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14/02/2012

PAC e moradia vão escapar dos cortes

"Cbic"
14/02/2012 :: Edição 269

 

Jornal Correio Braziliense/BR 14/02/2012
 

PAC e moradia vão escapar dos cortes

Programa de Aceleração do Crescimento e o Minha Casa, Minha Vida serão preservados das tesouradas  no Orçamento de 2012. A expectativa é de que o contingenciamento fique entre R$ 50 bilhões e R$ 55 bilhões 

 O corte no Orçamento-Geral da União de 2012 vai ficar abaixo dos R$ 60 bilhões pretendidos pelo mercado e por setores mais ortodoxos do Ministério da Fazenda. A expectativa é de que o contingenciamento, que será anunciado até sexta-feira, fique entre R$ 50 bilhões e R$ 55 bilhões. Apesar de a crise internacional ainda estar em uma fase aguda – a Grécia acaba de aprovar um pacote duro de austeridade fiscal e a Zona do Euro não dá sinais de que conseguirá livrar-se da turbulência -, o Planalto avalia que é preciso manter os investimentos para assegurar um crescimento sustentado do país neste ano.
 Os programas estratégicos do governo serão preservados. Estão nesse rol as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa, Minha Vida. Dilma aposta que os investimentos no PAC serão importantes para que, no segundo semestre do ano, o ritmo de crescimento da economia volte a atingir os patamares de 2010. Já o Minha Casa, Minha Vida foi escolhido pela presidente como o grande projeto de seu mandato. Ela considera que os programas sociais estão consolidados e que chegou o momento de dar moradia com dignidade para as pessoas, especialmente as famílias com faixa de renda até R$ 1,6 mil.
 A tesourada na peça orçamentária também deixará incólume o Programa Brasil sem Miséria, um desdobramento do Bolsa Família que beneficia 16 milhões de pessoas com renda familiar abaixo de R$ 70; e os investimentos em educação, ciência e tecnologia e saúde. Pela ênfase dada pela presidente em cerimônias recentes no Palácio do Planalto, a aposta é que programas como o Pronatec – uma espécie de Prouni para as escolas técnicas – e o Ciência sem Fronteiras, que concede bolsas de estudo no exterior, devem ser mantidos. Dilma tem fixação pelo ingresso do país na "era do conhecimento".
 A redução da expectativa de aumento do PIB para 2012, anunciada ontem pela equipe econômica, só reforça os argumentos para que os cortes sejam menos duros que os planejados inicialmente. O PIB deste ano deve fechar em 4,5% e não os 5% esperados inicialmente pela Fazenda e pelo Palácio do Planalto. Em recentes reuniões com empresários que investem no Minha Casa, Minha Vida, o ministro Guido Mantega assegurou que os recursos seriam preservados.
 A própria Dilma tem repetido que não pretende tirar o pé do freio. Com base nos sinais emitidos pela presidente e pelo titular da Fazenda, diminuiu-se a aposta de um corte de R$ 60 bilhões. Especialistas afirmam que isso provocaria uma freada muito brusca na economia. Um contingenciamento entre R$ 50 bilhões e R$ 55 bilhões sinalizaria aos mercados a disposição do governo federal de manter as contas em dia, preservaria o país da contaminação pela crise estrangeira e ainda permitiria um fôlego para não "quebrar" o ritmo de crescimento do PIB.
 Esses argumentos são usados também para justificar a alguns setores mais desenvolvimentistas – e principalmente, ao Congresso – por que o contingenciamento não pode ficar abaixo dos R$ 50 bilhões. Integrantes da Comissão Mista de Orçamento projetavam um corte de R$ 40 bilhões, alegando que a China cresceu mais que o esperado e que os números soprados pela economia americana, especialmente a redução nos níveis de desemprego, poderiam aliviar a mão do governo sobre o orçamento. Mas na Fazenda e no Planejamento a avaliação é de que um corte de R$ 40 bilhões emitiria um sinal de afrouxamento fiscal muito perigoso.
 
  Concursos
 
 A manutenção dos concursos públicos vai depender da intensidade da tesourada. Quanto mais rigorosa ela for, menor a chance de abrir vagas no serviço público federal. A expectativa é de uma tática semelhante à adotada no ano passado: análises criteriosas e cirúrgicas das áreas mais necessitadas para, a partir daí, determinar se serão realizadas novas seleções.
 Outra dúvida é como ficarão as emendas parlamentares. O governo federal tem feito uma revisão completa dos convênios com ONGs, cancelando aqueles com suspeitas de irregularidades. Mas ministérios cujos orçamentos dependem desse tipo de recursos sempre acabam sendo os mais prejudicados quando o Planalto decide cortar gastos.
 

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