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AGÊNCIA CBIC

08/10/2026

Semana CANPAT Construção: painel debate prevenção de soterramentos e gestão de riscos em escavações  

A prevenção de soterramentos em obras exige planejamento, conhecimento técnico e acompanhamento permanente das condições do solo. O tema foi discutido nesta quinta-feira (8), durante o painel “Prevenção de Soterramentos: Estabilidade de Escavações, Confinamento e Gestão de Riscos no Subsolo”, realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) como parte da Semana CANPAT Construção 2026. 

Mediado por José Bassili, gerente de Segurança Ocupacional no Seconci-SP, o painel contou com a participação de Jomar Lima, auditor fiscal do Trabalho no Pará. O debate abordou as principais causas de acidentes, parâmetros técnicos para estabilidade e escoramento de escavações, análise preliminar de riscos (APR) e os requisitos das NRs 18 e 22. 

Bassili destacou que, apesar dos avanços tecnológicos e normativos na área de segurança do trabalho, os soterramentos continuam entre os acidentes mais graves da construção. “Não estamos falando só de NR18, NR22 ou NR33, estamos falando de vidas presas debaixo da terra, falta de planejamento, por excesso de confiança e por achar que vai ser rapidinho”, afirmou. 

Segundo o gerente, uma escavação aparentemente simples pode se tornar uma situação de alto risco em poucos segundos. Ele ressaltou ainda que a prevenção começa antes da entrada do trabalhador na área, com planejamento, avaliação das condições do local e adoção das medidas de proteção necessárias. 

Monitoramento deve ser contínuo 

Jomar Lima chamou atenção para a necessidade de incorporar uma visão mais ampla de gestão de riscos nas atividades da construção. Ao abordar a evolução da NR 18 e a adoção do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), destacou que o modelo amplia a análise das condições de trabalho. “O PGR trouxe outros conceitos que a gente precisa incorporar”, afirmou. 

O auditor também ressaltou que as condições de uma escavação podem mudar ao longo do trabalho, exigindo acompanhamento constante. A presença de água, por exemplo, pode enfraquecer o solo e aumentar o risco de desmoronamento. Além disso, devem ser observadas possíveis interferências no entorno, como edificações, postes e outras estruturas próximas. 

“Todo o trabalho tem que ser revisionado diariamente”, afirmou. Segundo Lima, não basta elaborar o projeto e liberar a atividade. É necessário acompanhar as condições reais encontradas no local e reavaliar os riscos sempre que houver mudanças. 

Tecnologia como aliada 

Durante o painel, Lima também destacou o papel da evolução tecnológica na redução da exposição dos trabalhadores a atividades de maior risco. Segundo ele, novas soluções podem substituir métodos mais antigos e ampliar a segurança em determinadas operações. 

“Hoje nós temos uma infinidade de novas tecnologias, por isso que eu falei desde o início, a tecnologia que vai acabando com essas atividades longas assim, arcaicas”, afirmou. 

O auditor citou ainda situações envolvendo tubulões e trabalhos em espaços confinados, ressaltando a necessidade de avaliar as condições específicas de cada atividade e buscar soluções tecnológicas quando disponíveis. Para os participantes, o conhecimento técnico, o planejamento e a gestão permanente dos riscos são fundamentais para evitar que falhas nas etapas de preparação e execução resultem em acidentes graves. 

Assista na íntegra.   

O tema tem interface com o projeto “Monitoramento de dados de Saúde e Segurança no Trabalho e Relações Trabalhistas e iniciativas de prevenção de acidentes e valorização do trabalhador”, da Comissão de Política de Relações Trabalhistas (CPRT) da CBIC, em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi). 

 

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