Estrategista político não vê risco de governabilidade e aposta em um realinhamento das forças políticas no Congresso

O ambiente de intensa polarização que marca a disputa presidencial de 2018 não será suficiente para esvaziar as condições de governabilidade do futuro presidente do Brasil. Para o estrategista político Márcio Coimbra, o processo eleitoral redundará em uma reorganização de forças no Congresso Nacional e o presidente eleito terá os mecanismos necessários para governar, independente de quem venha a vencer as eleições. Em entrevista exclusiva ao CBIC Mais, após sua participação na reunião do Conselho de Administração da CBIC em 03/10, Coimbra avalia o cenário pós-eleitoral. Leia os principais trechos da conversa:

CBIC Mais: O que podemos esperar das eleições 2018?

Márcio Coimbra: Esta eleição é mais do mesmo que vivemos desde 1989, quando se estabeleceu o PT em um dos polos da eleição presidencial. Em 1989, o PT foi um dos polos contra Fernando Collor e acabou, também em todas as eleições seguintes, ocupando um dos polos. A diferença que temos nessa eleição, em relação às anteriores, é que no polo oposto, desde a época do Collor, nós não teremos o PSDB, temos um outsider de direita que é o Jair Bolsonaro. Isso pode ter um reflexo no resultado da eleição, por que a tendência é encerrarmos um ciclo de 30 anos que começou em 1989 agora em 2018. O que podemos esperar é, realmente, uma polarização. Se Jair Bolsonaro vencer, teremos um realinhamento de forças no Congresso, com o PSDB assumindo uma posição de centro-esquerda, com bancadas de partidos mais à direita e o PT na sua hegemonia de esquerda.

C.M.: O que podemos esperar no campo da governabilidade, especialmente considerando a expectativa por uma agenda econômica que fomente a recuperação do país?

M.C.: A governabilidade em um governo Haddad será muito fácil, pois os partidos estão acostumados com o seu lugar dentro do jogo de poder. Então, já sabemos quais partidos ocupam quais pastas em quais áreas e eles têm essa incerteza com Bolsonaro. Não quero dizer que com Bolsonaro haverá falta de governabilidade. Nós temos um centro fisiológico na política brasileira que está sempre disposto a apoiar qualquer governo em troca de presença no governo, dando apoio no Congresso Nacional. Vai haver o sistema se movendo para buscar meios de apoiar Jair Bolsonaro, pois não é interesse desses partidos e dessas pessoas se indisporem com o governo. Outra coisa que o Bolsonaro vai trabalhar, no campo da governabilidade, são questões suprapartidárias. Por exemplo, esse apoio que ele recebeu da frente parlamentar agropecuária significa que ele consegue fazer movimentos transversais em temas, não nos partidos. Só essa bancada tem duas centenas de deputados e, se não me engano, cerca de 30 senadores. Então, se ele tratar temas transversais talvez consiga apoios em diferentes partidos. Há muitas formas de construir maioria no parlamento e eu acredito que esse realinhamento de forças políticas será responsável, caso o Bolsonaro vença, de vermos um realinhamento de forças no Congresso com desdobramento real em políticas de governo.

C.M.: O que o setor produtivo, que nesse momento espera pela aprovação de reformas e medidas microeconômicas que melhorem o ambiente de negócios e a segurança jurídica, pode esperar de uma pauta em um Congresso novo e com alternância de poder efetiva, como você descreve?

M.C.: Dependendo do governo, a pauta do Congresso estará ligada a ele. Com Bolsonaro, e Paulo Guedes na economia, teremos uma política mais liberal, com mais privatizações, uma política que vai retirar o peso do Estado sobre a economia. Do lado do Haddad, a retomada de políticas desenvolvimentistas. São dois caminhos opostos e que podem influenciar uma agenda de desenvolvimento no longo prazo. Eu acredito que, seja qual for o Congresso, terá que lidar com a agenda econômica, e uma agenda econômica completamente diferente entre os candidatos.

C.M.: Como avalia o movimento dos partidos e o tamanho potencial da oposição?

M.C.: No caso de um governo Bolsonaro, teremos uma oposição muito mais orgânica e organizada, pois será feita preponderantemente pelo PT. O PT é um partido que, ao longo dos anos, aprendeu a fazer oposição e faz muito bem. O Bolsonaro teria, na oposição, um partido aguerrido, mas com estratégias conhecidas. Caso o Haddad vença, a tendência é essas forças conservadoras e de direita que estão em volta do Bolsonaro se dispersarem nos seus partidos e a postura de antagonista ao governo do PT deve ser defendida pelo PSDB, que diante da derrota iminente do Geraldo Alckmin, deve passar por um processo profundo de renovação com os chamados cabeças pretas, que são os parlamentares mais jovens, assumindo o controle do partido e veremos emergir das urnas um novo PSDB, com nova direção e uma nova geração. Essa nova geração, no caso de um governo Haddad, sem dúvida é uma geração que levaria o PSDB a um novo tipo de oposição.

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