AGÊNCIA CBIC
Semana CANPAT Construção 2026: painel alerta para riscos e reforça importância do planejamento das instalações elétricas nos canteiros
A importância do planejamento e da adoção de medidas de segurança nas instalações elétricas dos canteiros de obras foi destaque do segundo dia da Semana CANPAT Construção 2026, realizada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por meio da Comissão de Política de Relações Trabalhistas (CPRT). Nesta terça-feira (6), o painel “Sistemas Elétricos em Canteiros: Boas Práticas e Requisitos Normativos” abordou os principais cuidados para prevenção de acidentes e a aplicação das Normas Regulamentadoras nº 10 (NR-10) e nº 18 (NR-18).
O debate foi mediado por Andreia Kaucher, engenheira de Segurança e supervisora do Departamento de Segurança do Trabalho do SECONCI-MG, e contou com a participação de Elaine Castilho, auditora fiscal do Trabalho no Rio de Janeiro.
Na abertura, Andreia destacou que a eletricidade exige atenção permanente nos canteiros. “A eletricidade é inodora, não tem cheiro, não tem cor”, afirmou. Segundo ela, embora o tema já seja amplamente discutido no setor, é necessário continuar disseminando informações para reduzir os riscos e prevenir acidentes.
Durante a apresentação, Elaine Castilho chamou atenção para a gravidade dos acidentes de origem elétrica. Segundo dados do Anuário Estatístico da Abracopel apresentados pela auditora, em 2024 foram registrados 2.364 acidentes de origem elétrica no Brasil, que resultaram em 840 mortes. Entre os casos relacionados a choque elétrico, foram registradas 759 mortes.
No recorte relacionado à construção, Elaine destacou a elevada letalidade dos acidentes envolvendo eletricidade. De acordo com os dados apresentados, foram registrados 167 acidentes com eletricistas ou profissionais da construção, dos quais 86 resultaram em mortes.
Para a auditora, o primeiro passo para reduzir esses números é o planejamento. “A gente precisa planejar antes de executar. É o planejamento e a elaboração dos projetos elétricos”, afirmou.
Elaine explicou que a NR-18 estabelece a necessidade de projeto elétrico das instalações temporárias, elaborado por profissional legalmente habilitado. A norma também determina que essas instalações sejam executadas e mantidas de acordo com o projeto. A execução das instalações elétricas temporárias deve ainda atender às disposições da NR-10.
Improvisações ainda são encontradas nos canteiros
Entre os principais problemas identificados pela fiscalização estão condutores instalados em locais de circulação de pessoas e equipamentos, conexões e derivações improvisadas, quadros de distribuição inadequados, fiação sem proteção adequada e falta de organização das instalações.
Segundo Elaine, o fato de uma instalação funcionar não significa que ela seja segura. “Mas não é porque o equipamento funcionar que isso daí tá seguro, pelo contrário”, alertou.
A auditora também destacou os riscos associados aos chamados “improvisos” ou “gambiarras”, que podem expor trabalhadores a choques elétricos e outros acidentes. Quadros de madeira, por exemplo, estão em desacordo com os requisitos apresentados durante o painel.
Outro ponto abordado foi a necessidade de os projetos acompanharem a evolução da obra. Elaine ressaltou que o canteiro é dinâmico e que as instalações precisam ser revistas à medida que surgem novas demandas. Caso contrário, a ampliação das necessidades de energia pode levar a adaptações inadequadas dos quadros e das instalações.
“A obra é uma coisa viva, então a gente precisa estar sempre revisando”, afirmou.
Normas e medidas de proteção
Durante o painel, Elaine detalhou ainda requisitos previstos na NR-18 para as instalações elétricas dos canteiros, incluindo a necessidade de projeto, aterramento, inspeções e medições periódicas, além de quadros dimensionados e organizados de acordo com as necessidades da obra.
A utilização do dispositivo diferencial residual (DR) também foi destacada como medida adicional de segurança. A auditora ressaltou a importância do equipamento especialmente em situações envolvendo áreas molhadas e equipamentos utilizados nos canteiros.
Outro alerta foi relacionado aos quadros de distribuição. Além de adequados às condições do ambiente, eles devem permanecer fechados, identificados, sinalizados e com acesso desobstruído e espaço suficiente para a realização de serviços e operações pelos trabalhadores autorizados.
Ao longo da apresentação, a auditora mostrou exemplos de situações encontradas em fiscalizações e de soluções adequadas, reforçando a importância de aplicar as normas técnicas desde o planejamento e durante toda a execução da obra.
Para Elaine, a adoção das medidas de segurança precisa acompanhar o avanço tecnológico do setor. “Para que a tecnologia realmente cumpra o seu papel, a gente precisa de uma base, que é a base da elétrica segura”, afirmou.
O tema tem interface com o projeto “Monitoramento de dados de Saúde e Segurança no Trabalho e Relações Trabalhistas e iniciativas de prevenção de acidentes e valorização do trabalhador”, da Comissão de Política de Relações Trabalhistas (CPRT) da CBIC, em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi).





















































































