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23/11/2012

Tão verdes quanto as grandes

"Cbic"
23/11/2012

Revista Exame/BR

Tão verdes quanto as grandes

A maioria das pequenas e médias empresas desenvolve ações sustentáveis deforma pontual. Mas os bons exemplos mostram que, seja qual for o tamanho da companhia, é possível incorporar a sustentabilidade na estratégia de negócios.
 PARTE da estratégia de negócios de um número crescente de corporações, a sustentabilidade é um tema que, aos poucos, começa a fazer parte do dia a dia também das pequenas e médias empresas. Uma pesquisa realizada neste ano pelo SEBRAE revela que, de uma amostra de 3 900 companhias, 70% fazem coleta seletiva de lixo, 72% controlam o consumo de papel, 81% evitam o desperdício de água e 82% adotam medidas para economizar energia. Na maioria dos casos, essas ações são adotadas de forma pontual, desvinculadas de um plano de negócios, mas, aos poucos, aumentam os casos de empresários que tratam a sustentabilidade como fator de diferenciação e competitividade. Segundo a pesquisa do Sebrae, 46% dos entrevistados identificam "oportunidades de ganhos" com as práticas sustentáveis.
 Sem a estrutura de uma grande corporação – com seus profissionais especializados em sustentabilidade -, as pequenas e médias empresas se viram como podem. Muitas vezes, a iniciativa depende da inspiração e da liderança do próprio dono do negócio. Isso não deixa de ser uma vantagem, já que o sucesso da implantação de uma política de sustentabilidade decorre, muitas vezes, do engajamento da cúpula da organização. Numa empresa menor, esse processo é mais fácil. Os exemplos mais bem-sucedidos de pequenas e médias empresas sustentáveis são daquelas comandadas por empreendedores engajados nas questões ambientais e capazes de mobilizar os funcionários em torno de suas ideias.
 E esse o perfil do empresário Gilberto Meirelles, de 45 anos, dono da Estação Resgate, empresa de São Paulo que recicla o entulho da construção civil e o transforma em matéria-prima que é utilizada novamente nas obras. Antes de criar esse negócio, em 2009, Meirelles, que é formado em administração, trabalhou durante três anos na Amazônia, numa entidade cujo objetivo é preservar a biodiversidade da região. De volta a São Paulo, onde nasceu Meirelles percebeu que não conseguiria trabalhar de outra forma. "Só poderia ser em algo que tivesse a sustentabilidade na essência do negócio", afirma. Surgiu, assim, a Estação Resgate. A empresa recebe das obras caçambas de entulho que normalmente seria despejado nos aterros sanitários. O material é separado e peneirado e retorna ao mercado em forma de areia, pedra e pedriscos, usados na fabricação de blocos e em pavimentação. "Com esse processo, conseguimos reaproveitar 80% do entulho", diz Meirelles.
 A  Estação Resgate já nasceu "verde", mas a maioria das empresas começa a adotar práticas sustentáveis aos poucos, seja porque percebe a importância dessas ações para o futuro dos negócios, seja porque "pega bem" – na pesquisa do Sebrae, 79% das empresas disseram acreditar que as ações relacionadas ao meio ambiente ajudam a melhorar sua imagem no mercado. Seja qual for o motivo, a decisão de incorporar a sustentabilidade ao negócio pode representar uma guinada na empresa. A Lepri, de Tambaú, no interior de São Paulo, foi fundada na década de 70. Em 2005, passou a usar como matéria-prima resíduos de vidro de lâmpadas fluorescentes – material que, até poucos anos atrás, era raramente reaproveitado. "Em nossas viagens ao exterior, percebemos que essa era uma nova tendência", diz José Lepri Neto, de 60 anos, fundador da empresa. Hoje, 99% dos revestimentos e pisos da Lepri são ecologicamente corretos.
 No mundo das pequenas e médias empresas, é comum que boas ideias fiquem adormecidas na gaveta pela dificuldade de colocá-las em prática. No caso da Tecverde, de Curitiba, primeira empresa no país dedicada exclusivamente à construção de casas "verdes", o maior desafio era convencer os bancos a financiar suas casas, feitas com estruturas de madeira de pinus oriundo de florestas plantadas e certificadas. Por um golpe do acaso, o engenheiro civil Caio Bonatto, de 26 anos, um dos sócios da Tecverde, sentou ao lado do superintendente de negócios do banco Santander em um evento. "Expliquei a ele que nossas casas são tão seguras e duráveis quanto às demais construções", diz Bonatto. "O banco comprou nossa ideia e, trabalhando juntos, conseguimos alterar a regulamentação nacional de financiamento de casas que usam madeira em suas estruturas." A mudança permitiu à Tecverde entrar no mercado imobiliário nas mesmas condições de outras incorporadoras. Suas casas podem ser financiadas em até 30 anos, tempo máximo permitido atualmente pela legislação.
 Para quem não tem a mesma sorte da Tecverde, uma saída para viabilizar uma idéia sustentável pode ser buscar o apoio de parceiros. Foi o que fez o empresário Giorgio Zanlorenzi, de 38 anos, presidente da vinícola Famiglia Zanlorenzi, de Campo Largo, também no Paraná. Em razão do pequeno número de fabricantes, o mercado de suco de uva no Brasil usa garrafas padronizadas – não há mais do que três modelos no mercado. Mas Zanlorenzi tinha uma obsessão: criar uma garrafa que causasse menos impacto ao meio ambiente. O empresário fez a sugestão à americana Owens-Illinois, maior fabricante de embalagens de vidro do mundo, que aceitou o desafio. "Eles criaram uma garrafa mais ergonômica, que usa 7% menos matéria-prima e é 7% mais leve do que as convencionais", diz Zanlorenzi. "Essa pequena redução no peso permitiu acomodar 60 caixas a mais em uma carreta, aumentando a produtividade no transporte e reduzindo a emissão de C0 2 ."
 Ter uma pequena ou média empresa e ser sustentável no Brasil ainda custa caro. "Na maioria das vezes, os funcionários não têm familiaridade com o tema. A estrutura é enxuta e falta mão de obra especializada", diz Ismael Rocha, coordenador da ESPM Social, entidade ligada à Escola Superior de Propaganda e Marketing que desenvolve projetos de sustentabilidade. Outro
 Ponto crítico é que muitas pequenas e médias empresas atuam como fornecedoras de grandes empresas que exigem conduta responsável, mas não oferecem ferramentas ou incentivos para a adoção de práticas sustentáveis. "Na prática, não há parceria real dentro da cadeia", diz Rocha. Apesar dos desafios, os casos de Estação Resgate, Lepri, Te- cverde e Famiglia Zanlorenzi mostram que a sustentabilidade é muito mais que uma simples questão de imagem.
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 ENTULHO
 Todos os dias, somente na cidade de São Paulo, são geradas 18 000 toneladas de entulho nas obras de construção civil. De olho nesse material, o empresário Gilberto Meirelles (foto) criou em 2009 a Estação Resgate, empresa especializada  em reciclar entulho para  produzir areia e pedra que  são aproveitadas em obras.  O negócio está dando tão certo que Meirelles já abriu quatro filiais em outras cidades. Entre seus principais clientes estão as construtoras Camargo Corrêa, Odebrecht e Racional.
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 GARRAFAS
 A vinícola Famiglia Zanlorenzi, de Campo Largo, no Paraná, reformulou em 2011 suas garrafas de suco para dar-lhes características sustentáveis. Em parceria com a fabricante de vidros Owens-Illinois, criou uma garrafa 7% mais leve do que as convencionais, o que significa menos gastos no transporte. "Adotamos práticas sustentáveis não só pelos ganhos econômicos, mas, principalmente, para ajudar a preservar a natureza", diz Giorgio Zanlorenzi (foto), presidente da empresa.
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 VIDROS
 Se jogado no lixo, o vidro da lâmpada fluorescente demora mais de 200 anos para ser absorvido pela natureza.  A empresa Lepri, de Tambaú, no interior paulista, decidiu usar esse material na fabricação de pisos e revestimentos.  "Fomos pioneiros na produção de cerâmicas ecológicas no país com o reaproveitamento de vidro reciclado de lâmpadas fluorescentes", diz José Lepri Neto (foto), dono da empresa.  "Para nós, isso é um fator de diferenciação no mercado."
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 Segundo uma pesquisa do SEBRAE, 79% dos entrevistados acreditam que as ações relacionadas ao meio ambiente ajudam a melhorar a imagem da empresa no mercado.
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 Com uma estrutura enxuta e pouca mão de obra especializada em sustentabilidade, buscar parcerias com outras empresas pode ser uma saída.

 

 








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