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22/01/2014

Crédito imobiliário ignora alta da Selic

"Cbic"
22/01/2014

Valor OnLine

Crédito imobiliário ignora alta da Selic

Os grandes bancos estão poupando o tomador de um aumento de juros no crédito para casa própria, mesmo às custas da margem da operação. Longe de ser um gesto de caridade, mostra a força da competição na linha, prioridade no portfólio das instituições financeiras. Em um período em que a taxa básica de juros saiu de 7,25% em abril de 2013 para 10,5% ao ano em janeiro de 2014, Banco do Brasil, Bradesco e Santander reduziram a taxa média cobrada no crédito imobiliário. Já Caixa Econômica e o Itaú Unibanco a elevaram em proporção menor que o aumento da Selic. Os dados são do site do Banco Central.

No Bradesco, a taxa em dezembro de 2012 era de 9,37% ao ano, e caiu para 8,52%. No Santander foi de 8,69% para 8,43%. E no BB, de 7,89% para 7%. (ver gráfico acima)  

 "No crédito imobiliário, pode até ser que os bancos tenham deixado de repassar ao tomador um eventual aumento do custo de captação", afirma Octavio de Lazari, presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), em evento realizado ontem. "Mas o spread dessa operação sempre foi muito baixo e seu resultado está muito mais ligado à capacidade de construir um relacionamento com cliente, para venda cruzada de outros produtos", diz.

Lazari pondera que, embora a operação tenha baixa inadimplência, o empréstimo imobiliário tem um alto custo de originação da operação. Afirma também que vê pouco espaço para outros aumentos nas taxas dessas operações ao longo de 2014. "A concorrência pelo produto segue muito acirrada", diz. A projeção da associação é que os desembolsos de crédito imobiliário com recursos da poupança cresçam 15% em 2014.

Em 2013, o crédito imobiliário avançou mais que o dobro do que esperava a Abecip, bem acima das demais linhas de empréstimo para pessoa física. No ano passado, foram desembolsados R$ 109,2 bilhões em financiamentos imobiliários com recursos da poupança, volume recorde na modalidade desde o início do Plano Real. Na comparação com 2012, o volume cresceu 32%, longe da projeção inicial de 15%. Em 2012, a expansão havia sido de apenas 3,6%.

"As construtoras desaguaram em 2013 muito dos imóveis e projetos que foram represados em 2012, o que não deve se repetir neste ano", afirma Lazari. Para ele, com menos lançamentos sendo entregues em 2014, a pessoa física não deve crescer de forma tão acentuada neste ano.

Em 2013, foram desembolsados R$ 76,9 bilhões em crédito para aquisição de imóveis, um avanço de 41% ante o ano anterior. Em 2012, o crescimento foi de 22%. Já os recursos destinados à construção somaram R$ 32,2 milhões, com avanço de 15%, depois de fechar 2012 em queda de 20%. "As incorporadoras voltaram a buscar crédito", diz o executivo.

O Brasil encerra 2013 com cerca de 8,1% do estoque de crédito imobiliário em relação ao PIB, ainda abaixo de países como Chile e México. Lazari estima que essa relação vá chegar em 15% nos próximos cinco anos.

 


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