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18/07/2012

Restos de coco se transformam em material reciclável em São Vicente

"Cbic"
18/07/2012 :: Edição 362

G1 – Globo – 18/07/2012

restos de coco se transformam em material reciclável em são vicente

Depois de tomar uma água de coco a beira mar, muitos moradores e turistas de São Vicente, no litoral de São Paulo, não imaginam que a fruta ainda pode ser aproveitada. Todos os dias, caminhões cheios de coco verde são levados para um galpão no Parque Ambiental Sambaituba. O local, que há 10 anos funcionava como um lixão, abriga um grande centro de reciclagem.

O parque é conduzido por mais de 100 ex-catadores de lixo, que trabalhavam no lixão Sambaiatuba antes dele ser desativado, em 2002. Hoje, essas pessoas são agentes de reciclagem da Cooperativa de Trabalho da Cidade Alta, a Coopercial. Todos tiveram acesso à informação e participaram de ações de formação e desenvolvimento humano. Entre projetos sócio-ambientais e de geração de renda desenvolvidos no lugar, está a usina de reciclagem de coco. Eles recolhem os resíduos da fruta que podem ser reaproveitados.

Em um primeiro momento, caminhões da cooperativa passam em quatro pontos da cidade para recolher os cocos verdes. Eles são levados para o galpão e colocados em grandes sacos. A maioria deles estão abertos, sem a água, e são colocados no processador. Passam por um triturador e a parte líquida é despejada em uma bacia. A fibra, que é a casca do alimento, e o pó, produzido durante a trituração, são encaminhados para o classificador, que é responsável por separar os dois produtos.

Após esse processo, o pó fica apto para virar adubo mas, antes, passa por um processo de fermentação. Temos que tirar os sais que podem matar a planta. Por isso o adubo tem que ser lavado, explica Antonio Marcos dos Santos, um dos integrantes da equipe composta por sete pessoas que realiza a reciclagem do coco. O substrato fica pronto após cerca de 3 meses de processos. Esses resíduos são usados para jardinagem em plantas ornamentais e podem ser misturados com esterco animal para fazer adubo orgânico. O produto também serve para a alimentação de animais, na complementação de rações mas, nesse caso, é necessário um tratamento especial.

Já as fibras, as cascas do coco, saem direto da máquina e devem ficar secando ao sol. Depois, elas são agrupadas em fardos. De acordo com Silmara Casadei, bióloga e coordenadora do Pólo Sambaiatuba de Cidadania, esse material pode ser utilizado para diversos fins artesanais, como vasos, luminárias, e também para substituição do xaxim na confecção de estofados e tapetes. Além disso, a fibra pode ser utilizada como mantas e telas para a proteção do solo.

Para viabilizar a primeira usina da reciclagem de coco da Baixada Santista, 15 pessoas da cooperativa receberam qualificação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Universidade de São Paulo (USP), para conhecer a técnica e aprender a lidar com os equipamentos e a manutenção. As máquinas foram compradas da USP e da Embrapa e tiveram um custo de R$ 110 mil. O Ministério da Ciência e Tecnologia destinou R$ 170 mil para a iniciativa, que foi elaborada pela Companhia de Desenvolvimento de São Vicente (Codesavi) e a Secretaria de Governo da Prefeitura de São Vicente.

Silmara explica que o lugar foi inaugurado em dezembro do ano passado mas há apenas um mês é que foi implantada a coleta seletiva de coco na cidade. Hoje estamos numa fase de iniciar a venda. Estamos fazendo contato e temos recebido vários compradores para fazer a análise, diz. O custo de um quilo de fibra pode chegar a R,20. A coordenadora diz que as máquinas podem suportar até 15 toneladas de coco por dia, mas a produção ainda fica bem abaixo por falta de procura. A intenção, diz ela, é que a usina possa servir para toda a região, para que gere mais renda e diminua a quantidade de lixo na Baixada Santista. A ideia é que outras cidades venham trazer o seu coco para cá, porque que a gente reciclaria, garante.

Para os cooperados, o novo trabalho diferenciado tem melhorado a qualidade de vida e a renda no final do mês. Os irmãos Júlio Cesar dos Santos e Antonio Marcos dos Santos saíram da reciclagem de entulho para se dedicar ao coco. Eu e meu irmão trabalhávamos todo o tempo a céu aberto, com chuva ou sol. Era muita exposição. Aqui eu estou mais feliz. O trabalho está abrindo empregos e está modificando a nossa vida, conta Antonio.

Já Marizete Ferreira Amorim, que já passou por vários setores na cooperativa, diz que finalmente se apaixonou por um tipo de serviço. Ela garante que sua vida mudou muito depois que começou a trabalhar com os cocos. Eu comprei minha casa. Vou começar a pagar agora. Se Deus quiser isso vai virar uma fábrica, ainda vai crescer muito, acredita.

"Cbic"

 

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