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20/07/2011

Setor bancário nacional deve superar crises internacionais

"Cbic"
20/07/2011 :: Edição 139

 

Jornal DCI OnLine/SP 20/07/2011
 

Setor bancário nacional deve superar crises internacionais

Diante dos temores gerados pela crise bancária na Europa e das discussões no Congresso norte-americano sobre o limite de endividamento dos Estados Unidos, o atual cenário da economia global é de incerteza e receio de uma nova crise sistêmica, o que pode impactar os negócios de todo o sistema financeiro. Contudo, as instituições financeiras brasileiras devem repetir o bom desempenho de 2008 e 2009 e manter a saúde financeira, permanecendo distantes do risco de colapso de liquidez, apontaram analistas econômicos entrevistados pelo DCI.
 Segundo Celso Grisi, economista pela FEA-USP e diretor presidente do Instituto de Pesquisa Fractal, os bancos brasileiros são fortes e pouco dependentes destes países. "O Brasil não é credor do sistema financeiro americano e europeu. O risco pode vir do ponto de vista econômico com caos mundial, que pode ter reflexo por aqui", diz Grisi, que complementa. "O governo federal é o grande credor de treasuries [títulos do Tesouro norte-americano], mas não haverá contágio."
 O baixo investimento dos bancos brasileiros em títulos no exterior e foco no mercado interno também são apontados pelo especialista como fatores que impedem riscos de contágio. "Ainda é baixo o investimento em ativos e dívidas soberanas, principalmente porque recebemos um alerta em 2008."
 O Itaú Unibanco exemplifica no balanço consolidado de 2010 essa tendência, com aumento de 102,9% em investimentos em títulos públicos no Brasil, de R$ 43,8 bilhões em 2009 para R$ 89 bilhões em 2010. No segmento de títulos e valores mobiliários é possível observar a queda em papéis externos, principalmente na Europa. Na Espanha, os investimentos caíram 32,8%, de R$ 1,093 bilhões em dezembro de 2009 para R$ 734 milhões no último mês de 2010. No entanto, a aquisição de títulos públicos nos Estados Unidos apresentou forte expansão no período, de 1126,7%, de R$ 766 milhões em dezembro de 2009 para R$ 9,394 bilhões em 2010.
 O Itaú ainda possui operações em Portugal, Londres, Luxemburgo, Suíça e Estados Unidos. Mas, segundo Grisi, a crise não deverá ocasionar impactos, pois o foco dos negócios está nos moradores e nas empresas brasileiras presentes nestes países.
 Outra instituição em processo de internacionalização é o Banco do Brasil. Sobre a compra do Eurobank, na Flórida (EUA), o analista de bancos da agência classificadora de risco Austin Rating, Luiz Miguel Santacréu, diz que os negócios no Brasil não serão atingidos, já que o BB realizou a compra também para captar negócios de brasileiros.
 Ao serem procurados, Itaú e Banco do Brasil informaram, por meio da assessoria de imprensa, que verificariam a possibilidade de entrevista por estarem em "quiet period". Mas ambos não retornaram até o fechamento desta edição.
 Santacreu também concorda que o contágio deve vir em menor escala em investimentos, mas que há a necessidade de um detalhamento das carteiras, principalmente em bancos portugueses com dívida. "As instituições com títulos públicos devem ficar com um pé atrás, mas têm de analisar o contexto e medidas dos governos. Os países europeus estão em situação difícil, mas pode vir um socorro de estados fortes, como Alemanha e França."
 No que se refere à crise em Portugal e os impactos em um dos principais bancos do país vizinho, o Santander, o analista da Austin não acredita em reflexos no Santander Brasil, já que realiza captações no mercado interno. "Há filiais que ajudam a matriz. No caso do Santander, a contribuição é evidente, principalmente porque os maiores problemas estão no crédito imobiliário e em títulos da dívida do governo na Espanha". No primeiro trimestre de 2011, o lucro líquido do Santander Brasil alcançou R$ 2,1 bilhões no critério International Financial Reporting Standards (IFRS), o que representa crescimento de 17,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Com este valor, o Brasil lidera a participação mundial, com 25% do lucro total do grupo.
 Em nota, o banco respondeu que "a estrutura do Grupo Santander é composta por filiais independentes. Dessa forma, a exposição do Santander Brasil à crise portuguesa é nula."
 Para Santacreu, o contágio da crise econômica na Europa e nos EUA ocorre na oferta de crédito. "Nosso sistema bancário é mais passivo, isto é, recebe mais do que fornece recursos. O efeito no Brasil é que os bancos europeus diminuem as atividades de crédito, com queda na capacidade de empréstimos. Sendo assim, o mercado internacional fica mais difícil e as instituições terão que se virar no mercado interno."
 Já Celso Grisi argumenta que o sistema nacional pode ser beneficiado em captações por conta da consolidação dos bancos nacionais, economia em crescimento, bom risco país e renda dos brasileiros em ascensão. "O reduto da economia mundial é nos países emergentes."
 Ao ser questionado sobre o desempenho do HSBC, instituição com atuação no Brasil, Grisi aponta o banco como sólido, com credibilidade mundial e alto poder de captação de recursos.

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