AGÊNCIA CBIC
Mercado, funding, FGTS e locação acessível pautam debates no Encontro CBIC Construtores e Incorporadores Nordeste
Mercado imobiliário, cenário econômico e político, financiamento, FGTS e locação acessível foram os temas dos painéis realizados nesta sexta-feira (18), no Recife (PE), durante o Encontro CBIC de Incorporadores e Construtores Nordeste. Especialistas, representantes do poder público e do setor produtivo apresentaram dados, perspectivas e tendências para o mercado imobiliário brasileiro e, em especial, para a região Nordeste.
O primeiro painel, “Mercado Imobiliário Brasileiro: Tendências Nacionais e Oportunidades no Nordeste”, discutiu o desempenho do mercado regional, as políticas públicas de habitação e os fatores que podem impulsionar o crescimento da incorporação imobiliária. O debate contou com a participação de Celso Petrucci, diretor de Economia do Secovi-SP e ex-presidente da Comissão da Indústria Imobiliária (CII/CBIC); Betinha Nascimento, vice-presidente da CBIC e diretora do Sinduscon-PE; Simone Benevides Pinho Nunes, secretária de Projetos Estratégicos do Governo de Pernambuco; Rodrigo Ribeiro de Queiroz, secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Governo de Pernambuco; e Paulo Fernando de Lira Junior, presidente da Companhia Estadual de Habitação e Obras (CEHAB).
O Nordeste é o segundo mercado imobiliário do país. Celso Petrucci destacou a dependência do mercado imobiliário em relação às fontes de financiamento habitacional e o desafio de expandir fundings. “O mercado imobiliário hoje é dependente do MCMV, que, por sua vez, é dependente do FGTS. Por isso, precisamos de diálogo político constante”, afirmou.
O déficit habitacional no Nordeste é de aproximadamente 1,76 milhão de moradias, sendo cerca de 220 mil em Pernambuco. A secretária de Projetos Estratégicos do Governo de Pernambuco ressaltou o potencial de crescimento da região e os avanços nas políticas habitacionais. “Nós temos muitas oportunidades e, quem sabe, os nossos descendentes não vão conhecer mais o déficit habitacional como a gente conhece”, disse Simone Nunes.
Funding imobiliário
O financiamento foi tema do segundo painel, “Funding Imobiliário: Quem Financiará o Crescimento do Mercado nos Próximos Anos?”, que discutiu o equilíbrio entre SBPE, FGTS e mercado de capitais e os desafios para ampliar a oferta de crédito e sustentar o crescimento da incorporação imobiliária.
O debate contou com a participação de Inês da Silva Magalhães, vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal; José da Silva Aguiar, superintendente técnico da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip); e Gabriela Nogueira, diretora executiva do BTG Pactual, que participou de forma on-line.
Durante o painel, foi destacado que o volume de financiamento imobiliário deve superar R$ 400 bilhões neste ano. Aguiar chamou atenção para o crescimento da demanda por recursos. “Nunca se financiou tantos imóveis no Brasil quanto nestes cinco anos, então haja funding para tudo isso”, apontou.
Inês Magalhães destacou a necessidade de preservar a sustentabilidade do FGTS e, ao mesmo tempo, acompanhar as mudanças no mercado de trabalho. “Precisamos preservar o FGTS e ter um uso equilibrado para que ele seja longevo. Mas precisamos pensar no investimento do trabalho formal, já que o trabalho informal tem aumentado”, afirmou.
Entre os caminhos apontados para o funding do setor estão a redução da taxa de juros, a ampliação do volume total de crédito e uma melhor destinação dos recursos regulados e públicos.
FGTS
Os desafios para preservar o FGTS como principal instrumento de financiamento habitacional foram discutidos no terceiro painel do encontro. O debate reuniu Clausens Duarte, vice-presidente de habitação de interesse social da CBIC; Carlos Augusto Simões Gonçalves Junior, secretário de Proteção ao Trabalhador do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE); Maria Henriqueta Arantes Ferreira Alves, consultora técnica da CBIC e integrante do Grupo de Apoio Permanente do Conselho Curador do FGTS (GAP/CCFGTS); e Marcelo Maia, superintendente da Rede Recife da Caixa.
A discussão abordou a sustentabilidade financeira do Fundo, as mudanças regulatórias, o saque-aniversário e os caminhos para ampliar o financiamento habitacional sem comprometer a capacidade futura do FGTS. Henriqueta destacou a natureza do Fundo e a necessidade de preservar sua função social. “O FGTS responde à característica local. FGTS não é poupança, é pecúlio. Não pode ser visto como complemento de renda, com a função social que ele tem”, afirmou. Para ela, um dos principais desafios está na manutenção do fundo nos próximos dez anos.
Cenário econômico e político
O encontro também promoveu uma análise do cenário econômico e político brasileiro, com participação da economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, e do cientista político Leonardo Barreto. O debate abordou as perspectivas para o ambiente de negócios e os impactos das condições econômicas sobre a construção.
Pernambuco foi destacado pelo desempenho na geração de empregos no setor. O estado apresenta a maior criação relativa de novos postos de trabalho na construção entre os estados da Região Nordeste, enquanto Recife se destaca entre as capitais nesse indicador.
A taxa de juros permanece como um dos principais desafios para a atividade. Apesar do ambiente econômico, Ieda Vasconcelos afirmou que a CBIC mantém a projeção de crescimento do setor. “Apesar deste cenário, mantivemos a previsão de crescimento do setor em 1,2%, particularmente impulsionada pelo setor de infraestrutura. Em 2026, teremos um recorde de R$ 300 bilhões em infraestrutura e quase 90% têm vindo da iniciativa privada”, afirmou.
Locação acessível
Encerrando a programação, o painel “Locação Acessível: da Política Pública à Transformação das Cidades” discutiu a experiência do Recife e as possibilidades de ampliar esse modelo como alternativa de acesso à moradia e de requalificação urbana.Participaram do debate Clausens Duarte e Eduardo Aroeira Almeida, presidente da CBIC, como moderadores; Fabrício de Andrade Lebeis, diretor da Secretaria Nacional de Habitação; João Paulo da Silva, secretário executivo do Recentro, da Prefeitura do Recife; e Felipe Cury Pereira da Silva, secretário de Habitação da Prefeitura do Recife.
Duarte destacou a necessidade de consolidar a locação social como política pública nacional. “A locação social está prevista na legislação do combate ao déficit habitacional, entretanto essa política não está formalizada. É um problema social: são mais de 3 milhões de famílias com problemas de aluguel. Já temos algumas iniciativas e precisamos consolidar isso como uma política nacional para poder enfrentar esse problema”, apontou.
























































































