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09/02/2015

Estrangeiros de olho nas obras

"Cbic"
09/02/2015

 O Globo – 8 de fevereiro

Estrangeiros de olho nas obras

NO RASTRO DOS ESCÂNDALOS

Com crise nas empreiteiras, empresas espanholas e chinesas buscam oportunidades no Brasil

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Henrique Gomes Batista

Espanhóis e chineses estão de olho em um dos mercados mais fechados do país: o de obras e concessões públicas. Apesar das barreiras à entrada de estrangeiros, eles fazem parte da revolução silenciosa que começa a ocorrer entre as empreiteiras. Com faturamento anual, segundo especialistas, de cerca de R$ 200 bilhões e potencial de chegar a R$ 700 bilhões, as obras públicas e concessões de infraestrutura – que englobam energia, petróleo, saneamento, transportes e telecomunicações – tendem a se pulverizar. O grande motivador desta mudança é a Operação Lava-Jato, cujas investigações atingem as grandes empresas brasileiras do segmento e desencadeou uma crise no setor.

Para se ter uma ideia do potencial deste mercado, o Brasil pode representar 8% de todos os investimentos do mundo em obras e concessões públicas em 20 anos, segundo estudo da consultoria KPMG. Entre as estrangeiras, as companhias chinesas e espanholas despontam como as menos ariscas ao clima de incerteza. Para que a vontade de ingressar no país se concretize, existem dois caminhos possíveis: associações com as empresas de médio porte – que tendem a se beneficiar deste movimento – e compra de participações em empreendimentos como rodovias e aeroportos. As oportunidades começam a surgir porque as empreiteiras nacionais estão sendo obrigadas a se desfazer de participações para resistir à turbulência.

Para Fernando Marcato, sócio da GO Associados, empresas pouco tradicionais em obras públicas, como as companhias especializadas na construção predial, podem ampliar sua área de atuação:

– Será um novo mercado. Vemos mais negócios com o seguinte modelo: empresa média nacional com fundos de pensão e de investimento, que entram com dinheiro, e empresas estrangeiras que trazem a tecnologia – disse.

EMPRESAS VÃO EXIGIR GANHO MAIOR

No mercado é dado como certo o forte interesse das chinesas CRCC e Hydrochina, sobretudo em ferrovias e hidrelétricas. Também é esperada a entrada ou o reforço de operações das espanholas Sacyr (que já atua no Brasil com a Somague na construção de duas linhas do metrô de São Paulo e na transposição do Rio São Francisco, entre outras obras), ACS (também presente no Brasil por meio de sua subsidiária Dragados), Ferrovial, OHL (que já atuou em rodovias mas saiu do país) e da Acciona (que está no setor de petróleo, concessão federal de rodovia e na construção civil). Procuradas, as empresas preferiram não se pronunciar, exceto a Sacyr, que informou que atua no Brasil desde 1997, tem experiência sólida no país e notório interesse neste mercado.

O setor de obras públicas é marcado por polêmicas envolvendo diversas empresas em todo o planeta. No Brasil, porém, as investigações sobre os casos de corrupção da Petrobras envolvem as chamadas "cinco irmãs" da construção: Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e OAS. Impossibilitadas de fazer negócios com a estatal, elas poderíam sofrer ainda mais restrições nas obras públicas. Algumas empresas já enfrentam forte restrição de caixa. No total, 'a Polícia Federal arrolou 23 empresas em suas investigações até o momento.

Em um primeiro momento, o que se espera é uma freada nos negócios, mas, no futuro, este espaço tende á ser preenchido pelas estrangeiras e pelas empresas de médio porte. Obras de ferrovias e portos, que não devem demandar tantos recursos fiscais, seriam as prinjteiras na retomada do setor. O aumento do custo do dinheiro e as restrições de Crédito do BNDES também surgir como (empecilhos. A expectativa entre especialistas do setor é de uma alta da taxa de retòmo dos projetos, que significa, na prática, quanto uma empresa exige para realizar uma obra.

No dia a dia, não é fácil operar no país. O advogado Robertson Silva 1 Emerenciano, sócio do escritório Emerenciano, Baggio e Associados, diz que as restrições são de burocracia, como documentos exigidos:

– Precisamos de, no mínimo, seis meses antes que a primeira nota fiscal possa ser emitida no Brasil.

Para Eduardo Padilha, professor do Insper, o interesse dos chineses tende a ser mais pragmático: dominar corredores de exportação de soja, por exemplo, garantido o fornecimento chinês:

– O mundo tem grandes empresas maiores que as nossas, mas nosso mercado não é tão simples. A sueca Skanska, por exemplo, sondou o país e acabou desistindo (a empresa foi citada na Operação Lava-Jato). Agora, só entrará quem tem sangue frio e analisar muito, as empresas não vão querer correr o risco de sujar seus nomes por alguns contratos no país.

CONCORRÊNCIA DO MERCADO AMERICANO

Carlos Malmud, pesquisador da América Latina do Real Instituto Elcano, de Madri, explica que o interesse das grandes construtoras espanholas no Brasil continua forte, mas tende a ser mais criterioso:

– As grandes construtoras espanholas são capitalizadas, eles trariam recursos próprios para investir. Sabemos que o BNDES é mais amistoso com as empresas locais do que com as estrangeiras.

Paulo Resende, da Fundação Dom Cabral, calcula que o país investe, por ano, R$ 216 bilhões em infraestrutura, mas que o potencial chega a R$ 700 bilhões:

. – Os estrangeiros poderíam abocanhar de 50% a 60% deste mercado potencial.

O diretor de relações internacionais da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Harley Andrade, afirma que o país atrai o interesse de empresas chinesas. Tanto é assim que a instituição abriu em abril de 2014 um escritório em Pequim:

– Os chineses querem aproveitar as oportunidades do país, mas não entendem as restrições do mercado. Para eles, é mais fácil entrar em outras nações. Então o nosso escritório serve de facüitador, para que as chinesas encontrem parceiros brasileiros, sobretudo empresas médias, que já começam a negociar de fato.

Maurício Endo, sócio da KPMG, afirma que, apesar do potencial, o país é afetado pela concorrência com o mercado dos EUA, onde serão feitas grandes obras nos próximos anos, impulsionadas pela recuperação econômica. Ele afirma que o Brasil precisa de regras mais estáveis, planejamento de longo prazo factível e regularidade nos investimentos, sem picos e vales:

– A KPMG estima que o mundo demandará US$ 40 trilhões em infraestrutura nos próximos 20 anos. A Ásia demandará US$ 16 trilhões, as Américas, outros US$ 14 trilhões, a Europa, US$ 9 trilhões e a África, US$ 2 trilhões. Estimamos que apenas o Brasil demande US$ 3 trilhões, o que representa 8% do total mundial. É muita coisa, mas é preciso superar os desafios.

QUEM ESTÁ DE OLHO

CUCC; Maior empreiteira do mundo, a chinesa, focada em ferrovias, tem faturamento superior a US$ 70 bilhões anuais

ACS: o grupo espanhol, que fatura mais de US$ 40 bilhões porano, já atua no Brasil por meio de sua subsidiária, a Dragados

já atua em obras em São Paulo, como em duas linhas do metrô, e no Nordeste

ACCIONA: No Brasil desde 2008, atua em rodovias, obras e petróleo

FERROVIAL: Com pequena atuação no país, grupo espanhol tentou entrar na concessão de aeroportos

OHL: Quer voltar a ter força no Brasil depois de uma experiência ruim em rodovias

HYDROCHINA: Hoje a empresa asiática é uma das maiores em hidrelétricas no mundo

 


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