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AGÊNCIA CBIC

23/07/2012

Valorização anual entre 4% e 4,5%

"Cbic"
23/07/2012 :: Edição 365

Jornal Correio Braziliense – 23/07/2012

valorização anual entre 4% e 4,5%

O vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, acredita que a valorização real dos imóveis, que tanto assustou os consumidores, "tende a se estabilizar". Para ele, o que se verá daqui por dia é o que os economistas chamam de "crescimento vegetativo", ou seja, próximo da taxa de expansão da economia, entre 4% e 4,5% ao ano. "A velocidade de venda de imóveis está menor, mesmo com o crédito farto", afirma.

Na avaliação do presidente da Comissão da Indústria Imobiliária do Sindicato da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), Paulo Muniz, o quadro atual é claro. "Como os salários não tiveram a mesma elevação dos preços dos imóveis nos últimos anos, é natural que haja dificuldade de acomodar os valores no orçamento das famílias", diz. Assim, as empresas terão de se adequar aos novos tempos. E isso, no seu entender, vale para os investidores que compraram apartamentos na planta para vender após a entrega das chaves, sonhando com um lucro alto.

"O momento não comporta mais esse movimento de investir em imóvel na planta para soltar antes de ter que assumir o saldo devedor na entrega pela construtora, contando em ganhar acima da correção do INCC (Índice Nacional da Construção Civil)", afirma Muniz. Ele diz mais: "Daqui por diante, a valorização dos imóveis deve evoluir em níveis bem mais baixos. Não há mais espaço para o especulador. De certa forma, isso é saudável. O principal comprador do imóvel residencial é quem vai morar nele".

Para os especialistas, os consumidores estão sendo favorecidos de duas formas neste momento. Primeiro, porque os preços dos imóveis já não sinalizam grandes saltos. Segundo, porque os bancos reduziram as taxas de financiamento e ampliaram os prazos de pagamento para até 35 anos. Portanto, se prevalecer a calma, pode-se fazer bons negócios.

Rebaixamento 

De olho na situação das empresas, que viram as vendas, caírem, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou as notas da Cyrela, Trisul, Viver, Gafisa e Tenda, que foram colocadas em perspectiva negativa. "Muitas enfrentaram aumentos do custo de construção e crescente volume de distratos", diz o relatório da agência, referindo-se à quantidade de imóveis devolvidos pelos compradores que não conseguiram arcar com o pagamento das parcelas.

Entusiasmadas com o mercado muito aquecido, essas grandes construtoras investiram em muitos terrenos nos últimos três anos, pagando caro por eles. Fizeram ainda diversos lançamentos ao mesmo tempo e enfrentaram o encarecimento da mão de obra para terminar os empreendimentos. Agora, com muitas unidades na planta por vender, incluindo o estoque devolvido por compradores, e precisando fazer caixa para terminar os prédios, estão sendo obrigadas a reduzir os preços.

"Essas construtoras foram com muita sede ao pote, ampliaram seus negócios em várias cidades e regiões, incluindo o Nordeste, o Sul e o Centro-Oeste do país. Agora, estão tendo dificuldades para vender as unidades no preço que pretendiam", observa um empresário da construção do DF.

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