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AGÊNCIA CBIC

29/07/2026

David Fratel destaca qualificação, produtividade e segurança jurídica como prioridades da CPRT na gestão 2026-2029

Fortalecer a qualificação profissional, impulsionar a produtividade, modernizar as relações trabalhistas e ampliar a segurança jurídica estão entre as prioridades defendidas por David Fratel à frente da vice-presidência da área de Política de Relações Trabalhistas da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Em entrevista ao CBIC Hoje, o dirigente apresenta sua visão sobre os principais desafios da construção civil e as iniciativas que pretende conduzir durante a gestão 2026-2029.  

Engenheiro civil com ampla experiência na construção civil, no mercado imobiliário e na formação de profissionais para o setor, Fratel chega à nova gestão com o compromisso de fortalecer a qualificação da mão de obra, modernizar as relações trabalhistas e contribuir para o aumento da produtividade e da competitividade da construção brasileira. 

Atualmente, é diretor de empresas do Grupo SIMPAR, coordenador e professor do Instituto Mauá de Tecnologia e integra importantes entidades ligadas ao setor, como o SindusCon-SP, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (SENAI-SP) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Também coordena o Fórum Permanente de Negociação entre SindusCon-SP, SintraCon-SP e FETICOM, além de atuar como árbitro do Centro de Estudo da Paz e Resolução de Conflitos (GLIP-USP). 

Ao longo da carreira, ocupou posições de liderança em empresas como Grupo Kallas, InPar/Viver, Patrimônio Incorporadora e Construtora, Pátria Investimentos e Engineering S/A Serviços Técnicos, consolidando uma trajetória voltada ao desenvolvimento da gestão de pessoas, das relações trabalhistas e da inovação na construção civil. 

Nesta entrevista, Fratel fala sobre os principais desafios do setor para os próximos anos, as prioridades da CPRT na nova gestão e as iniciativas que pretende desenvolver para fortalecer a qualificação profissional, ampliar a segurança jurídica nas relações de trabalho e aumentar a produtividade da construção. Confira a entrevista com o novo vice-presidente da área de Política de Relações Trabalhistas da CBIC e presidente da CPRT: 

Quais são os principais desafios do setor da construção para os próximos três anos? 

David Fratel: A construção civil enfrenta quatro grandes desafios estruturais. O primeiro é a crise de atratividade e a falta de mão de obra qualificada. Hoje, cerca de 90% das empresas encontram dificuldades para preencher vagas técnicas e reter talentos. 

Outro ponto importante são os impactos econômicos e operacionais das discussões sobre a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Precisamos considerar que a construção brasileira ainda apresenta baixa produtividade tecnológica em comparação com países mais industrializados, o que pode elevar custos, ampliar prazos e pressionar a inflação. 

Também enfrentamos o aumento do contingente nos canteiros de obras, consequência da cultura do “quase pronto”, que gera retrabalho e reduz a eficiência dos empreendimentos. 

Por fim, temos o desafio da industrialização da construção, acelerando a transição de um modelo predominantemente artesanal para processos baseados em tecnologia, planejamento e montagem industrial. 

Diante desse cenário, quais são as prioridades da Comissão nesta nova gestão? 

David Fratel: Vamos concentrar esforços no fortalecimento do Plano Nacional de Qualificação, desenvolvido pela CBIC em parceria com o SENAI, por meio de iniciativas como os programas Aprendendo a Construir e Elas Constroem. 

Também queremos consolidar trilhas profissionais que valorizem as especialidades técnicas e ofereçam planos de carreira mais claros para os trabalhadores, iniciativa já iniciada pelo SindusCon-SP. 

Outro foco será a modernização das relações trabalhistas, sempre respeitando a negociação coletiva e preservando a viabilidade dos negócios. Além disso, daremos atenção especial aos temas relacionados à aprendizagem nos canteiros de obras e ao trabalho por tarefa. 

Na área de saúde e segurança do trabalho, pretendemos fortalecer o monitoramento de indicadores, priorizando ações preventivas e buscando equilíbrio entre as exigências regulatórias e a realidade das empresas. 

Qual será a principal contribuição da CPRT para aumentar a produtividade e a competitividade da construção nos próximos anos? 

David Fratel: A CPRT atuará como a ligação entre a valorização do trabalhador e a eficiência operacional. Defendemos que aumentos salariais reais e eventuais reduções da jornada somente sejam sustentáveis quando acompanhados por ganhos efetivos de produtividade e pela redução do retrabalho. 

Ao fortalecer as trilhas profissionais e ampliar a qualificação técnica em parceria com o SindusCon-SP e o SENAI, queremos criar condições para que as empresas construam com mais eficiência, menos desperdícios e maior nível de industrialização. 

Como a CPRT pretende apoiar as empresas diante das mudanças nas relações de trabalho e das novas exigências regulatórias? 

David Fratel: Nosso objetivo é oferecer segurança jurídica nas negociações coletivas, garantindo que as especificidades regionais sejam preservadas. 

Também vamos promover ações de capacitação em parceria com SESI e SENAI para preparar as empresas diante de novas exigências, como aquelas relacionadas aos riscos psicossociais previstos nas Normas Regulamentadoras. 

Outro compromisso será disponibilizar dados e indicadores sobre saúde, absenteísmo e rotatividade da mão de obra, apoiando o setor na redução dos chamados custos ocultos das obras. 

Além disso, vamos fortalecer e estruturar programas estratégicos voltados à qualificação profissional, entendendo que esse é o principal caminho para aumentar a produtividade da construção brasileira. 

Como pretende ampliar o diálogo da CPRT com as entidades associadas da CBIC e com os demais atores do setor? 

David Fratel: Nosso objetivo é aproximar ainda mais a CPRT das entidades associadas da CBIC e dos diversos atores do setor. Esse trabalho será desenvolvido em conjunto com a presidência da entidade, a presidência executiva, os conselheiros e os representantes regionais, fortalecendo a atuação dos Sinduscons estaduais como elo entre as iniciativas nacionais e as demandas locais, além de ampliar o diálogo com os sindicatos dos trabalhadores. 

Também estudamos a criação de um conselho consultivo, multidisciplinar e multirregional, para reunir empresários, especialistas e lideranças em torno dos principais desafios da construção. A ideia é ampliar a participação dos diferentes segmentos do setor e construir soluções de forma colaborativa. 

Queremos, ainda, fortalecer a articulação institucional com parceiros estratégicos, especialmente o Sistema S, para ampliar o alcance das ações da comissão e garantir que as iniciativas nacionais sejam implementadas de forma coordenada em todo o país. 

 

 

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