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07/04/2011

Urbanismo no País das Maravilhas

 

07/04/2011 :: Edição 073

Jornal O Estado de S.Paulo/BR   |   07/04/2011

urbanismo no país das maravilhas

João Crestana – O Estado de S.Paulo

Em 1865, o inglês Charles Lutwidge Dodgson – com o pseudônimo de Lewis
Carroll – lançou Alice no País das Maravilhas. Completa de simbolismos, a obra
surreal pode servir de pano de fundo para discutir o urbanismo.

Das criaturas peculiares da história que se desenrola como se fora obra do
teatro do absurdo, o coelho branco diz no início: "Vou chegar
atrasado!". Percebe-se que ele corre atrás de algo que não sabe o que é,
demonstra medo e se transforma, mais adiante, em figura manipuladora, apoiando
a Rainha de Copas, cuja forma de solucionar impasses é exigindo a cabeça dos
opositores.

Se traçarmos um paralelo com aqueles que discutem urbanismo por aqui,
encontraremos coelhos, rainhas e Alices. Uns correndo atrás sabe-se lá do quê,
para depois manipular situações que favoreçam hipócrita parcela da população,
que mora bem e quer manter o sol em seus quintais. "Coelhos" que
esquecem os cidadãos de baixa renda, famintos por dignidade e moradia. Formam-se 30 mil novas famílias por ano
em nossa cidade! É correto preservar o patrimônio histórico e o meio ambiente,
mas temos de garantir vida digna ao homem.

Para construir justiça social é preciso diálogo com todos os cidadãos. Urge
percorrer sem preconceitos os espaços possíveis de aproximação que permeiam o
controverso. Tal atitude demonstra interesse real pela boa ocupação urbana, que
talvez se aperfeiçoe com o "urbanismo no boteco ou cabeleireiro", com
discussões permanentes que formem cultura popular.

Soluções têm de ser conjuntas. Não há espaço para imposição de opiniões e
decisões arbitrárias, tomadas por única autoridade, como a Rainha de Copas.

São Paulo é dispersa, com emprego e moradia
separados por quilômetros, guetos nas periferias, alto consumo de petróleo,
perda de tempo e vitalidade nos longos deslocamentos em carros ou em
balouçantes ônibus. Mobilidade trôpega que polui e reduz a vida da população.
Esse modelo alicerçado no automóvel é do início do capitalismo e está defasado.

Verdade que o Brasil não fez a lição de casa. Passou quase todo o século 20
formando suas cidades, em termos imobiliários, populacionais, ambientais e
políticos. Em 1872, éramos 32 mil pessoas aqui, na Pauliceia. Em 2011, somos 11
milhões – 20 milhões na região metropolitana. São Paulo é o coelho da Alice.

Diante dessa realidade, a solução dos problemas de drenagem, saneamento,
água, mobilidade e habitação ficou para este século. Mas temos de estabelecer
iniciativas concretas de curto, médio e longo prazos até 2050, como defendido
pela atual administração municipal.

Mais ainda: há de se derrubar a lenda urbana que condena a verticalização,
por servir à "especulação imobiliária". Para isso, é necessário
traçar uma equação que privilegie o adensamento com qualidade e os centros
autossustentáveis. Cidade compacta, com moradias,
serviços, áreas de varejo e culturais convivendo em harmonia. Mobilidade urbana
inteligente e moderna, ciclovias, VLTs (os novos bondes), tudo aberto e no
nível do chão. Acessibilidade, vida ao alcance das mãos. Sem
"minhocões" e trilhos elevados, estações futurísticas sobre escadas
recheadas de valetes de copas, grifos e lagartas com cachimbo.

Cidades precisam de visões que as orientem e imagens que as identifiquem.
Quem é São Paulo? Pode ser a cidade dos sonhos, desde que lideranças conscientes
estabeleçam conexões sérias com as reais demandas. Há áreas que devem ser
centros de germinação capazes de impulsionar o desenvolvimento de outras, mudar
a lógica da ocupação e o desenho urbano.

As oportunas operações urbanas Nova Luz e Águas Espraiadas são
indubitavelmente os candidatos imediatos. Mas evitemos construir ali labirintos
de espelhos e tocas de coelhos.

É hora de priorizar a boa ocupação urbana; ouvir, discutir com didática e
desprendimento. Afinal, não se fracassa por planejar, mas se fracassa por não
fazê-lo.

PRESIDENTE DO SECOVI-SP, DA
COMISSÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA IMOBILIÁRIA DA CBIC E REITOR DA UNIVERSIDADE SECOVI


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