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Agência CBIC

15/03/2011

Entrevista – A resposta social da construção: empregabilidade e qualificação de mão de obra no Rio de Janeiro

Há cerca de três anos, em um contexto de retomada do
crescimento da Indústria da Construção, as empresas do setor no Rio de Janeiro
identificaram carência de trabalhadores nos canteiros de obras, inclusive de
serventes com experiência em construção civil. O segmento da construção, tradicionalmente
um dos principais geradores de postos de trabalho na economia brasileira, vivia
à época a iminência de um apagão de mão de obra na cidade. Os profissionais que
surgiam eram, em sua maioria, pessoas inexperientes para as funções. Diante
desse cenário, o Serviço Social da Indústria da Construção do Rio de Janeiro
(Seconci-Rio) começou a recrutar trabalhadores da economia informal e oferecer
cursos com a possibilidade desses profissionais construírem uma carreira na
Construção Civil. O Projeto de Iniciação Profissional na Indústria da
Construção Civil, iniciativa inédita no setor, foi uma forma diferenciada de promover
o ingresso de trabalhadores no segmento, com uma visão de qualificação e
crescimento profissional. A seguir, uma rápida entrevista com a coordenadora de
Relações Institucionais do Seconci-Rio, Ana Cláudia Gomes, sobre o Curso de
Iniciação Profissional na Construção Civil para serventes de obra.

CBIC – O que é e como funciona o curso de Iniciação
Profissional na Construção Civil para Serventes de Obra?

Ana Cláudia Gomes – A iniciativa, inédita no setor da construção está em prática
há quase três anos e é uma forma diferenciada de introduzir o jovem na Indústria
da Construção. O curso tem carga horária de 40 horas. É realizado em cinco
dias (oito horas diárias) e composto por dois módulos, o  Mundo do
Trabalho e o Mundo da Construção.  Nestes dois módulos são trabalhados os
seguintes temas: a autoestima do futuro profissional, a sua imagem pessoal, o
relacionamento interpessoal, a ética, a cidadania, o comportamento no ambiente
de trabalho, direitos e deveres do trabalhador, segurança do trabalho,
qualidade e produtividade, as perspectivas de crescimento no setor de
construção e a formação técnicoprofissional.

CBIC –
Onde o curso é realizado?

Ana Cláudia Gomes –O curso pode ser ministrado na sede do Serviço Social da Indústria da
Construção (Seconci) ou nas
comunidades, em alguma associação comunitária. A vantagem de ser na comunidade
é estar mais próximo à residência dos futuros profissionais do setor, evitando
custos com alimentação e transporte. Das 29 turmas já realizadas, cinco foram
em comunidades.

CBIC – Como é feito o recrutamento?

Ana Cláudia Gomes – O recrutamento é feito por profissionais do Seconci-Rio junto
às comunidades e em locais de grande concentração de jovens, de 18 a 35 anos,
com o 5º ano do Ensino Fundamental, desempregados ou no mercado informal, que
têm o desejo de construir uma nova carreira. Um desses locais tem sido a
Central do Brasil (estação de trem do Rio de Janeiro).

A divulgação das vagas é feita via Assessoria de Imprensa do
Seconci, com a distribuição de notas para os jornais populares do Rio de
Janeiro e para o Bom Dia Rio, da TV Globo, ou por meio de parcerias com as
Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Um dos slogans utilizados na abordagem é “Venha construir uma
carreira na Construção Civil, o setor que mais cresce no nosso país”. Nesse
contato, é destacada a importância do curso para os que estão desempregados e
querem começar uma carreira na Indústria da Construção Civil. É enfatizado que
essa qualificação profissional pode ser um meio de sair da economia informal e
entrar na economia formal. Além disso, é reforçado que o setor está forte e que
há ofertas de empregos, que os salários são bons, que há uma expectativa de
crescimento na carreira, e que um dos benefícios de se estar no setor é ter uma
unidade que cuida da saúde do trabalhador, o Seconci.

Após a inscrição, os interessados são submetidos a uma
seleção para verificar se realmente se enquadram no perfil do projeto. É feita
uma plenária para apresentação da grade do curso e do que é a Indústria da
Construção aos inscritos. Os que se enquadram ao perfil do setor  e se
interessam pelo curso são encaminhados para uma entrevista individual para
investigação das informações prestadas para a efetivação do mesmo ao projeto. O
objetivo dessas entrevistas é evitar o alto índice de evasão, com pessoas que
não se enquadram no perfil do projeto, mas, por estarem desempregadas, querem
participar. A essas pessoas, o Seconci-Rio realiza outro tipo de trabalho.

CBIC – Há
dificuldades na aplicação do projeto?

Ana Cláudia Gomes – A única restrição tem sido a quantidade de recurso a ser
aplicada no projeto. O Seconci-Rio está buscando parcerias junto ao governo e a
iniciativa privada para capitalizá-lo. Apesar da qualificação também ser uma prioridade,  para nós o custo com saúde (medicina e
odontologia) é muito alto. O custo per capita neste projeto é  hoje de R$
150,00 por trabalhador.

CBIC – Há previsão de aprimoramentos ou expansão da
iniciativa?

Ana Cláudia Gomes – A qualificação profissional é hoje  um compromisso da
entidade  que tem a missão de melhorar a qualidade de vida do trabalhador
e com isso a produtividade do setor de construção. O projeto, como todas as
ações do Seconci, vem se aperfeiçoando. O curso antes era todo realizado no Seconci-Rio. Atualmente realizamos uma visita
técnica em um canteiros de obras , além de uma aula prática no laboratório do Senai.
O curso segue a observância do ciclo de desenvolvimento PDCA, que tem foco na
melhoria contínua. Pelo projeto está prevista uma ajuda de custo para
transporte, no valor de R$ 95,00, e de três refeições durante os cinco dias. O
equipamento utilizado é reaproveitado. O ideal seria que todos ganhassem o seu
próprio material (uniforme, capacete, bota, ferramentas, etc). 

Quanto à expansão da iniciativa, o Seconci de Minas Gerais
criou projeto semelhante em Belo Horizonte, já com a abertura da sua primeira
turma.

CBIC – Existe algum trabalho que facilite o encaminhamento
dessas pessoas às empresas e, posteriormente, algum tipo de acompanhamento?

Ana Cláudia Gomes – Sim. O Seconci-Rio é responsável pela inclusão do trabalhador
no mercado de trabalho, por meio do seu Banco de Oportunidades. Ele informa às
empresas do setor, via news, a disponibilidade de mão de obra. Ao terminar o
curso, a pessoa recebe o kit emprego e está apta a ser entrevistada. Por meio
da parceria com as empresas, o Seconci consegue acompanhar, por amostragem, por
quais empresas esses profissionais foram contratados.

CBIC –
Qual o resultado desse trabalho?

Ana Cláudia Gomes – Os resultados têm sido altamente positivos, com a inclusão
social dos jovens economicamente desfavorecidos, por meio da capacitação
profissional, no setor da construção civil. Até o momento, já foram formadas 29
turmas com aproximadamente 730 jovens, dos quais 80% já foram inseridos no
mercado de trabalho.

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