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05/09/2011

Reflexões sobre a sustentabilidade na cadeia produtiva da Construção Civil em São Paulo por Luiz Roberto de Campos Jacintho*

"Cbic"
05/09/2011 :: Edição 172

 

Revista Sustentabilidade – Online/BR 03/09/2011
 

Reflexões sobre a sustentabilidade na cadeia produtiva da Construção Civil em São Paulo por Luiz Roberto de Campos Jacintho*

A dinâmica urbana de "Sampa" foi explicada com precisão e lirismo por Caetano Veloso no verso "a força da grana que ergue e destrói coisas belas". De fato a indústria da construção civil tem sido um dos principais propulsores do insustentável desenvolvimento urbano da metrópole paulistana, desde meados do século 20, até agora.
 Por outro lado, é inegável sua importância na sustentação do atual modelo econômico, gerando atualmente, segundo o SindusCon-SP, mais de 600.000 empregos no Estado de São Paulo, sendo que mais da metade estão concentrados na Grande São Paulo.
 Ainda que sofra os impactos da crise econômica mundial, o setor tem reagido, contando com a evolução do montante de unidades financiadas pelo Sistema Financeiro da Habitação – SFH.
 Analisando seu comportamento no tocante à modernização das tecnologias, especialmente àquelas voltadas para o aumento da eficiência no uso dos recursos naturais e na responsabilidade socioambiental é notável, por exemplo, o grande número de empresas que buscam a certificação segundo as normas de Gestão Ambiental, da série ISO 14.000.
 Infelizmente tais iniciativas ficam bastante prejudicadas, pois a cadeia produtiva da indústria da construção civil depende essencialmente de materiais cuja exploração ainda se baseia em métodos pouco eficientes, que empregam tecnologias muitas vezes rudimentares, e de grande impacto ambiental: os agregados da construção civil (areia e brita) e a madeira.
 Acompanhando o processo de crescimento desordenado das cidades brasileiras, o mercado de agregados se ampliou vertiginosamente entre 1988 e 2000, quando a produção de areia aumentou 4,4 vezes, enquanto a de brita subiu mais de 1,5 vezes.1 A Grande São Paulo é o maior mercado consumidor do país, respondendo por mais de 18% de todo o consumo brasileiro de areia e brita, no ano de 2005. Para o mesmo ano as estimativas são de um consumo per capita de 3,62 t/hab, no Estado de São Paulo. 2
 Como o transporte responde por 2/3 do preço final da areia e 1/3 do preço da brita, a viabilidade econômica da exploração fica, portanto limitada às jazidas próximas dos centros consumidores. É também gravíssima a questão da informalidade na extração, onde os índices superam os 55%.3
 As empresas do setor carregam, de fato, um estigma negativo em virtude da má impressão causada pelas expressivas alterações que as pedreiras e portos de areia provocam na paisagem. Para as imediações da Grande São Paulo a situação se extrema, pois as minerações ativas se encontram em locais onde o conflito com a proteção ambiental é flagrante: áreas de proteção de mananciais, entorno de unidades de conservação ou proximidade de bairros periféricos.
 Muito comum nos textos produzidos pelo setor produtivo de agregados, são as reclamações relativas às restrições ambientais, além das menções ás dificuldades que tais restrições causam ao desenvolvimento da produção. É considerável também sua mobilização política no sentido da flexibilização da legislação ambiental: em São Paulo, por exemplo, foi organizada a Frente Parlamentar de Apoio à Mineração, junto à Assembléia Legislativa.
 Embora se perceba a adoção de um discurso de modernização, o setor ainda depende de muita pesquisa, investimento, desenvolvimento e fiscalização, para atingir um nível razoável de qualidade ambiental na exploração.
 Para a madeira a situação não é diferente. Estima-se que até 80% de toda a produção da região amazônica seja de origem ilegal sendo que, em média, 75% do total produzido no Brasil é consumido no mercado interno, com destaque para o estado de São Paulo, que "devora" cerca de 15% da madeira extraída da Amazônia.4
 A exploração madeireira, ainda muito dependente do extrativismo predatório, também tem buscado sua modernização. Nesse caso, apesar de incipientes, surgem exemplos de empresas com exploração através do manejo florestal sustentado.
 Outro fator relevante para a questão do uso de recursos naturais na construção civil é o desperdício. Apesar da atuação das entidades do setor no combate às perdas, os dados são ainda bem alarmantes. Para os materiais básicos que incluem areia e pedra, a média foi além dos 70%, em ampla pesquisa publicada em 1998!!5 Dada a aparente pouca disponibilidade de indicadores atualizados, convidamos os interessados a pesquisarem e divulgarem estudos sérios e consistentes sobre o assunto.
 É lamentável que boa parte dos materiais essenciais à cadeia produtiva da construção civil seja oriunda de fontes ilegais, cause significativos impactos e sejam desperdiçados nos canteiros de obras. A responsabilidade é certamente de todos os envolvidos, desde os técnicos e empresários ligados à extração, até àqueles ligados à indústria da construção civil, bem como o poder público responsável pelo controle das atividades.
 Uma política que conduza à formação de uma cadeia produtiva baseada na responsabilidade socioambiental é urgente. Tal cadeia deve se basear em sistemas de "compras responsáveis"6, visando a redução da informalidade. Porém, com base nos números citados acima, parece bem difícil o equacionamento da questão, cabendo uma provocação: Será possível sustentar o padrão de desenvolvimento urbano paulistano, caso a informalidade na produção de agregados e madeira seja extinta?
"Cbic"

 

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