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AGÊNCIA CBIC

14/03/2012

Saneamento é gargalo contra desigualdade

"Cbic"
14/03/2012 :: Edição 286

 

Brasil Econômico/BR 14/03/2012
 

Saneamento é gargalo contra desigualdade 

A má qualidade do saneamento tem impacto direto na saúde pública do país

 Os avanços na economia e a melhora da renda nos últimos anos não foram suficientes para que o Brasil avançasse num quesito tão relevante quanto os dois anteriores: saneamento básico. Atualmente, apenas 45% da população brasileira têm acesso à rede de água e esgoto, segundo dados do instituto Trata Brasil. Do esgoto coletado no país, apenas 37,9% têm tratamento. A má qualidade do saneamento tem impacto direto na saúde pública e acaba demandando mais gastos do governo, avalia o presidente do Trata Brasil, Édison Carlos.
 De acordo com o instituto, cada R$ 1 investido em saneamento gera economia de R$ 4 na área de saúde. Por ano, 217 mil trabalhadores precisam se afastar de suas atividades por problemas gastrointestinais ligados à falta de saneamento, segundo o instituto.
 A cada afastamento perdem- se 17 horas de trabalho.
 Nos cálculos do Trata Brasil, o Brasil investe cerca de 0,22% do Produto Interno Bruto (PIB) em saneamento, quando deveria ser investido 0,63%. "Não adianta sermos a sexta maior economia do mundo sem esses investimentos.
 O Brasil está atrasado ao menos duas décadas nesse assunto.
 E como o desenvolvimento das obras em execução é demorado, essa realidade pode se estender por um bom tempo", diz.
 O economista Carlos Pereira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), avalia que houve políticas de incentivos na transferência de renda visando a redução da pobreza, como aumento do programa Bolsa Família e acesso ao crédito, mas ressalta a necessidade de investimentos em infraestrutura básica, para reduzir a desigualdade no país. "O problema maior está em como vencer. Uma solução seria mais investimentos da iniciativa privada nas áreas de infraestrutura e saneamento", argumenta.
 Carlos, do Trata Brasil, considera, entretanto, que o governo federal começou a dar uma atenção maior à questão ao criar o Ministério das Cidades e ao lançar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)). De 2007 a 2010, o setor recebeu R$ 40 bilhões em investimentos do PAC, e, entre 2011 a 2014 estão previstos mais R$ 45 bilhões.
 Apesar dos recursos disponíveis, a falta de projetos e de capacidade de gerenciamento das obras atravancam o setor, segundoÉdison Carlos e o secretário nacional de saneamento ambiental do Ministério das Cidades, Leodegar Tiscoski. "Recebemos muitas solicitações de recursos, mas quando o projeto é avaliado, constatamos sua falta de viabilidade por estar defasado. Além disso, há também um gargalo de engenheiros capacitados para saneamento", destaca Tiscoski.
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 De acordo com dados do instituto Trata Brasil, cada R$ 1 investido em saneamento gera economia de R$ 4 na área de saúde.

"Cbic"

 

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