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17/08/2011

Em busca da cidade ideal

"Cbic"
17/08/2011 :: Edição 159

 

Jornal Diário do Nordeste – Online/CE 17/08/2011
 

Em busca da cidade ideal

A arquitetura verde põe em xeque a ilusão moderna, marcada pela racionalidade, que acalentou o século XX
 
 Uma nova utopia urbana está sendo inventada. Desta vez, a racionalidade e a funcionalidade – consideradas características da arquitetura moderna, que deixou sua marca no século XX, expressa no concreto e no vidro – são substituídas pela preocupação em projetar espaços urbanos nos quais homem e natureza vivam em harmonia. Surgida a partir dos anos 1980, juntamente com o conceito de desenvolvimento sustentável, hoje, cada vez mais, seus preceitos, baseados em projetos que utilizam conforto térmico e acústico, baixo consumo de energia, uso racional de materiais, entre outros elementos, ganham espaço.
 A arquitetura sustentável não fica restrita apenas às residências ou aos edifícios comerciais. O conceito é transposto para as cidades e bairros, como a City of Tomorrow, assentamento construído em Malmö (Suécia), um dos mais recentes casos de projeto urbano que utiliza 100% de energias renováveis produzidas localmente.
 Compromisso
 Para alguns arquitetos e urbanistas, não se trata de nova utopia, mas de uma condição para garantir a sobrevivência do homem e do planeta. Arquitetura sustentável envolve compromisso tanto da sociedade quanto dos governantes. E, mais, não se trata de invenção da sociedade contemporânea.
 "Historicamente, os bons arquitetos fizeram edificações sustentáveis", constata o arquiteto e urbanista Marcondes Araújo, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), pesquisador em edificações e cidades sustentáveis com premiações latino-americanas.
 Prova disso é a volta que faz ao passado, sem sair do Ceará, para citar como exemplo de uma construção sustentável: o Náutico Atlético Cearense, projetado pelo arquiteto Emílio Hinko. Estudioso de sua obra, Marcondes Araújo destaca a importância da edificação, que tem 82 anos, uso intenso, baixa manutenção e trabalha com luz e ventilação naturais, elementos que caracterizam as construções sustentáveis contemporâneas. "É preciso diferenciar construções sustentáveis de marketing verde", enfatiza.
 A arquitetura verde ou sustentável consiste em respeito à natureza e não valorizar apenas o homem, explica. Além de levar em consideração a natureza como um todo, os projetos devem usar técnicas sustentáveis como o reúso de água, energias limpas e valorizar os materiais locais. Cita o bambu, a taipa, a carnaúba, as pedras da região e o marmeleiro como excelentes opções. "A edificação sustentável propõe uma nova relação do homem com o universo", diz, lamentando que, por enquanto, é apelativo e fora do contexto ao enfatizar valores que não correspondem à realidade.
 A indústria da construção civil é uma longa cadeia produtiva que envolve desde mão-de-obra ao uso de materiais, sendo importante encontrar soluções locais. Existem exemplos mundo afora de construções sustentáveis. "Arquitetura sustentável requer uma relação ampla, proporcionando harmonia das pessoas entre si, sem esquecer de nenhum elemento que integram a vida no planeta.
 As construções representam os investimentos mais caros que a humanidade tem. "A arquitetura é para ser vivida, não é vitrine", destaca o arquiteto, completando que construção sustentável não é algo de curto prazo, portanto, não pode ser analisada simplesmente pela ótica do custo-benefício. "Deve ser pensada como algo mais duradouro". Deve ser incentivado o uso de energias renováveis como a eólica e a solar que já estão competitivas, podendo ser mais incorporadas aos edifícios. As cidades devem ser pensadas para 20, 50 ou 200 anos e não como acontece para quatro anos, tempo de uma gestão de governo.
 Ideal
 A discussão em torno da cidade ideal não é de hoje. Inicialmente, a casa serviu como abrigo, passando depois a ser vista como um dos elementos integrantes da sua identidade. Concepção semelhante pode ser estendida à cidade, cujas primeiras foram construídas como formas de proteção. Hoje, as cidades constituem espaços de referência na vida das pessoas. As casas e as cidades estão inseridas em contextos social, econômico e cultural que vão se adaptando a cada período.
 Desde "a casa como toca", é assim que o estudioso italiano Federico Butera, professor de Física Aplicada da Universidade Politécnica de Milão, começa a narrar a história do conforto, no livro "Da caverna à casa ecológica", até à cidade do futuro, que o homem realiza uma queda-de-braço com a natureza.
 Diferentes da casa e da cidade moderna, as "tocas" eram espaços pensados não para as pessoas permanecerem nelas por muito tempo. A vida se desenvolvia no espaço aberto, diferente da vida moderna. A casa como ambiente de aconchego e de relaxamento é uma invenção recente.
 Pela descrição de Federico Butera, nem mesmo as casas ricas da Roma antiga gozavam de conforto ou de saneamento. Nas cidades e casas das populações pobres, o quadro era ainda pior. Não contavam com latrinas e os moradores, certamente, deviam usar banheiros públicos. Para quem esperava dias melhores na Idade Média, a realidade piorou, provocando uma degradação urbana em muitas cidades europeias, como foi verificado até o início do século XIX.
 Futuro
 Em 1914, o arquiteto Antonio Sant´Elia (1888-1916) expôs o manifesto da arquitetura Futurista, no qual imaginava a cidade como uma associação puramente mecânica, equiparando o seu funcionamento ao de uma máquina. Essa cidade era construída a partir de aglomerados utilizando materiais típicos da era moderna: concreto armado, vidro e fibra têxtil. Depois, Le Corbusier propõe a sua Vila Radiosa que privilegiava a residência. O projeto foi formulado nos anos 1920/1930. Não havia uma divisão de classe entre elite e trabalhadores, e a ordenação de cidade abrigava homem, máquina e natureza de forma harmoniosa. Apenas para citar dois exemplos da utopia urbana que caracterizaram a cidade moderna. Hoje, a arquitetura começa a rever os seus conceitos e, agora, não se trata apenas de uma mudança na estética das edificações, é preciso pensar uma nova forma de conceber o espaço urbano, levando em consideração as transformações pelas quais as cidades e meio ambiente passam.

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