AGÊNCIA CBIC
Infraestrutura lidera geração de empregos na construção e registra melhor resultado da série histórica, aponta CBIC
As obras de infraestrutura lideraram a geração de empregos formais na construção civil brasileira nos primeiros oito meses de 2026, com a criação de 79.065 novas vagas, o melhor resultado para o período desde o início da série histórica do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), em 2020. Os dados integram o estudo Desempenho da Construção Civil no 3º Trimestre de 2026 e Perspectivas, elaborado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). É apenas a segunda vez, em sete anos, que o segmento de infraestrutura supera a construção de edifícios na geração de novos postos de trabalho entre janeiro e agosto.
O desempenho da infraestrutura representou um crescimento de 26,89% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram criadas 62.312 novas vagas. Já a construção de edifícios registrou saldo de 66.503 novos empregos formais, enquanto os serviços especializados para a construção geraram 54.863 novos postos de trabalho. Ao todo, a construção civil criou 200.431 novos empregos com carteira assinada de janeiro a agosto.
O presidente da CBIC, Eduardo Aroeira, destaca que os resultados reforçam a importância dos investimentos em infraestrutura para a atividade econômica e a geração de oportunidades no país.
“Os números mostram a força da construção civil na geração de empregos e a importância das obras de infraestrutura para o desenvolvimento brasileiro. Investir em infraestrutura significa ampliar a capacidade produtiva do país, melhorar os serviços oferecidos à população e criar oportunidades de trabalho. Precisamos garantir condições para que esses investimentos tenham continuidade, com planejamento de longo prazo e um ambiente econômico favorável”, afirma.
Para a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, os números demonstram uma mudança importante na composição do crescimento do emprego no setor. “A infraestrutura vem apresentando um desempenho expressivo na geração de empregos e alcançou, nos primeiros oito meses deste ano, o melhor resultado da série histórica para esse período. É um movimento relevante, especialmente porque os demais segmentos da construção registraram redução no ritmo de criação de vagas em relação ao ano passado”, avalia.
A análise da CBIC mostra que as obras de infraestrutura apresentam uma trajetória de crescimento na geração de empregos desde o início de 2025. Em contrapartida, a construção de edifícios registra menor dinamismo no mercado de trabalho desde abril de 2026.
O número total de trabalhadores formais da construção civil também atingiu um patamar histórico. Em agosto, o setor contabilizou 3.150.781 empregados com carteira assinada, o maior contingente desde o início da série do Novo Caged e um crescimento de 2,99% em relação ao mesmo mês de 2025.
Estados e municípios apresentam resultados expressivos
Em números absolutos, São Paulo, Minas Gerais e Bahia lideraram a geração de novos empregos na construção civil entre janeiro e agosto de 2026. Os três estados registraram, respectivamente, 34.099, 25.340 e 15.688 novas vagas. Todas as unidades da Federação apresentaram saldo positivo de empregos no setor no período.
O levantamento também revela diferenças no desempenho dos segmentos em cada estado. Em São Paulo, os serviços especializados para a construção foram os principais responsáveis pela geração de novas vagas. Em Minas Gerais, a liderança ficou com as obras de infraestrutura, enquanto na Bahia a construção de edifícios apresentou o maior saldo de novos empregos.
Na comparação proporcional à população, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pernambuco registraram os melhores resultados. O Centro-Oeste se destacou nesse indicador, com três estados entre os cinco primeiros colocados: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás.
Inocência (MS) surpreende e se destaca entre os municípios que mais geram empregos na construção civil
Apesar de seu pequeno porte, o município de Inocência, em Mato Grosso do Sul, alcançou a sétima posição nacional na geração de novos empregos formais na construção civil, em números absolutos. Na comparação proporcional à população, a cidade liderou o ranking brasileiro, impulsionada pelos investimentos no setor de celulose.
Santa Terezinha de Goiás e Jaguarari, na Bahia, completaram as três primeiras posições na análise proporcional, evidenciando a importância dos investimentos industriais e de infraestrutura para o dinamismo econômico do interior do país.
Juros elevados e custos pressionam a atividade
Apesar dos resultados positivos no mercado de trabalho, o estudo da CBIC aponta desafios para a construção civil. De acordo com a Sondagem da Indústria da Construção, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com apoio da CBIC, o nível de atividade do setor ficou em 45,9 pontos no terceiro trimestre de 2026, abaixo dos 47,8 pontos registrados no trimestre anterior. O indicador permanece abaixo da linha de 50 pontos, sinalizando retração da atividade na percepção dos empresários.
Os juros elevados continuam sendo a principal preocupação do setor. No terceiro trimestre, 40% dos empresários participantes da sondagem apontaram as taxas de juros como um dos principais problemas enfrentados pela construção, o maior percentual registrado desde o terceiro trimestre de 2023.
Custos da Construção acima da inflação
Os custos também seguem pressionados. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), acumulou alta de 6,64% nos 12 meses encerrados em setembro. No mesmo período, os custos com mão de obra aumentaram 7,78%, enquanto materiais e equipamentos registraram elevação de 6,06%.
O Custo Unitário Básico (CUB) médio Brasil, calculado pela CBIC com base em informações de 21 estados, é outro importante indicador de custos do setor. Ele acumulou alta de 6,84% nos 12 meses encerrados em agosto de 2026, resultado que ficou acima da inflação oficial do período. O indicador é utilizado como referência para acompanhar a evolução dos custos da construção civil. Os custos com mão de obra subiram 6,72%, enquanto materiais e equipamentos registraram aumento de 6,94%. Entre os insumos com elevações superiores à inflação estão tubo de ferro galvanizado, fio de cobre, placa de gesso, bloco cerâmico e cimento. O fio de cobre, por exemplo, apresentou alta de quase 17%, evidenciando a pressão dos custos sobre a atividade.
Para Ieda Vasconcelos, a combinação de juros elevados e aumento dos custos exige atenção, mesmo diante do crescimento do emprego. “A construção civil mantém sua capacidade de gerar empregos, mas os indicadores de atividade mostram que o setor enfrenta dificuldades. Os juros elevados encarecem o crédito e comprometem as decisões de investimento, enquanto a pressão sobre os custos reduz a margem de planejamento das empresas. É fundamental observar esses fatores para compreender as perspectivas da atividade nos próximos meses”, destaca.
Financiamento imobiliário registra crescimento
O levantamento também aponta expansão do financiamento imobiliário. Entre janeiro e agosto de 2026, os recursos do FGTS e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) destinados ao crédito imobiliário somaram R$ 222,9 bilhões, crescimento de 20,94% em relação ao mesmo período de 2025.
Desse total, R$ 132,5 bilhões tiveram origem no SBPE, alta de 37,5%, enquanto os financiamentos com recursos do FGTS alcançaram R$ 90,4 bilhões, expansão de 2,79%.
Em número de unidades, foram financiados 773.647 imóveis nos primeiros oito meses do ano. O SBPE respondeu por 384.624 unidades, crescimento de 35,87% na comparação anual. Já o FGTS financiou 389.023 unidades, redução de 3,40% em relação ao mesmo período de 2025.
Confira o estudo da CBIC sobre o desempenho aqui





















































































