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13/11/2014

Sem caixa, indústria pode parcelar salário extra

"Cbic"
13/11/204

Folha de S. Paulo

Sem caixa, indústria pode parcelar salário extra

Empresário afirma que usará o próprio dinheiro para pagamento

Fabricantes admitem que, sem recursos, podem negociar prazo maior com sindicatos de trabalhadores

A maior dificuldade para provisionar recursos para pagar o 13º está em indústrias dos setores de máquinas, elétrico e eletrônico, têxteis, cadeia automotiva e construção civil, segundo entidades empresariais e de trabalhadores.

Mais endividadas e com quedas de até 50% no faturamento, parte das empresas deve negociar com sindicatos o parcelamento do 13º ou recorrer a crédito nos bancos.

A Serasa Experian registrou 3,5 milhões de empresas inadimplentes em julho, maior volume já visto no setor produtivo. Um terço delas está no Estado de São Paulo.

"É o pior ano em duas décadas para o nosso setor", diz o empresário Mauricio Colin, sócio da Daicast, fornecedora de peças para a cadeia automotiva, de Guarulhos.

Após queimar reservas para enfrentar a queda de 35% a 50% nas vendas no ano, ele afirma que recorrerá ao banco para quitar o 13° de cem empregados. Eram 157 em janeiro, mas, como as vendas de carros e as exportações para a Argentina despencaram, a empresa precisou "ajustar".

A SMV, fabricante de válvulas para o setor sucroalcooleiro e o de saneamento, espera fechar um contrato de exportação para aumentar o caixa. "Se não fechar, teremos de negociar com o sindicato um prazo maior para pagar aos trabalhadores", diz o dono, Erfides Bortolazzo.

"São três folhas de pagamento nessa época: dezembro, 13º e férias. Sem contar que o crédito encareceu com a alta de juros", diz Carlos Pastoriza, presidente da Abimaq, entidade que reúne fabricantes de máquinas.

Oito em cada dez indústrias citaram na pesquisa da Fiesp crédito mais caro ou muito mais caro neste ano nas linhas para pagar 13°.

DINHEIRO DO BOLSO 

 Com a queda de até 30% nas encomendas, a Gisamar, fornecedora de peças para os setores eletroeletrônico e automotivo, também enfrenta dificuldades. Hoje são 48 empregados; eram 75 há um ano.

"Não vou recorrer a banco para não fazer mais dívida. Devo usar recursos próprios porque os trabalhadores não podem ser punidos", diz Dourival Biasia, sócio da empresa e responsável pelas negociações trabalhistas.

No setor têxtil, as pequenas devem sofrer maior impacto. "É a terceira queda que o setor enfrenta em quatro anos", diz Fernando Pimentel, superintendente da Abit, que reúne 78 mil fabricantes.

Na construção civil, a preocupação em não receber o 13º já chegou aos trabalhadores.

"Estão preocupados se vão ficar sem esse direito. Muitas empreiteiras têm demonstrado preocupação para pagar a primeira parcela", diz Antonio de Sousa Ramalho, do sindicato da categoria.

O Sinduscon-SP (sindicato da indústria da construção) informou que as empresas não relataram problemas de pagamento.

CLAUDIA ROLLI DE SÃO PAULO



"Cbic"

 

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