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Agência CBIC

18/03/2014

Feicon 2014

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Eu gosto muito de uma frase de Winston Churchill, que diz: “Eu sempre fui um otimista, até por que não me parece útil ser outra coisa!”

Esse sentimento se confirma quando nós entramos aqui nas dependências da FEICON/BATIMAT e deparamos com a presença maciça das empresas privadas distribuídas nas centenas de estandes espalhados pela feira, expondo seus produtos e serviços, numa demonstração inequívoca de confiança na sua atividade e no desenvolvimento do país, ratificando aquela máxima de Churchill. E olhe que não estamos vivendo um momento de grandes humores do mercado.

Não restam mais dúvidas quanto ao papel preponderante que a iniciativa privada tem em qualquer economia.  Basta olhar os países que crescem e se desenvolvem e compará-los com as economias mais frágeis. A ação dos empresários faz toda a diferença.

No Brasil, vivemos um momento que não reconhece essa tese: temos um ambiente econômico hostil ao empresário, que vive às turras com o excesso de burocracia, com os impostos elevados e complexos, com a inflação que continua nos ameaçando, as intervenções estatais exageradas, e leis trabalhistas arcaicas e desestimulantes; contra mesmo às pesquisas,  que apontam claramente a intenção, sobretudo dos jovens, em se tornarem empreendedores, na crença ( acertada, diga-se de passagem) de que os empresários são os verdadeiros responsáveis pelo desenvolvimento das economias e pela geração de oportunidades aos cidadãos.

Façamos uma breve análise do Brasil contemporâneo e suas perspectivas a curto e médio prazo.

O país hoje está mais maduro e mais equilibrado. Atravessou, a partir do Plano Real, em 94, um período de grande credibilidade e de crescimento razoável, enfrentado inclusive, com bastante tranquilidade, uma grave crise financeira internacional que teve origem nos Estados Unidos em 2008.

Se fizermos um corte então para o setor da indústria da construção e do mercado imobiliário, vamos constatar que os resultados desse importante segmento da economia foram ainda melhores. Saímos de um período de baixo crescimento para um novo ambiente, no qual o setor se tornou prioritário para os planos do governo, o que nos permitiu investir, criar alternativas, ousar, crescer e estabelecer uma nova fase para a construção no Brasil.

É verdade que o cenário mudou. Existe no ar uma inquietação dos empresários e até mesmo de boa parte da sociedade, demonstrando insatisfação e desconforto com a nossa economia e com a qualidade dos serviços prestados. O PIB Brasil tem desempenho bastante baixo, os juros voltaram a patamares indesejáveis, a inflação preocupa e as relações internacionais, que atravessam período desfavorável, já não nos orgulham tanto.

Mas nós empresários, especialmente os da cadeia produtiva da construção, temos papel relevante neste momento. Sabemos criar, fazer boas parcerias, montar bons projetos, identificar as necessidades mais importantes do país e de nossos clientes. Faz parte da nossa realidade perceber as grandes evoluções que acontecem em todo o mundo desenvolvido e nos adaptar a elas, superar as inúmeras adversidades que se colocam à frente do nosso desejo de produzir e, sobretudo, temos consciência do papel que nos está reservado na economia, com impacto direto no desenvolvimento sustentável do país e na qualidade de vida do cidadão brasileiro.

Por isso, estamos desenvolvendo algumas iniciativas que consideramos estratégicas e que necessitam da participação de toda a cadeia produtiva.

A primeira ação que eu gostaria de citar é o lançamento amanhã, em Brasília, do estudo realizado em conjunto entre a CBIC, a ABRAINC e o Movimento Brasil Competitivo, com a consultoria BOOZ & Company, e que trata do custo do excesso de burocracia na cadeia de produção da área imobiliária. Esse estudo chama a atenção para os gargalos que se colocam ao longo das fases da produção e revela números surpreendentes.  Ao final o estudo apresenta propostas para solucionar ou mesmo minimizar os efeitos deletérios da burocracia.

A outra iniciativa será objeto de debate aqui na FEICON, na próxima sexta- feira. A exemplo do que realizamos com grande sucesso pela UNC – União Nacional da Construção, em passado recente, vamos refletir acerca de propostas de políticas públicas, sob a ótica do setor, que serão apresentadas aos pretendentes ao governo federal nas eleições de outubro próximo. Convido, desde já, a todas as entidades nacionais da cadeia produtiva da indústria da construção e do mercado imobiliário para estarmos juntos nesse debate e para darmos início a essa importante articulação que será, certamente, mais uma contribuição significativa do setor ao país.

Chamo a atenção agora para o grande desafio que temos pela frente com a correta implantação das Normas de Desempenho, que foram recentemente editadas pela ABNT e já estão em vigor. Este trabalho, elaborado a muitas mãos, visa melhorar a qualidade das novas obras, buscando sempre o bem estar de nossos cidadãos. Entretanto, essa ação somente se concretizará plenamente se houver total entrosamento entre todos os elos da cadeia produtiva. Temos de continuar nesta luta e garantir o bom andamento desse processo. 

O programa Minha Casa Minha Vida foi, sem nenhuma dúvida, um dos melhores e mais importantes projetos elaborados para o setor de moradias ditas sociais do Brasil. Tanto é que ele serve inclusive de exemplo para dezenas de países em todo o mundo. Desde 2009 até hoje foram contratadas mais de 3 milhões e 250 mil unidades, sendo que mais de 1 milhão e 500 mil moradias já foram entregues aos seus proprietários. Esse projeto teve participação direta de toda a cadeia da construção e teve início com o Projeto Moradia Digna. Essa foi uma excelente resposta do governo e do nosso segmento à crise financeira mundial, ao gerar milhões de empregos e animar parte importante da economia do país.

Por isso, a continuidade desse Programa é vital para o Brasil. Em reunião no começo do mês, a ministra Miriam Belchior, que deverá estar conosco na próxima sexta-feira, nos assegurou o complemento do MCVC 2, que ainda tem algo como 500 mil unidades para serem contratadas até o final do ano e, o mais importante, a intenção forte da presidenta Dilma, em caso de renovação de seu mandato, de editar o MCMV 3, cujo projeto já está em gestação.

Outra importante iniciativa que está em desenvolvimento objetiva organizar o nosso setor para ser o grande indutor de um programa de gestão das cidades. Como resultado dessa ação, vamos propor uma nova estrutura de administração dos nossos municípios e o uso de ferramentas corretas que permitam o envolvimento da sociedade civil organizada, auxiliando os gestores públicos na difícil tarefa de conduzir com competência o destino dos municípios. Com base em modelos vencedores, o projeto proposto será testado em alguns municípios brasileiros estrategicamente escolhidos: Caxias do Sul, Porto Velho, Joinville, São Gonçalo do Amarante e Brasília.

Estarão envolvidos temas como o planejamento urbano, mobilidade urbana, saneamento básico, moradia, saúde, educação, etc.

Esperamos alcançar os primeiros resultados ainda em 2014.

Na área de infraestrutura, o governo, tendo ultrapassado posturas meramente ideológicas, finalmente se convenceu de que não pode mais prescindir da iniciativa privada no grande desafio que tem pela frente na oferta dos serviços de infraestrutura tão necessários para devolver ao país as condições de competitividade de que nossa economia tanto necessita. E nesta área temos um desafio maior que é o de criar condições reais para a participação das empresas médias e grandes que poderiam se apresentar em parcerias e disputar em condições de igualdade o amplo mercado de obras de infraestrutura que se pretende implantar no país e mesmo na América do Sul, a partir das obras de integração dos países da UNASUL.

Paralelamente às nossas iniciativas para ajudar o país a se desenvolver, temos também que refletir sobre algumas preocupações que nos afligem neste momento.

É o caso da recente legislação anticorrupção, que entrou em vigor no último dia 1º de fevereiro e que preocupa muito pela sua virulência. Por meio de simples procedimentos administrativos, antes mesmo do julgamento da Justiça, empresários podem vir a ser punidos pela mera presunção de culpa. Uma exacerbação que está sendo considerada inconstitucional por alguns especialistas. Mais um exagero na intervenção do estado nas coisas privadas. Temos que nos unir para regulamentar melhor esta matéria.

Outra grande questão que, certamente, estará entre as nossas recomendações aos presidenciáveis e que tem sido um tema recorrente, diz respeito às reformas estruturantes que o país necessita. Tantas vezes postergadas, essas reformas são verdadeiramente determinantes para que o país possa encontrar seu caminho para o desenvolvimento. Tributos, leis trabalhistas, sistema político/partidário, dentre outros, precisam de mudanças estruturais urgentes, sem o que teremos muitas dificuldades para avançarmos em direção aos países desenvolvidos.

Aqui eu gostaria de destacar a urgência da reforma da área trabalhista, onde prevalece uma visão retrógrada e de ineficiência, prejudicando bastante o bom andamento do país. Esta área está sob a ingerência de um Ministério que vive sob graves suspeitas de corrupção e conluio com entidades sindicais dos profissionais e que não consegue sequer tratar diretamente de suas atribuições, delegando a outros fóruns algumas de suas tarefas mais importantes. Urge uma reforma profunda na área trabalhista brasileira. E, que seja para melhor!

Finalmente um desabafo.

Nos últimos tempos temos assistido alguns comentaristas, economistas e até mesmo “curiosos”, insistindo na tese absolutamente equivocada da existência de “ bolha imobiliária” no Brasil.

Ou estes cidadãos são inteiramente ignorantes a respeito do complexo segmento do mercado imobiliário, ou agem de má fé.

Uma bolha imobiliária se caracteriza pelo somatório de vários fatores.

A alta de preços dos imóveis tem que estar aliada a um percentual exagerado de crédito imobiliário relacionado ao PIB geral do país; a um sistema financeiro deficiente em relação às regras de funcionamento e em especial à fiscalização do sistema; ao percentual de financiamento em relação ao valor total do imóvel (loan-to-value), dentre outros fatores.

Uma rápida olhada para o que está acontecendo no Brasil, se compararmos com outros países, constatará que nada disso está acontecendo no nosso mercado.

Os números brasileiros, para o mercado imobiliário, ainda são muito confortáveis.

Temos que estar atentos com aqueles que querem barrar o crescimento deste importante segmento da economia do país. Mais recursos para a área imobiliária significam menos recursos disponíveis para outros setores, muitos deles somente especulativos. E isto pode estar causando ciúme aqui e acolá.

Caros amigos e amigas,

Ao encerrar, queria mais uma vez agradecer, sobretudo aos organizadores deste belíssimo evento, o privilégio deste pronunciamento inicial, e externar mais uma vez a minha convicção de que os empresários do   setor produtivo que representamos são capazes, sim, de influenciar, por meio de um trabalho propositivo e moderno, o desenvolvimento sustentável do país.

E creio que, quanto mais unidos estivermos, melhores serão os resultados.

Por fim, convido todos a participarem ainda hoje, às 16 horas, aqui mesmo na Feicon Batimat, do lançamento do estudo feito pela CBIC em parceria com o instituto SENSUS e que analisa o tema da Inovação na Construção na ótica dos compradores de Imóveis.

E como comecei com uma citação que gosto muito, encerro com outra, desta vez do ex presidente Clinton que diz: “Grande tem que ser o setor privado. O Estado tem que ser inteligente”.

Obrigado,

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