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28/04/2011

Para dar abrigo

 

 
28/04/2011 :: Edição 086

Jornal Correio Braziliense/BR – 28/04/2011
para dar abrigo

Pesquisadora da Unicamp desenvolve projeto de casa modular que pode ser
montada rapidamente com o objetivo de ajudar pessoas desalojadas devido a
desastres naturais

Silvia Pacheco

Perto de 200 municípios, em 11 estados brasileiros, estão em situação de
emergência ou em estado de calamidade pública, em decorrência das fortes chuvas
registradas nos primeiros meses deste ano. Dados das Defesas Civis estaduais
indicam que aproximadamente 134 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas.
Sem ter como voltar para casa, elas precisam contar com a solidariedade de
familiares ou amigos ou então improvisar a moradia em escolas públicas e ginásios, situação longe de ser
ideal ou de representar uma solução digna para as vítimas. Buscando amenizar o
sofrimento dos atingidos por desastres naturais, uma arquiteta da Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp) criou uma casa especialmente para situações
emergenciais.

O projeto consiste na criação de módulos pré-fabricados feitos de
polietileno – material plástico bastante usado em dutos de ar-condicionado. Com
16m² de área, as casas podem ser construídas em modelos para abrigar quatro,
seis ou oito pessoas. A grande vantagem da proposta está no material, que
permite uma construção rápida e garante segurança e conforto térmico e acústico
para os usuários. Além disso, o custo de produção é relativamente baixo.
Fabricado em abundância, o polietileno é facilmente encontrado e dispensa o uso
de argamassa ou cimento na obra.

"Buscamos uma solução diferente dos materiais usados normalmente, como
madeira, lona e materiais metálicos", observa a autora do projeto, Giovana
Savietto Feres. Os módulos possibilitam, inclusive, a implantação de bairros
provisórios com toda a infraestrutura necessária para o atendimento básico das
vítimas. "O abrigo permite que a família fique resguardada até que sua
residência seja reconstruída", completa a arquiteta.

Para desenvolver o projeto, Giovana foi a campo. Ela passou uma semana no
município de São Luiz do Paraitininga, interior de São Paulo, observando de
perto a rotina de milhares de pessoas que ficaram desabrigadas depois que uma
enchente atingiu a cidade. "Passei dias participando das vidas daquelas
famílias, sem o menor conforto e privacidade, agrupadas como um amontoado, tendo
que dividir banheiro, cozinha, tudo", conta. A partir dessa experiência
surgiu o projeto das casas e bairros modulares. "Fico imaginando os
desabrigados pela chuva em Alagoas, que há mais de um ano sofrem vivendo em
barracas improvisadas. Quero mudar a vida dessas pessoas", afirma.

Outra preocupação da especialista foi elaborar uma casa portátil fácil de
ser montada. Segundo ela, os abrigos podem ser transportados em uma espécie de
maleta gigante e montados e desmontados em apenas 24 horas. Reutilizáveis, têm
vida útil de um a dois anos. No interior do módulo, a arquiteta previu camas
dobráveis no formato leito – como as utilizadas em trens – e uma bancada para
acomodar pia e fogão elétrico. O banheiro é químico, semelhante ao usado na construção civil. "É simples, mas
traz dignidade paras pessoas que perderam tudo", opina.

O abrigo emergencial também é sustentável. O piso é feito de material
reciclado à base de pneu e a instalação hidráulica e elétrica permite o uso de
energia eólica. "Na verdade, qualquer tipo de energia pode ser utilizado
na casa. Vai depender da região", afirma a arquiteta.

Assunto novo

A ideia foi apresentada como trabalho de conclusão de curso na Faculdade de
Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da Unicamp em dezembro do ano
passado, impressionando a banca examinadora. "O assunto é novo no Brasil e
o tema surpreendeu os professores. Além disso, trata-se de um problema real no
país. Giovana conseguiu uma solução simples e factível", elogia Leandro
Medrano, professor da FEC e orientador do estudo.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o número de desastres
naturais passou de uma média de 50 por ano, na década de 1960, para 165, na
década de 1990. "É certo que os fenômenos naturais vão continuar afetando
várias regiões, e a arquitetura pode buscar soluções para auxiliar os
desabrigados de eventos como terremotos e enchentes", analisa Medrano.

Por enquanto, o abrigo ainda é uma maquete. O próximo passo é construir na
Unicamp um protótipo para viabilizar testes e ajustes no projeto.
"Precisamos ampliar os estudos dos materiais, testá-los com pessoas,
medindo calor, ruídos etc", diz a criadora do projeto. A arquiteta, porém,
mostra-se entusiasmada e acredita que a proposta tem grandes chances de se tornar
viável no Brasil. "Imagino que o governo federal tenha grande interesse
nesses abrigos emergenciais", conclui.

A cidade, considerada patrimônio histórico do estado de São Paulo, foi
atingida por uma enchente em janeiro de 2010. Todo o centro histórico, que
abriga o conjunto arquitetônico de casas térreas e sobrados, foi inundado. A
Igreja Matriz São Luiz de Tolosa, construída no século 19, desabou. O desastre
deixou cerca de 9 mil pessoas desabrigadas.


 

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