AGÊNCIA CBIC
Quintas da CBIC debate importância do uso de dados e indicadores para decisões estratégicas na construção civil
Em um setor cada vez mais competitivo e orientado pela tecnologia, a capacidade de transformar dados em decisões estratégicas é o que diferencia as empresas que crescem das que apenas acompanham o mercado. Esse foi o ponto central da edição desta quinta-feira (9) do Quintas da CBIC, que abordou o tema “Como usar indicadores de mercado para tomar boas decisões no planejamento”.
O encontro, promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), reuniu José Carlos Martins, presidente do Conselho Consultivo da entidade, e Gabriela Torres, gerente de Inteligência Estratégica do Ecossistema Sienge, para discutir como a leitura e a interpretação de informações de mercado podem orientar o planejamento e impulsionar a competitividade das construtoras e incorporadoras.
Martins abriu o debate destacando a importância de uma cultura de gestão baseada em informação de qualidade. “Às vezes as pessoas acham que comprar tecnologia resolve. Se a informação que está sendo usada não for correta, o resultado não aparece”, afirmou. Ele reforçou que a inteligência de dados é decisiva para o sucesso de qualquer empreendimento. “As empresas que não compreenderem o valor da informação vão ficar para trás. O mercado cresce para quem entende o mercado”, completou.
Gabriela Torres ressaltou que o uso estratégico de indicadores é essencial para decisões mais embasadas e eficientes. “Seria muito bom se as construtoras levassem o dado de produtividade e de operação tão a sério quanto levam o dado de projeto. Muitas vezes o setor ainda não se preocupa tanto com a qualidade da informação de mercado”, observou.
A executiva apresentou dois instrumentos desenvolvidos em parceria com a CBIC e parceiros do Ecossistema Sienge: o Índice de Demanda Imobiliária (IDI), elaborado com metodologia do Grupo Prospecta, e o Índice de Preço de Materiais de Construção (IPMC), desenvolvido com a Cica Rev Consultoria.
Segundo ela, o IDI analisa 77 cidades brasileiras e permite identificar regiões com maior potencial de absorção de novos empreendimentos. “A ideia é inverter o olhar do mercado. Em vez de ver apenas onde há lançamentos, o indicador mostra onde há, de fato, demanda, onde as pessoas estão buscando imóveis e onde há espaço para crescer”, explicou.
Martins destacou a utilidade prática desses dados. “Quando olhamos o IDI, percebemos que cidades com planos diretores mais restritivos, como Curitiba, têm dificuldade de ofertar habitação popular, enquanto outras, como Belém, revelam oportunidades que estavam escondidas”, pontuou.
Já o IPMC, apresentado por Gabriela, mede mensalmente a inflação dos principais insumos da construção civil, como aço, cimento, tinta, argamassa e fio de cobre, a partir de mais de 2 milhões de notas fiscais processadas por ano. “É uma forma de acompanhar a variação real dos custos e entender se estamos em um momento de alta ou de baixa, o que ajuda as empresas a planejar compras e contratos com mais segurança”, destacou.
De acordo com a executiva, o objetivo é que os dois indicadores acompanhem toda a jornada das construtoras, desde a viabilidade até o planejamento da obra. “O IDI entra na etapa inicial, ajudando na decisão de onde investir, e o IPMC auxilia no planejamento e na compra de materiais, oferecendo uma visão de mercado mais ampla e realista”, afirmou.
Ao encerrar o debate, José Carlos Martins ressaltou que o fortalecimento da cultura de dados é fundamental para o amadurecimento do setor. “Quanto mais informação de qualidade tivermos, mais formal, competitivo e robusto será o mercado da construção. Estamos dando passos importantes para transformar dados em crescimento”, concluiu.
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