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AGÊNCIA CBIC

21/10/2021

Enic: painel discute como enfrentar a crise energética

A crise de energia provoca fortes impactos na economia, no emprego e nas diversas atividades. Para discutir o assunto, o 93º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic) convidou especialistas para integrar o painel “Crise Energética: Qual Risco e Como Enfrentá-la”, que aconteceu nesta quinta-feira (21), às 17h.

O evento contou com participação do deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), do secretário-adjunto de energia elétrica do Ministério de Minas e Energia, Domingos Romeu Andreatta e da diretora-presidente da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Christianne Dias. O evento foi coordenado e mediado pelo presidente da Comissão de Meio Ambiente (CMA) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Nilson Sarti.

Durante a apresentação, o deputado Arnaldo Jardim afirmou que é necessário ter um cuidado para preservação das reservas hídricas no país. “É fundamental para que nós não ‘queimemos’ reservatórios agora. Isso significa que nós continuaremos a ter que conviver com o momento de ainda acionar térmicas e acionar fontes que são mais onerosas para a recuperação dos nossos reservatórios.” No âmbito da legislação que envolve o setor elétrico, o deputado Arnaldo Jardim afirmou que hoje existem dois Projetos de Lei sendo debatidos na Câmara dos Deputados: o PL 414 e o PL 1917. “Ao meu ver, ambos estão em um bom rumo.”

O secretário-adjunto de Energia Elétrica, Domingos Romeu Andreatta, disse que o Brasil passou pela pior seca em 91 anos. Sobre o uso da eletricidade advinda da geração hidroelétrica, ele afirmou que, em 2001, o sistema era 85% dependente. Hoje, em 2021, o Brasil é em torno de 61% dependente das usinas. “Em 2030, a maior contribuição vai ser de usinas renováveis, nós vamos ter menos do que 50% de dependência das usinas hidrelétricas e isso vai trazer sempre melhores condições”, explicou. O especialista ainda ressaltou que a expansão no futuro é renovável, principalmente com as fontes eólica e solar. 

Domingos Andreatta anunciou que acontecerá um leilão na próxima segunda-feira (25/10) para contratação de energia para entrega em 2022 com o prazo até 2025, com o objetivo de buscar diminuir o custo, contratar energia a preços melhores e dar previsibilidade para o sistema. “É um leilão conjuntural. Nós temos que pensar no longo prazo. O setor elétrico demanda esses longos prazos”, completou. 

Sobre o tema, a diretora-presidente da ANA afirmou que a agência assinou um plano de contingência. “Tivemos a oportunidade de aprovar um importante plano de contingência para a recuperação dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN)”, reiterou. A executiva ainda disse que é necessário que os brasileiros tenham a compreensão de que a água é um recurso finito. 

Mudanças climáticas

O deputado Arnaldo Jardim afirmou que o processo de mudanças climáticas terá oscilações mais bruscas. Por isso, segundo ele, o processo de reservação precisa ser reconceituado. 

Christianne Dias defendeu que o ‘normal climatológico’ já não existe mais. “Nós teremos mais oscilações, sim, daqui pra frente. Temos que partir dessa premissa e não contar com determinadas chuvas que podem não mais acontecer. É isso que a realidade está nos mostrando. Então eu volto a falar no processo de reservação e no papel da informação. Quando temos informação, a gente consegue se antecipar, consegue incorporar os riscos e trabalhar com eles”, disse.

Para Andreatta, é com o cenário de incertezas que o Ministério de Minas e Energia está trabalhando. “Por isso estamos tomando todas as medidas agora para garantir que 2022 seja um ano com menos ‘stress’ eletroenergético”, finalizou.

O 93º Enic é uma realização da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e conta com apoio do Serviço Social da Indústria (Sesi Nacional), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Nacional) e de entidades do setor, com patrocínio do Sebrae, OrçaFascio, Konstroi, Agilean, Brain Inteligência Estratégica, Mútua e Predialize.

O painel tem interface com o projeto “Desenvolvimento sustentável na indústria da construção” realizado pela comissão de Meio Ambiente (CMA) da CBIC, com correalização do Senai Nacional.

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