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14/01/2011

Pequenas construtoras são maioria no programa

14/01/2011 :: Edição 044

Jornal do Commercio RJ/RJ|   14/01/2011
Pequenas construtoras são maioria no programa

VIVIAN PEREIRA DA AGÊNCIA REUTERS

 As grandes empresas do setor imobiliário não ocuparam os holofotes na primeira edição do programa Minha Casa, Minha Vida. Se considerado o balanço do projeto apresentado pelo governo federal no fim de 2010, foram as construtoras pequenas e médias que abocanharam a maior parcela de imóveis contratados. Um ano e oito meses após seu lançamento, o programa alcançou a meta a que se propôs: contratar 1 milhão de moradias até o final de 2010. Em 29 de dezembro, o governo anunciou terem sido contratadas 1 milhão e 3 mil unidades habitacionais. O ritmo de contratações, no entanto, ganhou corpo na reta final, acompanhando a sazonalidade do setor, que costuma concentrar maior número de lançamentos no segundo semestre. Até a primeira semana de outubro do ano passado, o programa havia contratado perto de 680 mil unidades por meio da Caixa Econômica Federal. Desse total, MRV Engenharia, Cyrela Brazil Realty e Rodobens três empresas de capital aberto com participação no Minha Casa, Minha Vida contrataram, juntas, cerca de 13% das unidades.

 Conforme números apurados pelas companhias até 30 de setembro, a MRV teve 39,3 mil unidades contratadas dentro do programa, o equivalente a pouco menos de 6% do total até a data. A Cyrela Brazil Realty, por meio da Living braço voltado para baixa renda -, contratou 33,4 mil (quase 5%), enquanto a Rodobens teve 15,7 mil moradias contratadas (2,3%). Outras grandes companhias do setor imobiliário com ações na Bovespa procuradas pela Reuters não forneceram dados. Para o presidente do SindusCon-SP, Sergio Watanabe, a participação de todas incorporadoras e construtoras listadas na Bovespa deve ter sido da ordem de 20% no programa. Pesou contra as companhias maiores fatores como ausência em regiões com alto índice de déficit habitacional, como o Nordeste, e a pouca experiência em obras no segmento econômico. "É normal que empresas listadas não tenham muita participação no programa. Quase nenhuma operava no segmento de baixa renda", observa o analista André Rocha, do Bradesco.

 A MRV, que já atuava na baixa renda, afirma ter sido a empresa com maior número de contratações dentro do programa. Para o analista do Bradesco, a MRV pode realmente ter sido a mais beneficiada, por já possuir bom relacionamento com a Caixa, agente financeiro que patrocina os financiamentos no âmbito do programa. No início de 2010, a MRV implantou o projeto Correspondente Imobiliário junto à Caixa, buscando acelerar a conclusão dos processos de empréstimos imobiliários. Com isso, a própria construtora cadastra e realiza o processo de aprovação de crédito de potenciais clientes. À Caixa, cabe a conferência de dados e a aprovação do financiamento.

O PROGRAMA

O Minha Casa, Minha Vida foi lançado pelo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final de março de 2009, com subsídios da ordem de R$ 34 bilhões. O programa voltado à famílias com renda de até 10 salários mínimos foi apresentado em meio à crise econômica global, com intuito de reduzir o déficit habitacional do País e também fortalecer a economia e gerar empregos.

 Um ano depois, em março de 2010, ainda com a primeira etapa em curso, foi anunciado o Minha Casa, Minha Vida 2, com previsão de 2 milhões de moradias contratadas até 2014 e subsídios do governo acima de R$ 70 bilhões. Embora as grandes construtoras não tenham apresentado participação expressiva no programa, elas se viram incentivadas a realizar fusões e aquisições. "A maioria não tinha experiência em obras de baixa renda e incorporou empresas nesse segmento", diz Watanabe, do Sinduscon-SP. Desde o lançamento do programa, a Gafisa incorporou a Tenda, a PDG Realty adquiriu a Agre e a Rossi firmou diversas parcerias regionais. Agentes do setor acreditam, contudo, que o aprendizado das companhias de capital aberto do setor durante a primeira fase do projeto não deve resultar em aumento expressivo de participação nas contratações da segunda etapa. "Houve aprendizado entre as grandes empresas, mas as médias devem continuar dominando.

 Por outro lado, parcerias regionais entre empresas devem aumentar, algo fundamental dentro do programa", afirma a economista da FGV Projetos, divisão da Fundação Getulio Vargas, Ana Maria Castelo. Para a segunda fase do programa, especialistas apontam como necessária a revisão dos valores dos imóveis, principalmente se considerado o fato de que a população que ganha até três salários mínimos será contemplada com 60% das unidades previstas, ou 1,2 milhão de moradias. "As empresas estão contando com o aumento do preço-teto. A própria MRV está tendo dificuldade para enquadrar imóveis no programa. Esse aumento de preço é fundamental principalmente nas regiões metropolitanas", comenta Rocha, do Bradesco. "Com valor adequado, o mercado pode produzir mais para essa faixa (de renda)", acrescenta Ana Maria.

DA AGÊNCIA REUTERS

Uma em cada quatro moradias contratadas dentro da primeira edição do programa do governo federal Minha Casa,Minha Vida foi entregue até o fim de 2010. Do total de 1 milhão e 3 mil unidades contratadas de abril de 2009 a dezembro do ano passado,247.257 habitações foram entregues, conforme dados da Caixa Econômica Federal.Diante dos números,a expectativa é que a primeira fase do programa seja completamente concluída em 2012.No último dia 29,o governo divulgou o balanço do Minha Casa,mas não detalhou quantas das unidades contratadas haviam sido concluídas e entregues.

 "Vender é mais fácil que executar.Imóvel não é commodity e muitos desconhecem o processo construtivo", disse o presidente do SindusCon-SP,sindicato da construção civil,Sergio Watanabe. Além do ciclo longo,a construção civil enfrenta gargalos burocráticos para aprovações e contratações antes do início efetivo da obra.

Atualmente,o ciclo do setor vai de 12 a 24 meses, sem contar o período para regularização do imóvel, que pode chegar a 90 dias. "O governo divulgou só os grandes números,ainda sem dados detalhados.Em linhas gerais,o programa foi positivo por trazer nova dinâmica ao setor,o que deve se perpetuar",afirmou a economista da FGV Projetos,divisão da Fundação Getulio Vargas,Ana Maria Castelo. Conforme estimativas do SindusCon-SP,as entregas do total de unidades contratadas na primeira etapa do programa devem ser finalizadas em 2012,sendo que o maior volume ficará concentrado no último ano.

 "Entregar mais de 200 mil unidades (até o fim de 2010) não é pouca coisa.Está dentro da normalidade se considerados os gargalos do setor",disse Watanabe. A principal questão envolvendo metas,na visão do presidente do sindicato,está voltada às cotas que cada município tinha de contratar para a população que ganha até três salários mínimos."Nas grandes cidades,a meta para essa faixa de renda não foi cumprida,principalmente pelos valores estipulados para os imóveis,somados à escassez de terrenos adequados para construção",afirmou o presidente do SindusCon-SP.

Segundo Watanabe,o município de São Paulo,por exemplo,tinha cota de 75 mil unidades a contratar na etapa pioneira do programa,mas provavelmente não fez nem 20 mil até três salários."São Paulo é,hoje,a cidade com maior déficit habitacional nominal do Ppaís".Na capital paulista, o valor do imóvel estipulado pelo governo para essa faixa de renda é de R$ 52 mil.

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