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AGÊNCIA CBIC

29/08/2023

Artigo – Gestão Compartilhada: transformando gargalos em oportunidades

Ilso de Oliveira é presidente da Comissão de Obras Industriais e Corporativas (COIC) e vice-presidente da área de Obras Industriais e Corporativas da CBIC

Após importantes avanços nas atividades do setor de Engenharia e Construção no ano de 2019, com uma estimativa favorável para o triênio 2020, 2021 e 2022, fomos surpreendidos pela Pandemia de Covid-19. Os efeitos foram sentidos de forma imediata e profunda nas empresas que já vinham se recuperando de uma longa crise desde 2014. Muitos projetos foram paralisados e outros reduziram seu ritmo. A situação político-econômica conturbada agravou ainda mais esse cenário, porém, em meio a todos esses problemas, se analisarmos com serenidade, podemos vislumbrar dias mais promissores para o setor e para o nosso Brasil.

Vejo a oportunidade de convencermos a todos de que a retomada do crescimento deve ser puxada pelo investimento, o que aliás já deveria ter sido adotado em crises anteriores. Acompanhamentos feitos por órgãos e institutos de grande credibilidade demostram, de forma inequívoca, que países com maior taxa de investimento obtêm mais sucesso em seus programas de desenvolvimento e crescimento quando comparados àqueles que destinam um percentual menor de seu PIB para esse fim. Tais estudos demostram também que no ano de 2019, por exemplo, entre 26 países analisados, o Brasil ficou na segunda pior posição em relação a taxa de investimento. Outro aspecto a ser observado é que a Engenharia e Construção cumpre, em todos os casos analisados, um papel de motor que impulsiona os investimentos e o crescimento econômico.

Em nossa realidade, a Construção, além de ser uma grande geradora de empregos, utiliza insumos (materiais e equipamentos) em quase sua totalidade produzidos no Brasil, portanto, a cada nova obra iniciada, gera-se uma movimentação salutar em toda a cadeia produtiva, que é extensa e está apta a responder de imediato às demandas.

Outro ponto importante é o reconhecimento de que nossa infraestrutura é ainda muito deficitária em Saneamento, Ferrovias, Rodovias, Energia, Habitação, Saúde, Portos e Aeroportos, para citar apenas alguns gargalos. Se investirmos nesses setores, além de gerarmos empregos e renda de imediato, atrairemos novos investimentos em outras áreas, pois uma infraestrutura consistente reduz custos operacionais e aumenta a competividade.

Cabe ademais ressaltar a existência de um elevado número de obras paralisadas que consomem recursos, não geram benefícios para a sociedade e estão se deteriorando em função do abandono. Uma análise abrangente feita de forma compartilhada poderá gerar um plano eficaz de redirecionamento e conclusão desses projetos, o qual, se adotado, trará uma contribuição rápida e importante.

É preciso também reconhecer e atuar para implementar transformações que os novos tempos estão nos exigindo, mudanças cada vez mais urgentes. A evolução tecnológica impõe agilidade na tomada de decisão, e vem nos sinalizando a necessidade de uma quebra de paradigmas na forma de se fazer engenharia. O surgimento dessas inovações mostra que o setor busca evolução e eficácia. O uso do BIM (Building Information Modeling) é uma delas. Ao que tudo indica, nos próximos anos, a ferramenta será aliada das empresas do segmento, seja por definição estratégica, seja por imposição do próprio mercado. Essa metodologia já é tema recorrente nos fóruns de debate, por sua capacidade de agregar todas as partes envolvidas no planejamento da construção, fornecendo informações aprofundadas e detalhadas. Além desse, temos ainda muitos outros exemplos, como a possibilidade de utilização de aplicativos para um monitoramento em tempo real do avanço das atividades.

Outro desafio que vem sendo requerido pelo mercado é a necessidade de uma coordenação cuidadosa do planejamento das diferentes disciplinas de um projeto, melhorando a sinergia e a comunicação entre as partes, envolvendo especialistas na eliminação de desperdícios e, acima de tudo, atentando às tecnologias e materiais que estão sendo lançados. Nesse viés, é importante que a Gestão Compartilhada seja colocada em prática.

No Brasil, podemos considerar que o índice de projetos bem-sucedidos em prazo, custo e qualidade é relativamente baixo, girando em torno de 60%, de acordo com pesquisas setoriais. Temos exemplos de países onde tal índice alcança os 85%. Diversos fatores contribuem com esses dados, desde a falta de transparência até a pouca abertura das empresas envolvidas nos projetos para discutir e colaborar de forma imparcial e justa. Isso somado às mudanças frequentes de escopo e à morosidade nos processos de licenciamento dos projetos levam uma parcela considerável dos empreendimentos ao insucesso. Através da Gestão Compartilhada, é possível minimizar esses impactos e auxiliar na correção dessa rota.

Os desafios são muitos e envolvem os mais diversos campos da engenharia em busca de soluções coordenadas e sistematizadas para as questões a serem enfrentadas nos próximos anos. O caminho para o sucesso nessa empreitada é sem dúvida a Gestão Compartilhada, pois aí teremos o pleno engajamento das instituições, das empresas e profissionais que atuam no setor.

*Os artigos divulgados neste espaço são de responsabilidade do autor e não necessariamente correspondem à opinião da entidade.

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