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AGÊNCIA CBIC

13/08/2026

CBIC destaca importância de incentivos para empresas avançarem na industrialização na ConstruNordeste

A industrialização da construção esteve entre os principais temas discutidos no primeiro dia da ConstruNordeste, realizada em Salvador. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Eduardo Aroeira, participou do painel Como destravar a construção industrializada no Brasil para discutir os principais obstáculos e as condições necessárias para ampliar a adoção de métodos industrializados no país.

Também participaram do debate Carlos Henrique Passos, presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB); Eduardo Bastos, presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA); Marco Antônio Zoli, diretor de Atacado da Caixa Econômica Federal; e Luiz Henrique Ceotto, da Tecnoeng MIT – Sloan School of Management.

Ao longo do painel, os participantes destacaram a necessidade do setor da construção avançar na adoção de novos processos e tecnologias capazes de aumentar a produtividade, reduzir custos, melhorar a eficiência e elevar a qualidade das edificações.

O presidente da CBIC, Eduardo Aroeira, destacou que a industrialização da construção exige uma atuação coordenada entre o setor produtivo e o poder público. Para ele, é necessário criar um ambiente que estimule as empresas a investir em novas tecnologias, processos e equipamentos, especialmente aquelas de médio porte, que podem encontrar maiores dificuldades para realizar os investimentos iniciais necessários à industrialização.

Aroeira ressaltou que a atuação da CBIC junto ao governo federal busca justamente conscientizar o poder público sobre a importância de criar mecanismos de estímulo e benefícios capazes de reduzir as barreiras aos investimentos. Na avaliação do presidente, medidas dessa natureza podem contribuir para que mais empresas tenham condições de iniciar o processo de industrialização, ganhar escala e, posteriormente, reinvestir na ampliação de sua capacidade produtiva.

“A CBIC tem tentado conscientizar o governo federal para que estimule, através de benefícios, esse processo. Isso possibilita que empresas médias consigam fazer investimentos e, sequencialmente, possam reinvestir e ampliar sua capacidade”, apontou. 

Para Luiz Henrique Ceotto, a industrialização precisa ser encarada como uma estratégia para o desenvolvimento e a competitividade do setor, e não apenas como uma alternativa tecnológica. O avanço desse modelo, segundo ele, depende de soluções economicamente viáveis e de uma organização capaz de integrar as diferentes etapas da cadeia produtiva.

O desafio de organizar a produção também esteve no centro do painel. Para que a industrialização avance, é necessário aproximar fabricantes e integrar diferentes elos da cadeia e pela adoção de conceitos de padronização modulada.

“Para evoluir, precisamos respeitar alguns processos. Se tivermos integração com o processo de construção de materiais que permitam à indústria trabalhar com conceitos de padronização modulada, conseguiremos avançar na industrialização”, ressaltou Carlos Henrique Passos.

Nesse contexto, a organização da produção ganha importância estratégica. A adoção de padrões e módulos pode contribuir para facilitar a fabricação de componentes, aumentar a previsibilidade dos processos e criar condições de escala. A mudança exige, além de investimentos em tecnologia e equipamentos, uma revisão da forma como projetos, materiais e etapas construtivas são planejados e executados.

O presidente da Sinduscon-BA, Eduardo Bastos, também destacou iniciativas envolvendo ações de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI). A proposta busca criar mecanismos de cooperação entre empresas e estruturar projetos conjuntos que possam contribuir para o desenvolvimento e a adoção de soluções industrializadas.

Marco Antônio Zoli, diretor de Atacado da Caixa Econômica Federal, destacou o potencial do Minha Casa, Minha Vida como instrumento de geração de escala para a industrialização. A partir da demanda habitacional, o programa pode contribuir para criar condições de mercado que favoreçam a adoção de sistemas e processos industrializados.

“É necessário melhoria no processo de padronização como um todo, de ter critérios técnicos que sejam mensuráveis, e da importância do casamento dos fluxos financeiros. O modelo tradicional já está consolidado, sedimentado e tem toda uma dinâmica de acompanhamento de métodos. Então, o desafio está sendo enfrentado conforme a industrialização avança dentro do modelo construtivo como um todo.”

Para os participantes, a industrialização depende da combinação de diferentes fatores, como padronização, organização da cadeia produtiva, planejamento, desenvolvimento tecnológico, qualificação de mão de obra, financiamento e criação de escala.

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