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AGÊNCIA CBIC

18/09/2026

Sinduscon-RS: Industrialização ganha espaço como resposta aos desafios da construção civil

Realizado no Teatro do Sinduscon-RS, o 4º Seminário Industrialização na Construção reuniu especialistas para discutir tecnologia, produtividade, qualificação profissional e integração entre indústria, projetistas, incorporadoras e construtoras

A integração entre os diferentes agentes envolvidos no desenvolvimento de um empreendimento imobiliário foi apontada como um dos principais caminhos para ampliar a industrialização na construção civil. O tema esteve no centro das discussões do 4º Seminário Industrialização na Construção, realizado no dia 16 de setembro, no Teatro do Sinduscon-RS, em uma iniciativa da AsBEA e do Sinduscon-RS.

A proposta parte de uma premissa: quanto mais cedo indústria, projetistas, incorporadores e construtoras dialogarem, maiores são as possibilidades de incorporar soluções industrializadas de forma eficiente ao projeto e à execução da obra. A integração pode contribuir para enfrentar desafios que hoje impactam diretamente o setor, como a escassez de mão de obra, os longos ciclos construtivos e a necessidade de incorporar novas tecnologias aos canteiros.

Para o vice-presidente do Sinduscon-RS, Roberto Sukster, a industrialização deixou de ser apenas uma possibilidade tecnológica diante das transformações do mercado. “Devido à falta de mão de obra, a industrialização deixou de ser uma opção e se tornou praticamente obrigatória”, afirmou. Segundo ele, além de conhecer os sistemas disponíveis no mercado, é necessário aproximar arquitetura, incorporação e construção para que essas soluções sejam efetivamente aplicadas.

A presidente da AsBEA, Raquel, destacou outro aspecto desse processo: a qualificação profissional. Para ela, a adoção de novas tecnologias pode abrir espaço para novas funções e oportunidades de formação no setor. “Cada vez mais as pessoas querem buscar trabalhos qualificados ou mais bem remunerados. Para isso, é necessário qualificar as pessoas”, afirmou. A discussão sobre especialização, segundo Raquel, pode contribuir para ampliar a empregabilidade e tornar a construção civil mais atrativa aos trabalhadores.

 Tecnologia para construir com mais eficiência

Entre os palestrantes, o engenheiro civil Sérgio Bandeira, da Inovacel, apresentou soluções e tecnologias voltadas à evolução dos sistemas construtivos. A apresentação abordou inovação, desempenho, segurança e produtividade, além de soluções relacionadas à eficiência térmica e à redução de resíduos.

“Industrializar também é construir com mais controle, desempenho e segurança” foi a síntese da abordagem apresentada por Bandeira, que também dedicou parte da palestra à segurança contra incêndios, destacando ensaios, normas técnicas e medidas de proteção passiva. Ao final, apresentou o sistema Inovacel Isofachada RB, com foco em desempenho e segurança para aplicações em fachadas.

 Instalações industrializadas dentro da obra

O engenheiro civil Paulo M. N. Borges apresentou o sistema LigaFácil, voltado à industrialização das instalações elétricas e hidráulicas. A proposta utiliza kits desenvolvidos para diferentes sistemas construtivos e entregues prontos para instalação nas obras. “Levar parte da obra para a indústria é transformar tempo, padronização e produtividade em resultados no canteiro.” A partir dessa perspectiva, Borges destacou a importância do planejamento, da gestão, do treinamento e do controle de qualidade para a adoção dos sistemas industrializados.

Entre os resultados apresentados estão a redução de custos relacionados à mão de obra, materiais, resíduos e assistência técnica, além do aumento da produtividade. A palestra também apresentou aplicações do LigaFácil e exemplos de empreendimentos que adotaram soluções industrializadas.

 Pesquisa como ferramenta de projeto

A arquiteta Beatriz Mélo, coordenadora técnica do IACAI, trouxe para o seminário a relação entre pesquisa, arquitetura e inovação. A apresentação mostrou como a investigação e a documentação de experiências anteriores podem contribuir para repensar a forma de projetar e construir.

O IACAI é um instituto sem fins lucrativos voltado à produção e difusão de conhecimento sobre soluções construtivas. Entre suas iniciativas está o Banco de Soluções, uma plataforma gratuita que reúne referências históricas e contemporâneas relacionadas à racionalização, industrialização e ao resgate de soluções passivas na arquitetura brasileira.

A metodologia apresentada envolve seleção, investigação, documentação, reinterpretação e difusão. Entre os exemplos abordados estão a Casa Gerassi, de Paulo Mendes da Rocha, com estrutura pré-fabricada de concreto, e o Edifício R3, de Milton Ramos e Aleixo Furtado, com estrutura e fachada pré-fabricadas em concreto. “Pesquisar, documentar e compartilhar soluções também é uma forma de industrializar o conhecimento.” A abordagem reforçou a importância de aproximar pesquisa, projeto e prática profissional para ampliar o acesso a soluções que possam contribuir para a transformação do setor.

 A experiência do Uruguai

A discussão também trouxe uma perspectiva internacional. O diretor de operações do Enkel Group, Juan Pablo Delatorre, apresentou a experiência da empresa no Uruguai, onde atua com construções em madeira engenheirada.

Segundo Delatorre, o país enfrenta desafios semelhantes aos observados no Brasil, especialmente em relação à disponibilidade e ao custo da mão de obra. Técnicas tradicionais vêm perdendo espaço à medida que diminui o número de profissionais capacitados para executá-las. Nesse cenário, sistemas construtivos industrializados passam a ganhar importância. “O mercado precisa de sistemas que usem a menor quantidade de mão de obra possível para alcançar os melhores resultados”, afirmou. Delatorre relatou ainda que a industrialização da construção ganhou força no Uruguai nos últimos anos, com o avanço de projetos de maior escala. No modelo adotado pelo Enkel Group, a integração vertical envolve desde a atividade florestal até a entrega do produto final, com a casa concluída. A empresa atua com madeira engenheirada e possui obras com mais de 2 mil metros quadrados. Entre os projetos mencionados está o Médano, com 120 unidades à beira-mar, desenvolvido pelo arquiteto Rafael Viñoly.

O debate realizado no Teatro do Sinduscon-RS mostrou que a industrialização envolve, portanto, uma transformação que vai além da adoção de sistemas e materiais. Ela passa pela forma como os empreendimentos são concebidos, pela relação entre os diferentes agentes da cadeia, pela qualificação dos profissionais e pela capacidade de transformar conhecimento e tecnologia em processos mais produtivos.

Ao reunir indústria, arquitetura, engenharia, incorporação e construção, o 4º Seminário Industrialização na Construção colocou em discussão justamente essa mudança de lógica: a industrialização começa antes do canteiro. Começa no diálogo entre quem projeta, quem produz e quem constrói.

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