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18/04/2012

Do esgoto, fez-se a luz

"Cbic"
18/04/2012 :: Edição 300

 

Correio Braziliense/BR 18/04/2012
 

Do esgoto, fez-se a luz

Pesquisadores norte-americanos apresentam equipamento capaz de tratar o resíduo e, ao mesmo tempo, gerar energia elétrica 

 
 No Brasil, cerca de metade dos municípios possui coleta de esgoto, embora apenas 30% tenham estações que tratem esses dejetos antes de despejá-los na natureza. Tratar esse material orgânico é necessário para não poluir rios e mares, bem como evitar a proliferação de doenças infecciosas e transmitidas por parasitas. Agora, imagine o benefício que traria um equipamento que, além de tratar esse resíduo, ainda o utilizasse como fonte de produção energética. Pois essa máquina já existe.
 Pesquisadores do Instituto J. Craig Venter, nos Estados Unidos, passaram 10 anos trabalhando no projeto que levou à criação desse dispositivo, apresentado no congresso da American Chemical Society (ACS). Com o tamanho de uma máquina doméstica de lavar roupas, o aparelho usa as bactérias que se desenvolvem em meio à matéria orgânica dos dejetos para fazer biomassa, combustível utilizado para gerar energia elétrica (veja infografia). "Nosso protótipo consegue processar cinco vezes mais resíduos urbanos do que os que tínhamos feito antes. Podemos trabalhar com 380l de dejetos por semana", anunciou, em videoconferência da qual o Correio participou, a professora assistente de eletromicrobiologia do instituto e líder da pesquisa, Orianna Bretschger.
 No total, 13% desse combustível feito a partir dos resíduos que passam pelos encanamentos das cidades se tornam energia. Pode não parecer muita coisa, mas Bretschger citou exemplos de como isso já traz, sim, impactos positivos para a sociedade. "Nossos testes foram feitos na estação de tratamento de esgoto de San Diego (na Califórnia). Se implantássemos o dispositivo definitivamente no local, conseguiríamos ter eletricidade para abastecer 125 mil moradias a cada ano", calculou. A equipe da especialista, no entanto, quer ainda mais: pretende construir um aparelho maior, com eficiência de converter 25% do material em energia elétrica, o que tornaria a usina de tratamento autossuficiente em termos energéticos e ainda beneficiaria a comunidade local.
 Outro ponto positivo está na questão do esgoto em si, já que, ao ser tratado simultaneamente à produção de combustível, 97% da matéria orgânica é removida. Não chega a fazer com que a água se torne potável, mas permite que o líquido seja utilizado em descargas de banheiro e o torna menos danoso ao meio ambiente.
 Ideias como essa seriam muito bem-vindas no Brasil, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Tanto que a Superintendência de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética da companhia vai publicar, até o fim deste mês, uma chamada de projetos sobre o tema. "Isso criará incentivos para os agentes do setor elétrico investirem no aproveitamento de resíduos sólidos e líquidos para geração de eletricidade, que pode ser injetada na rede de distribuição para compensar a energia consumida em prédios e serviços públicos e, caso sobre energia, comercializada por agentes do setor", explicou, por nota, a superintendência do órgão, destacando que a iniciativa do Instituto J. Craig Venter poderia ser aplicada nas redes de coleta de esgoto nacionais. "Desse modo, o tratamento e a destinação de resíduos deixam de ser uma despesa e passam a gerar receitas. Isso é um excelente sinal econômico para as prefeituras construírem estações de tratamento pelo país."
 
 Clima favorável
 
De acordo com Fabio Stacke, especialista em regulação da Aneel, as condições climáticas interferem muito quando se faz tratamento de resíduos. "O Brasil tem excelente potencial com essas medidas porque faz calor, tendo a temperatura ideal para a proliferação de bactérias que vão decompor o material orgânico", afirmou. Essa é a razão pela qual projetos nesse sentido podem ser ainda mais bem-sucedidos no país do que em nações como os Estados Unidos e a Alemanha, que já têm grandes trabalhos no setor, mas sofrem com o frio no inverno.
 Inicialmente, os cientistas que trabalham com Orianna Bretschger pretendem apenas tornar seu dispositivo mais viável comercialmente, para ser usado em comunidades pequenas e com poucos recursos financeiros. "Acredito que ele estará no mercado nos próximos 15 ou 20 anos. Conseguimos retirar nossa experiência do laboratório e transpô-la para a vida real há pouco tempo. Então, só agora nosso foco é melhorar a tecnologia para que o aparelho seja competitivo em termos de venda", explicou a cientista.
"Cbic"

 

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