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11/03/2015

Falta de poupança preocupa bancos em crédito habitacional

"Cbic"
11/03/2015

Valor Econômico – 11 de março

Falta de poupança preocupa bancos em crédito habitacional

Por Felipe Marques

A retirada líquida recorde de dinheiro da poupança no começo de 2015 acendeu um alerta entre os bancos para o crédito imobiliário. A sangria de recursos da aplicação, que perdeu R$ 9,3 bilhões entre janeiro e fevereiro, acentuou uma preocupação com a qual já se deparam alguns dos grandes nomes do sistema financeiro nacional: a escassez de recursos da caderneta para o financiamento habitacional. Na lista de instituições em que a falta de dinheiro começa a preocupar estão a Caixa Econômica Federal, principal ator da modalidade, e o Santander.

"O cenário de escassez de funding para o crédito imobiliário, de que tanto se falou nos últimos anos, começou a virar realidade", diz Teotônio Costa Resende, diretor¬executivo de habitação da Caixa. Segundo ele, o banco público já vem utilizando recursos captados no mercado, como a Letra de Crédito Imobiliário (LCI), para complementar a poupança nas operações de crédito imobiliário.

A questão, porém, é que as captações no mercado têm um custo significativamente maior que o da poupança para os bancos. Em especial num momento como o atual, em que a taxa básica de juros e a inflação estão subindo, exigindo que os bancos paguem um prêmio maior para atrair investidores. Além da LCI, também servem de alternativa à poupança o Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) e, futuramente, a Letra Imobiliária Garantida (LIG), que ainda carece de regulamentação.

Segundo o Valor apurou, Caixa, Santander e Banco do Brasil (BB) são os bancos em que a falta de poupança é mais aguda. No caso do BB, vale lembrar que boa parte da captação via caderneta do banco vai para a poupança rural, destinada ao crédito dessa modalidade. Itaú e Bradesco estariam em uma situação mais "confortável".

Para aliviar a situação no curto prazo, os bancos chegaram a pedir ao Banco Central (BC) que autorizasse a liberação da faixa de 10% de depósitos da poupança que o BC retém e remunera pela Taxa Referencial (TR). Preocupado com os efeitos inflacionários da medida, o BC resiste em aprová¬la, afirmam fontes ouvidas pelo Valor

A Caixa tem privilegiado o programa "Minha Casa, Minha Vida" e o financiamento para imóveis de valor inferior a R$ 650 mil (R$ 750 mil em algumas capitais), no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Embora os financiamentos para habitação social usem recursos do FGTS e do FAT, os do SFH dependem da poupança. O banco diminuiu a velocidade nos desembolsos para imóveis acima do teto do SFH

"Nossa estratégia para as linhas de financiamento de imóveis acima do teto de R$ 650 mil mudou e ficou mais próxima da de outros bancos. Antes, usávamos uma taxa menor nessas linhas para atrair grandes clientes. Agora, o objetivo é atender clientes que já temos", diz Resende. Entre os reajustes anunciados pelo banco, os juros nessas linhas ficaram até 180 pontos¬base mais caros. "O objetivo é direcionar mais poupança para o SFH." 

O Bradesco adotou estratégia semelhante, de usar taxas mais atraentes para direcionar os clientes ao SFH, mesmo ainda tendo recursos suficientes na caderneta. "As linhas fora do SFH costumam acompanhar a Selic mais de perto, mas há também a questão do funding agora", afirma Claudio Borges, diretor de crédito imobiliário.

"Nos últimos anos, deixamos pronto o arcabouço de instrumentos alternativos à poupança", diz Borges. "Mas o brasileiro é fiel à poupança e deve voltar a depositar lá, o que diminui o problema". Na visão dele, os recursos devem ser suficientes para o próximo ano.

"O mercado imobiliário está em desarranjo neste ano. A poupança complica ainda mais esse cenário", afirma Gilberto Abreu, diretorexecutivo de negócios imobiliários do Santander. A situação das construtoras, com altos estoques, a elevação de taxas de juros e a percepção ruim do tomador sobre os preços dos imóveis e a economia contribuem para esse quadro adverso.

Discussão antiga do setor, o descompasso entre a captação da poupança e o avanço do crédito imobiliário saiu temporariamente de cena após as taxas recordes de captação da caderneta entre 2012 e 2013. Na época, alguns bancos chegaram até a ter "sobra" de recursos, precisando recorrer a operações como a compra de CRIs para enxugá¬la. Ao longo de 2014, a captação perdeu parte do fôlego até chegar aos vultosos saques dos dois primeiros meses de 2015.

"O desempenho de 2012 tirou o assunto da pauta. A questão da poupança preocupa e o resgate do tema é urgente", diz Bruno Gama, diretor geral da Credipronto, joint¬venture entre Itaú Unibanco e a imobiliária Lopes

O saldo de poupança encerrou fevereiro em cerca de R$ 518,72 bilhões, ante um estoque de crédito imobiliário de R$ 506,2 bilhões. A regra d o BC prevê que os bancos destinem 65% dos depósitos da caderneta para financiamentos, que precisam estar divididos em 80% para imóveis até R$ 650 mil e até 20% para imóveis acima desse valor. O restante da poupança é distribuído em 20% para depósito compulsório (remunerado à Selic), 10% para um compulsório adicional (corrigido pela TR), e 5% de livre aplicação pelos bancos.

Apesar de o volume resgatado nos dois primeiros meses do ano preocupar, há um atenuante para este tipo de situação. Isso porque o cálculo considera o saldo médio em 12 meses da caderneta, o que alivia períodos que fogem ao histórico.

A escassez de depósitos na caderneta não deve impor, porém, aos bancos um freio drástico ao financiamento imobiliário. Isso porque 2015 já prometia ser um ano em que a modalidade ficaria menos dinâmica, graças a uma demanda mais fraca, apostam os bancos.

A Caixa, por exemplo, espera, no melhor cenário, repetir neste ano o volume desembolsado para em 2014, de cerca de R$ 129 bilhões. O banco público acredita que só em 2017 apresentará taxas mais significativas de crescimento nesse segmento.

 


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