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Agência CBIC

28/06/2012

Indústria da Construção discute inovações para o Programa Minha Casa Minha Vida no 84º ENIC

Por Bruno Carvalho – 84º ENIC – 22/06/12
 
Diante das diferenças entre as regiões do País, construtores, fabricantes e pesquisadores vão tentar estabelecer três projetos ideais para os imóveis do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) e buscar mais flexibilidade para as exigências do projeto governamental. As propostas vão levar em consideração a disponibilidade de materiais e a sustentabilidade nas edificações. O painel da Comissão do Meio Ambiente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) será dia 28 de junho, às 14h15, no Expominas, durante o 84º ENIC – Encontro Nacional da Indústria da Construção.
 
Hoje, a sustentabilidade é um assunto dominante na sociedade. Por isso, a Caixa Econômica Federal, responsável pela operacionalização do PMCMV, determina alguns requisitos e características para que os imóveis possam ser inseridos no principal projeto de habitação popular do país. Entretanto, as diferenças regionais quanto à disponibilidade de materiais e características climáticas, podem interferir no resultado de eficiência.
 
Observando essa deficiência do programa, representantes do setor propõem a adequação dos projetos às realidades locais. Na região Nordeste, como há fornecedores tijolo, brita e cimento, dificilmente ocorrerá falta de materiais. Contudo, em Manaus ou Belém, não se tem a produção de brita e cimento, apenas areia. Assim, parte dos produtos é de outras regiões. “Imagine trazer um material de dois mil quilômetros de distância. Isso não pode ser considerado sustentável. Só o transporte inviabiliza qualquer conta, devido às emissões de carbono”, pondera o presidente da Comissão de Meio Ambiente, José Antônio Simon.
 
Outro ponto de discussão é sobre a regra que estabelece aquecimento solar nas residências. A medida tem impacto econômico nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Mas seu efeito é restrito no Norte e Nordeste. Isso porque, devido às altas temperaturas, os habitantes têm o hábito de tomar banhos frios, dispensando o sistema.
 
Nas discussões durante o ENIC, a intenção é estudar os materiais utilizados no sistema construtivo, a eficiência energética, o uso racional da água e o urbanismo sustentável. Depois, tentar chegar a projetos ideais para o Programa Minha Casa Minha Vida em três macrorregiões do país: Sul e Sudeste, Centro-Oeste e Norte e Nordeste. “Como haverá a participação dos ministérios do Meio Ambiente e das Cidades, além da Caixa, como debatedores, as discussões vão propiciar a elaboração de um documento com propostas que será entregue ao governo posteriormente”, diz Simon.
 
Tecnologia nos sistemas de energia e água
 
Além da mudança em alguns requisitos, o painel também vai debater aplicações que podem ser incorporadas aos imóveis do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV).  Uma é a questão das janelas utilizadas que só abrem pela metade, já que a outra é uma persiana. Isso diminui a área de iluminação dos cômodos e faz com que, eventualmente, seja necessário o acionamento de lâmpadas.
 
Outro ponto é a tinta usada nas construções. Na parte exterior, quanto mais clara, mais radiação solar vai ser refletida, resultando em um maior conforto térmico dentro da residência. A cor branca absorve algo em torno de 10% da radiação solar. Já cores como vermelho escuro podem reter cerca de 70% da radiação solar e do calor.
 
No interior, cores claras também diminuem a necessidade do uso de lâmpadas durante o dia. “Vamos apresentar o exemplo de um apartamento do Programa Minha Casa Minha Vida e mostrar a diferença que é quando se utiliza essas soluções” diz o professor do Departamento de Engenharia Civil da UFSC, Roberto Lamberts.
 
O pesquisador também aponta a possibilidade de incorporar nos imóveis do PMCMV o painel fotovoltaico, que transforma energia solar em energia elétrica para o uso em eletrodomésticos. Agora, com a nova regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os usuários poderão produzir energia a partir dos raios solares durante o dia e exportar para rede e à noite ou em dias nublados ele importaria da rede. A quantidade disponibilizada para o sistema será debitada do consumo.
 
“Em médio prazo, poderia se pensar em um sistema financeiro que viabilizasse a instalação do painel em imóveis do Programa Minha Casa Minha Vida, como uma forma de neutralizar a conta de energia da pessoa”, diz Lamberts. O professor registra ainda, que, mesmo hoje, a adoção do sistema pode ser uma alternativa viável. “Com a tarifa residencial plena e cara, em torno de R$ 0,60 por quilowatt-hora, sem o desconto social, já dá para pensar em um retorno em menos de dez anos. E a tecnologia dura em torno de 20 anos. Além disso, o custo do sistema ainda está caindo”, complementa.
 
Quanto ao uso racional da água nas residências, o diretor da ONG Água e Cidade e Empreendedor Social da Ashoka, Wilson Passeto, destaca que desde a década 1990 a indústria tem apresentando soluções. Até 1998, a descarga dos vasos sanitários utilizava 12 litros de água. Em 2000, elas passaram a usar 9 litros, e, a partir de 2002, definiu-se a meta para algo entorno de 6 litros.
 
“A medida mais importante foi o programa de garantia de qualidade para definir padrões para tubulações e materiais hidráulicos. As torneiras passaram a ter um jato direcionado e concentrado, além de aeradores (que misturam ar com a água) e torneiras com durabilidade de 30 mil ciclos de fechar e abrir sem quebrar ou vazar. As casas sociais vão usar os materiais novos. O importante é informar aos moradores para manter os instrumentos que economizam água”, salienta Passeto.

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