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19/03/2012

‘Império’ dos arranha-céus já começou em Belém

"Cbic"
19/03/2012 :: Edição 289

 

Diário do Pará/BR 17/03/2012
 

‘Império’ dos arranha-céus já começou em Belém

Basta escolher um ponto fixo nas ruas de Belém e olhar em direção ao céu. Em muitos bairros da capital paraense o que se vê, além das nuvens e raios solares, é a imponência das torres e prédios que, cada vez mais, tomam conta do cenário. Ora já marcados pelo tempo através da pintura desgastada, ora ainda em tons de cinza provenientes do processo ainda em desenvolvimento da construção, são exemplos do panorama observado, hoje, na construção civil realizada em ritmo acelerado no Estado do Pará.
 
Um dos muitos moradores que, de repente, se tornaram vizinhos dos costumeiros prédios e edifícios em construção em Belém, o funcionário público João Francisco Ferreira só conseguiu pensar em uma palavra quando viu os andares serem levantados ao lado de sua casa: proteção. Morador há 27 anos de uma residência localizada na Rua dos Pariquis, João não nega a insegurança de ver mais um ‘arranha-céu’ – como ele mesmo costuma se referir – ser construído em sua rua. “Belém é uma cidade tão bonita, tão provinciana… não sei porque fazer tanto arranha-céu desse jeito. Não tem necessidade”.
 
Antes de enfrentar qualquer problema com a obra que já vem sendo realizada há quase dois anos, ele fez questão de procurar os órgãos competentes para se informar. “A primeira coisa que eu pensei foi em me proteger, então, fui aos órgãos que tratam disso para saber o que poderia fazer caso tivesse algum problema”.
 
Os problemas vieram até a pedagoga Socorro Bastos. Moradora da Travessa Humaitá, no bairro da Pedreira, ela acompanha de perto o crescimento de três edifícios no perímetro onde mora. A sua frente, do outro lado da rua, um tapume decorado já anuncia o edifício de luxo que está por vir. Mais adiantado, a poucos metros de sua casa, outro edifício já está em fase de acabamento. Mas é através do prédio em construção ao lado de sua casa que ela passou a conviver de forma mais intensa com as demandas da construção civil. “O meu maior problema é com os respingos que caem no meu quintal. Eles já tomaram providências, mas não deixa de ser um transtorno”.
 
Para além dos pequenos imprevistos solucionados pela empresa responsável pela construção do prédio, os recentes problemas denunciados por moradores e operários que se deparam com rachaduras e estalos em construções não deixam de preocupá-la. “Devido o que vem acontecendo, da realidade que vamos observando aqui em Belém com relação a construções, nós ficamos com o psicológico abalado”, desabafa. “A gente vai dormir e fica pensando: ‘Ai meu Deus, tem um prédio do lado da minha casa’. São muitos prédios sendo construído só aqui nesse perímetro”.
 
O “boom” do mercado imobiliário registrado nos últimos anos que levou a um crescimento acelerado nas construções, a qualidade do material e falha humana compõe o mix que, nos últimos anos, causaram os problemas em várias construções na capital paraense na avaliação do Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Pará (Sinduscon-PA). 
 
Falta de qualificação é um dos principais problemas no setor
 
Marcelo Gil Castelo Branco, presidente da entidade, ressalta, entretanto que é preciso analisar caso a caso. “É importante que se diga que o Pará tem uma das melhores engenharias do Brasil e os nossos profissionais conhecem e dominam as técnicas mais modernas no setor, que garantem a construção nos mais diversos tipos de solo. A ciência é exata, mas a técnica é humana e, por isso, passível de falhas, como em qualquer outra profissão”.
 
A colaboração mútua das entidades envolvidas (técnicas e representativas) no setor vem ajudando a sanar esses problemas. “Nossa função é orientar e incentivar práticas responsáveis para o desenvolvimento da construção civil como agente indutor do desenvolvimento no Estado. Para tanto já lançamos dois manuais que servem de ferramenta para a difusão de boas práticas na construção: o Manual de Garantia e o Manual de Incorporação Imobiliária. O primeiro pode ser conseguido gratuitamente no site do Sindicato. No caso de acidentes de trabalho, o Sinduscon auxilia as empresas na implantação de programas de prevenção, em conformidade com a legislação pertinente sobre o assunto”.
 
Segundo o Cadastro geral de Empregados e Desempregados (Caged), hoje a construção civil é responsável por mais de 68 mil trabalhadores formais em todo o estado. “Apesar do setor liderar a geração de empregos formais no estado há mais de um ano, ainda há um déficit de mão de obra qualificada no mercado”, diz Castelo Branco.
 
O Sinduscon, através do Projeto Construir vem oferecendo qualificação no setor, através de cursos e treinamentos. “Nos últimos quatro anos já chegamos a mais de seis mil trabalhadores qualificados, cerca de 1.700 só no ano passado. Essa qualificação é complementada por outros serviços que vão desde a segurança no trabalho, até saúde e qualidade de vida”, diz o presidente do Sinduscon. Há ainda o projeto “Construção Saudável”, que já atendeu mais de 4.000 trabalhadores em seis meses de atuação nos canteiros de obras e é destaque na Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
 
Independente do que vem sendo feito, para o diretor da faculdade de Engenharia Civil da Universidade Federal do Pará (UFPA), Manoel Diniz Perez, a falta de qualificação profissional ainda é um dos principais problemas enfrentados pela construção civil paraense. Ainda assim, ele ainda vê em outro aspecto o ponto central dos recentes acidentes. “O problema é que o econômico vem em cima do técnico vislumbrando o lucro exagerado”, afirma. “Não temos problema de material. O lucro vem acima de tudo e de todos. Agora, o morador é que vai fazer o serviço de supervisão para não enfrentar problemas depois”.
 
Exemplificando a afirmação, o professor ressalta a qualidade do solo que compõe alguns bairros da capital paraense. Segundo ele, o problema da estruturação mal feita de um edifício não está relacionado ao solo e, sim, ao custo com a fundação. “Nós construímos até dentro d’água. O grande problema do solo é o econômico”, afirma. “Dependendo do solo, a fundação é mais onerosa do que em outros. Há um estudo que aponta que, em um terreno bem ruim, a fundação chega a representar de 5% a 10% do investimento”. (Diário do Pará)

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