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AGÊNCIA CBIC

12/05/2016

Temer terá que anunciar “emergência fiscal”, diz economista, no ENIC

Foto: Guilherme Kardel

“O próximo presidente tem que vir a público dizer que estamos em uma emergência fiscal”. A avaliação é do economista e consultor internacional de negócios, Cláudio Frischtak, que proferiu palestra na manhã desta quinta-feira (12) no 88º ENIC (Encontro Nacional da Indústria de Construção).

O evento, promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), com realização do Sinduscon Paraná-Oeste, acontece em Foz do Iguaçu (PR) e reúne especialistas e representantes da indústria. Nos debates, que envolvem as Comissões Técnicas da CBIC e correalizados com o SENAI Nacional, são discutidas propostas para ajudar o setor e o Brasil a saírem da crise econômica atual.

Para Frischtak, o novo governo de Michel Temer tem a chance de construir as pontes para atrair os investimentos que o Brasil precisa para voltar a crescer. Ele elogiou os nomes que foram apresentados até agora para compor a nova equipe, avaliando que eles são um quadro “razoável” para enfrentar a crise que o país enfrenta. O principal nome na area econômica será Henrique Meirelles. O ex-presidente do Banco Central, comandará o Ministério da Fazenda.

Na avaliação do economista, os grandes desafios do governo Temer serão estabilizar a trajetória da dívida pública, conter a alta do desemprego e retomar o crescimento econômico. Para isso, destacou, precisará já reverter o discurso da presidente afastada Dilma Rousseff, que, na avaliação dele, jamais reconheceu o tamanho da crise nas contas públicas.

Juros baixos

Em sua palestra, no primeiro painel do ENIC, Frischtak enfatizou que o cenário de juros baixos ao redor do mundo traz uma janela de oportunidade para o Brasil atrair investimentos nos próximos anos. “Os juros nas grandes economias são negativos ou muito próximo a zero. Tem uma massa de recursos globalmente disponíveis e perguntando: para onde eu vou?”, avaliou.

Segundo ele, a atração desses recursos para o Brasil depende, prioritariamente, da capacidade do governo de construir perspectivas positivas no médio e longo prazo. “A nossa economia tem perspectivas brilhantes se formos bem governados. Infelizmente, temos sido mal governados”, prosseguiu.

Ciclo de commodities

Se o governo melhorar o cenário fiscal e conseguir fazer reformas importantes para destravar a economia, é possível que nos próximos anos o haja uma nova janela de oportunidades com um novo ciclo de commodities impulsionado pelo crescimento da Índia.

Segundo Frischtak, a Índia deve viver, em cerca de dez anos, situação semelhante à vivida pela China ao longo da primeira década dos anos 2000, com explosão na procura por alimentos e recursos minerais.

“Nada muito cedo, mas para aproveitar essa cena, teremos de fazer a lição de casa”, frisou. Para ele, o cenário internacional não será tão “brilhante” como no passado recente, mas “poderemos tirar proveito”.

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