, que contou com a correalização do Senai Nacional.

Pela primeira vez no Hemisfério Sul, o maior evento global sobre o tema água aconteceu em Brasília, de 18 a 23 de março, reunindo pessoas de mais de 150 países. A programação incluiu 340 tópicos, divididos por grupos em grandes sessões temáticas. A CBIC foi selecionada entre instituições do mundo inteiro (públicas e privadas) para a coordenação de dois deles: “Projetos de cidades com consciência hídrica”, da sessão temática Urbano; e “Da eficiência no uso da água para gestão responsável: a indústria está ciente dos riscos e oportunidades relacionados à água?”, da sessão temática Desenvolvimento.

 

PARTICIPAÇÃO DA CBIC NO FÓRUM

O trabalho da CBIC no Fórum começou em julho de 2017, com a elaboração das candidaturas para submissão ao Conselho Mundial da Água, responsável por organizar o evento. A eleição dos tópicos de maior interesse foi feita pela CBIC, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e outras federações da indústria. “Submetemos nossa inscrição e tivemos a grata surpresa de sermos contemplados como coordenadores das duas sessões escolhidas. Ficamos muito felizes com o desafio”, disse Mariana Silveira, gestora dos projetos de meio ambiente e sustentabilidade da CBIC. Os Grupos de Coordenação foram compostos por instituições de vários países.

Para a escolha dos palestrantes, diversidade foi imperativa. Segundo Silveira, um trabalho para o qual foi dedicado muito tempo. “A composição dos painéis foi um quebra-cabeça, porque recebemos diretrizes para incluir diversas instituições dentro das duas sessões – empresas, academia e organizações internacionais –, contemplando todos os gêneros (homens e mulheres), diversas idades e a maior parte possível dos continentes”, descreveu. Nayandra Pereira, da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), organização que igualmente coordenou a sessão temática Desenvolvimento, também comentou sobre o processo: “Foi um desafio encontrar representação qualificada, mas conseguimos”. Os painéis contemplaram palestrantes dos seguintes países: Brasil e Colômbia (América), França (Europa), Índia e Coréia do Sul (Ásia), Senegal (África) e Austrália (Oceania), além de organizações com atuação global.

No próximo dia 5 de abril, em São Paulo, a Comissão de Meio Ambiente (CMA) da CBIC apresentará os resultados prévios da participação da entidade no Fórum. Já no 90º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), no mês de maio em Florianópolis (SC), haverá um painel mais amplo – segundo Nilson Sarti, presidente da CMA – “para passar ao setor toda a importância do que vimos, o que está sendo discutido pelo mundo todo. Há grandes exemplos para tentarmos implementar no Brasil”.

José Carlos Martins, presidente da CBIC, esteve presente no evento e falou sobre a atuação da entidade: “A CBIC busca estar sempre conhecendo as tendências, o que tem de moderno, para saber em que direção o mundo caminha, trazendo, para o lado de cá, tudo o que o mundo elegeu de prioridade e, assim, estarmos juntos nesse caminho”. Sarti também declarou que a indústria da construção tem um papel fundamental no compromisso de conservação da água: “A CMA já lançou duas publicações sobre o tema e vamos continuar olhando da mesma forma para fora dos nossos canteiros, dos nossos empreendimentos. Precisamos evoluir. Também através do projeto ‘O Futuro da Minha Cidade’, vamos trabalhar para mudar essa cultura. A água tem que ser elemento fundamental na organização das cidades”. As publicações citadas são Gestão de Recursos Hídricos na Indústria da Construção (2017), sobre conservação de água e gestão da demanda, e Recursos Hídricos (2016), sobre o uso eficiente da água em edifícios residenciais.

Acerca da importância do Fórum Mundial da Água, Mariana Silveira ressaltou que, “embora o Fórum não estabeleça metas internacionais, ele é um orientador de decisões em torno do tema água no mundo”. A próxima edição do megaevento acontecerá em Dakar, capital do Senegal, em 2021, com o tema “Segurança hídrica para paz e desenvolvimento”. Todo o trabalho do Fórum está norteado pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 6, “Água potável e saneamento”, e 14, “Vida na água”.

SESSÃO TEMÁTICA: URBANO

O primeiro tópico coordenado e moderado pela CBIC no Fórum abordou “Projetos de cidades com consciência hídrica”, na tarde de segunda-feira, 19 de março. Também integraram o Grupo de Coordenação desse painel as instituições: Bremen Overseas Research and Development Association – BORDA (Alemanha); Korean Society on Water Environment – KSWE e Korea Environment Institute – KEI (Coréia do Sul); e Centre for Built Environment, Calcutá (Índia).

Dando início ao tópico, falou Debatari Chakraborty, do Centre for Built Environment. O cenário apresentado foi o de um país que detém 17% da população mundial e 4% dos recursos hídricos, mas que aparece em 132º lugar no ranking de disponibilidade de água potável e 122ª posição no ranking de qualidade da água. Entretanto, com projetos para captação de água pluvial e tratamento de águas residuais, cidades indianas estão envolvendo suas comunidades na melhoria do saneamento e na preservação dos rios, gerando até mesmo renda para as famílias.

Ainda na Ásia, a Coréia do Sul lida com as consequências de se ter 80% do território urbanizado. Menos áreas verdes e alteração no curso das águas, por exemplo, se traduzem em mais enchentes e secas, segundo Lee-Hyung Kim, da KSWE. As cidades inteligentes coreanas, no entanto, progridem na gestão de águas urbanas com um desenvolvimento de baixo impacto e infraestrutura verde.

Já Alexandra Lauriat, do Service Public de L’assainissement Francilien (SIAAP), divulgou as iniciativas do serviço público de saneamento de Paris e região, na França. Com a diminuição do fluxo dos rios devido às mudanças climáticas e com o crescimento demográfico, um dos desafios local é aumentar a performance do tratamento hídrico e sua confiabilidade.

Do Brasil, Celso Oliveira, da Secretaria Nacional de Desenvolvimento Urbano do Ministério das Cidades, apresentou o projeto de fortalecimento da estratégia nacional de Gestão Integrada de Riscos em Desastres Naturais (GIDES), para prevenção e cooperação interministerial e interfederativa em situações de emergência.

Relacionado aos elevados níveis de perdas no sistema de distribuição de água, Flávio Lemos, da empresa Suez (Brasil/França), expôs os benefícios de contratos focados em desempenho hídrico, trazendo casos de sucesso em São Paulo e Pernambuco. A redução nos índices de perda de água na rede hídrica, por sinal, é um assunto de grande interesse para a CBIC, tanto que foi um dos fatores para a candidatura à sessão temática Urbano, como explica José Carlos Martins: “Escolhemos esse painel, ligado ao uso da água urbana e ao saneamento, pois tem a ver com a questão: ‘Como uso de forma eficiente a água?’ A redução na perda de água na rede é um ponto básico. Como um país que tem tanta carência de saneamento pode perder, por furos na rede, 40% da água que capta e trata? A CBIC tem essa como uma de suas principais preocupações”.

Para mostrar como a cooperação entre as iniciativas público e privada pode ser a solução para problemas relacionados à água, Mouhamadou Gueye, do Escritório Nacional de Saneamento do Senegal (ONAS, em francês), divulgou as lições da parceria público-privada nesse país africano para a exploração do saneamento, visando torná-lo lucrativo.

Ainda sobre parcerias, Hannah Lecke, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD, em inglês), comentou os desafios do financiamento de cidades com consciência hídrica, bem como as opções para minimizar custos e atrair investidores. Uma dessas soluções seria investir nos três “Is”: Infraestrutura, Instituições e Informação.

Na primeira sessão, Stefan Reuter, da BORDA, conduziu o painel, enquanto Nilson Sarti, da CBIC, moderou os debates. O presidente da CMA também elogiou as diferentes perspectivas que os palestrantes ofereceram para o debate: “O painel trouxe exemplos de várias partes do mundo, então você passa a ter uma visão mais global da importância de se ter como base o cuidado com a água. Se falou muito em cidades com consciência hídrica. Todos os planejamentos devem começar pela água, mostrar como tratá-la. Você não pode pensar na água isoladamente para cada setor. É preciso ter uma visão mais ampla para que a gente possa ter melhores cidades”.

SESSÃO TEMÁTICA: DESENVOLVIMENTO

“Da eficiência no uso da água para gestão responsável: a indústria está ciente dos riscos e oportunidades relacionados à água?” foi o tema do segundo tópico coordenado e moderado pela CBIC, na manhã de quarta-feira, 21 de março. A Fundação Amazonas Sustentável (Brasil), a Water, Sanitation and Hygiene Institute – Wash (Índia), a Dairy Australia (Austrália), a Parceria Portuguesa para a Água – PPA (Portugal) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância – Unicef (Organização das Nações Unidas – ONU) compuseram, junto com a CBIC, o Grupo de Coordenação do painel.

Representante da australiana Aither – uma consultoria de política estratégica no âmbito dos recursos, riscos e mercado hídrico –, Huw Pohlner, falou sobre valoração da água. O valor desse recurso natural está aumentando e isso se reflete na forma como a água é usada e gerida. O consultor falou ainda sobre avaliação de riscos e como se beneficiar da maneira que se faz a gestão da água, até mesmo maximizando receitas.

Nancy Palacios, da Associação de Empresários da Colômbia (Andi), trouxe a experiência latina para o tópico, focando no cuidado com o uso de água nas corporações. Falou-se em conhecimento e ciência para tomada de decisões e ações; cadeia de valor, com abordagem regional e coletiva; divulgação de boas práticas; e expansão do impacto, com novos atores e modelos. Foi apresentado ainda o primeiro projeto piloto do governo com empresas que mede a pegada de água. Igualmente do país é a iniciativa inédita da pegada ambiental do café.

Já a Wash é uma organização de atuação global que visa o melhor acesso a água, saneamento e higiene. Seu representante no painel, Jason Morrison, expôs como as empresas podem ter práticas organizacionais voltadas para essas questões nas próprias operações dos negócios, na sua cadeia de suprimentos e nas comunidades onde atuam.

A Coca-Cola – um dos bons exemplos de gestão responsável da água na indústria –, além de atingir seu compromisso global de neutralidade em água, trabalha pela disponibilidade de água, garantindo a devolução do recurso natural à natureza na mesma quantidade utilizada em sua produção. Segundo o vice-presidente de Relações Corporativas, Pedro Rios, por meio de reflorestamento de mananciais e partes da Amazônia, hoje a empresa devolve dois litros de água a cada litro de produto produzido. Como maior empresa compradora de frutas no mundo, a Coca também busca que seus fornecedores façam uso mais eficiente da água. Já através do projeto “Água + Acesso”, a organização investe capital financeiro e intelectual na ampliação do acesso à água potável de forma sustentável para comunidades rurais, envolvendo a população na resolução de seus próprios problemas.

O segundo palestrante brasileiro do painel, Rodrigo Manzione, professor da Faculdade de Ciências e Engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), mostrou como São Paulo faz a cobrança financeira pelo uso de recursos hídricos no estado, indicando oportunidades e desafios para o setor industrial. Dentre os benefícios para as empresas estão a oportunidade de receber certificações de gestão responsável, ter produtos certificados, acessar mercados que estariam fechados, melhorar os sistemas de uso e tratamento de água, agregar valor à marca e ter manutenção do investimento com a segurança hídrica.

Victor Salviati, da Fundação Amazonas Sustentável, foi responsável por conduzir o segundo painel da CBIC. Sua colega Nayandra Pereira, também da FAS, e Mavuto Banda, da IHE Delft Institute for Water Education and Water Youth Network, encerraram o painel destacando as principais conclusões das palestras. “Falamos sobre como envolver as indústrias para que consigamos as melhores práticas sustentáveis. Conseguimos uma representação boa e multissetorial, o que permitiu uma discussão com diferentes perspectivas para o mesmo assunto”, comentou Nayandra. Esse foi o grande objetivo do painel para o presidente da CMA/CBIC, Nilson Sarti: “compartilhar experiências, desafios e oportunidades”.

 

 

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