AGÊNCIA CBIC
Itaipu impressiona empresários da construção em Foz do Iguaçu
Participantes do 88º ENIC conheceram as instalações da hidrelétrica e o processo de geração de energia que atende a 15% da demanda elétrica brasileira
Os 196 metros de altura da barragem principal da Usina Hidrelétrica de Itaipu – equivalente a um prédio de 65 andares – destacam-se à distância. Este é o primeiro de vários aspectos monumentais que impressionariam as cerca de 280 pessoas que compareceram à visita técnica da megaconstrução em Foz do Iguaçu. A atividade extra à programação oficial do 88º Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC) aconteceu no sábado (14), e foi promovida pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em parceria com a Itaipu Binacional.
As duas horas e meia de visita contemplaram um passeio panorâmico pelas instalações da usina, com paradas nos Mirantes Central e do Vertedouro, e um tour pelas áreas internas da hidrelétrica, incluindo a Sala de Comando Central, as galerias dos geradores e o eixo da turbina.
Em 32 anos de operação, a Itaipu Binacional já contabiliza 20 milhões de visitantes e mais de 100 mil funcionários. Atualmente, o número de colaboradores gira em torno de 5 mil, sendo a metade composta por brasileiros e a outra parte, paraguaios. Assim, por sinal, são constituídas as equipes: sempre com um profissional de cada nacionalidade. O comando da hidrelétrica é centralizado e o controle de operação, misto. Brasil e Paraguai tomando decisões conjuntas.
CANTO SUBMERSO, VOZ A ECOAR
“A pedra que canta” – tradução de “Itaipu” a partir do Guarani – é uma formação rochosa que há muito está submersa em 29 bilhões de metros cúbicos (m³) de água. Para se ter uma ideia da grandiosidade desse reservatório, ele poderia ser repartido para cada habitante do planeta e cada um receberia 4 mil litros.
O principal motivo para emudecer a música das águas a bater naquelas rochas foi a construção de uma das principais hidrelétricas existentes, a maior geradora de energia limpa e renovável do mundo. Desde o início de sua operação, já acumula 2,35 bilhões de megawatts-hora (MWh) produzidos. Esse sucesso deve-se ao fato de o rio Paraná ter as condições ideais para a obra: além de ser o 10º rio mais caudaloso do mundo, naquele ponto específico entre Paraguai e Brasil, há um desnível de 120 metros que permite a operação otimizada das turbinas.
A construção do canal de desvio, em 1975, foi a primeira etapa do empreendimento hercúleo. Foram três anos para escavar o terreno e construir um trecho da barragem, inteiramente finalizada apenas em 1982. Sua concretagem despejou um recorde de 7 mil m³ de concreto em um único dia, o que seria suficiente para levantar 24 edifícios de dez andares. Já com a barragem completa, eram esperados 90 dias para encher o reservatório. A maior enchente dos então últimos 40 anos reduziu a espera para meros 14 dias.
VIDA QUE SEGUE O CURSO
Com a inundação de uma área de 170 km entre Foz do Iguaçu e Guaíra, a Itaipu realizou a operação Mymba Kuera, ou “pega-bicho” em tupi-guarani. 36 mil animais foram recolhidos e levados para áreas seguras. A Itaipu Binacional teve o cuidado de montar planos de ação para proteger tanto a fauna quanto a flora afetadas pela construção. Assim, com o objetivo de reconstruir a mata ciliar ao redor do reservatório, foram plantadas 40 milhões de mudas. Nunca houve dúvidas de que a vida útil da usina está ligada diretamente à vida útil da represa.
O Canal da Piracema também foi construído para manter a migração de peixes naquela região, permitindo o trajeto da jusante da usina (parte baixa do rio) à montante da represa (parte alta). Com 10 km de extensão, o canal possui corredeiras intercaladas por quatro lagos de descanso, onde os animais podem se alimentar e recuperar energia para chegar às áreas de reprodução e berçários do rio Paraná. Das 190 espécies de peixes na região, mais de 90% utilizam o canal, fundamental para a conservação da biodiversidade. Uma Coordenação de Meio Ambiente da Itaipu acompanha a dispersão das espécies por meio de chips, permitindo monitorar o ciclo migratório e implementar medidas de redução de impactos ambientais.
A preocupação da usina com o meio ambiente e a sustentabilidade avança de acordo com o curso das discussões sobre o tema e as novas tecnologias. Embora o foco principal seja a geração de energia por meio de hidrelétricas, a Itaipu fomenta a pesquisa sobre energia limpa por meio de parcerias. Há projetos relacionados a veículos elétricos e à utilização de matéria orgânica para produção de energia – esta, junto ao Centro Internacional de Biogás.
POTÊNCIA DE ILUMINAR O MUNDO
O reservatório de Itaipu pode ser o 7º maior do Brasil, no entanto, possui o melhor aproveitamento na geração de energia. Os 2,35 bilhões de MWh produzidos em três décadas seriam suficientes para atender o consumo do mundo inteiro por 40 dias, do Brasil por cinco anos, e do Paraguai por quase dois séculos. Isto de maneira limpa e renovável, com a economia do equivalente a 4,9 bilhões de barris de petróleo ou 425 bilhões de m³ de gás natural – caso a mesma produção ocorresse por termoelétricas.
Em se tratando de uma usina binacional, 50% da energia gerada é dividida entre os dois países. O acordo atual determina ainda que a venda do excedente não utilizado deve ser feita à nação parceira, o que permite ao Brasil comprar 40% da energia paraguaia. A tarifa de cessão custa 360 milhões de dólares anuais.
Os 10% da energia produzida por Itaipu que ficam no Paraguai correspondem a 75% da demanda local; enquanto os 90% adquiridos pelo Brasil fornecem 15% de nossa eletricidade. Pelo Sistema Interligado Nacional, que une 98,3% do sistema elétrico brasileiro, essa energia pode chegar potencialmente a todo o país.
Até 2013, a hidrelétrica colecionava recordes mundiais de geração anual de energia. Desde então, a central hidrelétrica de Três Gargantas na China, que possui a maior potência instalada, vem desbancando o Brasil. Para 2016, Itaipu espera seu melhor ano, com a expectativa de atingir a marca de 100 milhões de MWh pela primeira vez em sua história.
COMPORTAS, UM UNIVERSO
Quando se pensa em hidrelétricas, visualiza-se um vertedouro com as águas jorrando pelas comportas abertas. Em Itaipu, elas podem descer a até 140 km por hora. A capacidade máxima de vazão do vertedouro é de 62 mil m³ de água por segundo – 40 vezes superior à vazão média das Cataratas do Iguaçu. Contudo, essa marca nunca foi atingida, já que recorde de vazão foi registrado em 1983 – 35 mil m³.
O que não se sabe, geralmente, é que o vertedouro despeja somente o excedente do reservatório. Cerca de 40 metros abaixo do espelho d’água é de onde saem as águas em direção à “casa de força”, local de geração de energia. Essas águas passam, no caminho, pelos chamados “condutos forçados” – 20 tubos gigantescos. Em apenas dois deles passam 700 mil litros de água, volume que corresponde à vazão do famoso Patrimônio Natural da Humanidade.
Todo esse líquido segue para as respectivas 20 turbinas da usina. Metade delas, denominadas de 60 hertz (Hz), giram a 92,3 rotações por minuto (rpm) e produzem a energia que segue para o lado esquerdo do rio Paraná, o brasileiro. A outra parte das turbinas, de 50 Hz, giram a 90 rpm e alimentam o sistema elétrico do lado contrário. No total, a Itaipu gera 14 mil MW de energia, sendo esta sua capacidade instalada/potência. Após passagem pelas turbinas, essas águas são despejadas na jusante da usina, também abaixo do espelho d’água para não causar erosão nas encostas do rio.
O universo da Itaipu Binacional compreende um espaço enorme. Além dos 100 mil hectares de área de proteção ambiental e dos 135 mil hectares de reservatório de água, a área total comporta ainda o Parque Tecnológico. No local onde ficavam as antigas moradias de 10 mil barrageiros – outros 30 mil viviam em vilas residenciais de Foz do Iguaçu –, hoje existe um polo de educação e pesquisa. 45 hectares foram doados ao Governo Federal para a construção da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), com projeto do Oscar Niemeyer, que deve atender 5 mil estudantes brasileiros e outros 5 mil estrangeiros. O Parque abrange também o Centro de Engenharias e Ciências Exatas da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e a Universidade Aberta do Brasil (UAB), com cursos presenciais e à distância.
Toda essa maravilha da construção civil brasileira teria custado, em números atualizados, 125 bilhões de dólares. Desde 1973, a hidrelétrica paga em prestações essa dívida com a arrecadação anual de US$ 3,6 bilhões. Com a quitação da última parcela, em 2023, o acordo bilateral entre Brasil e Paraguai será redefinido, abrindo as portas para uma nova etapa da história energética do país.























































































