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02/06/2017

INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO TEM PAPEL FUNDAMENTAL NO DEBATE SOBRE AS SOLUÇÕES PARA A CRISE HÍDRICA NO BRASIL

A nova publicação da CBIC, lançada no âmbito da CMA, foi coordenada pelo professor da USP Orestes Gonçalves. O material foi editado para apoiar as incorporadoras, construtores e executores na obtenção de edifícios sustentáveis, uma vez que na maior parte dos edifícios produzidos no Brasil ainda ocorre desperdício de água.

O Brasil é considerado a maior potência hídrica do planeta. Desde 2014, entretanto, com problemas graves de seca e gestão de recursos naturais, a falta de chuvas, que geram períodos maiores de seca. Assim, várias cidades vêm enfrentando uma série de crises hídricas com seus reservatórios vazios em épocas do ano em que eles costumam estar bem mais cheios.  Ciente desta responsabilidade, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) lançou a publicação “Gestão de Recursos Hídricos na Indústria da Construção: Conservação de Água e Gestão da Demanda”, em correalização com o Senai Nacional, durante o 89º Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC), em Brasília, na última semana.

“As cidades estão passando por transformações e essa conscientização já está chegando ao nosso setor. Muitas cidades ainda estão planejando o futuro olhando para o retrovisor. Enquanto algumas já discutem a economia compartilhada, vejo outras que ainda projetam prédios com excesso de estacionamento. Isso já vai ficar para trás. O que vai mudar na regulação dos prédios e edifícios é impressionante. E precisa mudar já. E nessa escassez existe uma abundância de novos negócios para que a gente possa caminhar e olhar com otimismo o futuro”, afirmou o presidente da Comissão de Meio Ambiente (CMA) da CBIC, Nilson Sarti.

A nova publicação da CBIC, lançada no âmbito da CMA, foi coordenada pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) Orestes Gonçalves. O material foi editado para apoiar as incorporadoras, construtores e executores na obtenção de edifícios sustentáveis, uma vez que na maior parte dos edifícios produzidos no Brasil ainda ocorre desperdício de água. Afirmar que o setor pratica sustentabilidade implica em entregar edifícios que favoreçam o uso eficiente ao longo de sua vida útil. Para atingir este objetivo a publicação destaca pontos fundamentais a serem considerados: concepção do edifício, gestão da demanda e vazão nos pontos de utilização.

Para Gonçalves, a redução do consumo de forma permanente não pode ser esperada apenas com campanha educativas para população. São necessárias ações estruturantes e tecnológicas que promovam o uso eficiente da água. No caso da construção civil, estas ações seriam a projeção de edifícios que contribuam para a redução significativa do consumo de água.

Na cidade de São Paulo, por exemplo,  em março de 2014 a demanda de água era de 67 metros cúbicos por segundo. Em março de 2015, auge da crise hídrica do estado, que premiava quem poupava água e multava quem desperdiçava, a demanda caiu para 51 metros cúbicos por segundo. Já em março de 2017, com os sistemas cheios, a demanda subiu para  62 metros cúbicos por segundo, mesmo com a crise econômica. “A mudança cultural para economia de água leva tempo, talvez o tempo de uma geração, precisamos contar mesmo é com tecnologia”, afirmou o professor.

É importante considerar também que, muitas vezes, o desperdício de água independe do comportamento do consumidor. Um exemplo é a quantidade de água fria liberada entre o acionamento do registro de um chuveiro e a chegada da água quente no ponto de utilização. Decisões acertadas durante um projeto podem evitar este desperdício. Neste caso específico, a publicação sugere que  prever menores distâncias possíveis entre a fonte de calor e o ponto de utilização da água quente, associada a sistemas de recirculação de água e previsão de isolamento térmico de tubulações para diminuir a perda de calor são algumas soluções técnicas que promovem o uso eficiente da água.

A publicação traz ainda algumas soluções alternativas para resolver a escassez hídrica nas edificações, como o uso de água não potável, considerada imprópria para consumo humano, em algumas atividades como lavagem de piso e irrigação de jardins. É preciso, entretanto, muita atenção na gestão do uso desta água não potável, que deve ficar em reservatórios próprios e nunca ser misturada com a potável. Apesar de estar se tornando uma solução recorrente, Gonçalves ressalta que é preciso ter  cautela.

“Um edifício para ter um sistema deste tipo precisa ter uma gestão profissional responsável pela manutenção do sistema, que garanta que não haja mistura de água potável com potável. As palavras são maturidade para fazer a gestão e precaução com o uso dessas águas. Se eu colocar isto em uma indústria que tem engenharia de manutenção, ótimo. Em um shopping que tem engenharia de manutenção, ótimo. Se eu for colocar em um prédio residencial em que esta gestão ficará nas mãos de um zelador, que não teve o treinamento específico, eu acho arriscado”, explicou o professor.

Outra sugestão para incentivar a economia de água é a instalação de hidrômetros individuais. Desde 2016 a Lei Federal 13.312 torna obrigatória a medição individualizada em novas edificações. Mas muitos prédios antigos têm buscado este tipo de adaptação que favorece a economia porque o rateio da conta de água sempre prejudicou os apartamentos com menos moradores. No mais, estudos já realizados constataram que quem conhece seu consumo consome de 15% a 30% menos água de quem não conhece seu próprio consumo.

Com as recorrentes secas que ocorrem pelo país, o crescimento desordenado dos centros urbanos e a expectativa de que mais de 90% dos brasileiros viverão em cidades até 2030, a gestão do uso e a conservação da água ganham destaque nos planos municipais, estaduais e federal de gestão de recursos hídricos. Esse cenário de adaptação das cidades a uma nova realidade hídrica de escassez é uma oportunidade de negócios para o setor da construção, mas também o chama à responsabilidade, uma vez que ele é o responsável por 25% do consumo da água em todo mundo. E na falta dela, este número toma uma proporção ainda maior.

A IMPORTÂNCIA DA ÁGUA NA AGENDA POLÍTICA DOS GOVERNOS

O momento torna extremamente oportuna a realização do 8° Fórum Mundial da Água no Brasil em março de 2018, em Brasília, cidade que enfrenta racionamento de água desde o início do ano.

Segundo Glauco Kimura, membro do Secretariado do Fórum , e que foi palestrante do painel da CMA durante o 89° Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC) , a expectativa é que o encontro reúna 40 mil pessoas entre os cinco dias oficiais de evento e reuniões prévias. Mais de 160 países, alguns representados pelos seus chefes de estado, já confirmaram presença. A edição brasileira do encontro traz ainda como novidade uma maior participação da sociedade civil.

É a primeira vez que o Fórum Mundial da Água ocorre em um país do Hemisfério Sul e a escolha do Brasil para sediá-lo reflete a mudança de paradigma do evento que sempre foi realizado em países desenvolvidos com foco em debates sobre tecnologias e inovações. A partir de agora, pretende-se discutir também como resolver os problemas de falta de financiamentos e de soluções para os países que enfrentam escassez de água.

“A participação da sociedade civil no Fórum sempre foi fraca, mas nesta edição receberá atenção especial. E esperamos contar com a presença da indústria da construção civil no debate porque é um setor que impacta diretamente nos recursos hídricos. E a infraestrutura hídrica e uso do solo serão debatidos fortemente durante o encontro”, afirmou Kimura.

Segundo Kimura, o Distrito Federal é um exemplo claro do quanto o uso desordenado do solo impacta nos recursos hídricos. Parte do problema da falta de água que o Estado vive vem de construções para moradias em locais inapropriados como área de proteção de nascentes e, por isso, o setor de construção civil tem a responsabilidade de discutir as soluções para o problema.

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