AGÊNCIA CBIC
Eduardo Aroeira apresenta panorama da construção civil brasileira em encontro do mercado imobiliário
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Eduardo Aroeira, apresentou, nesta quinta-feira (20), um panorama da construção civil brasileira durante o 102º Encontro da Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI), realizado no B Hotel, em Brasília. Em sua palestra, Aroeira analisou o cenário econômico e o desempenho recente do setor, com destaque para os impactos dos juros elevados, a geração de empregos, o avanço da infraestrutura e a pressão dos custos da construção.
Com o tema “Do investimento ao crescimento, o eixo da expansão”, o encontro reuniu representantes e especialistas do mercado imobiliário para debater questões estratégicas relacionadas ao desenvolvimento do setor, como financiamento, inovação, tecnologia e desenvolvimento regional.
Durante sua apresentação, Aroeira chamou atenção para um cenário que combina crescimento da atividade econômica e geração de empregos com juros ainda elevados, aumento dos custos e menor confiança dos empresários. Segundo os dados apresentados por ele no encontro, o índice de confiança da construção registrou média de 46,4 pontos no primeiro semestre, abaixo da linha de 50 pontos que indica confiança entre os empresários do setor.
“A economia cresce, mas os juros ainda ditam o risco. Temos uma taxa de juros muito elevada, que precisa voltar a um dígito para termos condições mais favoráveis ao investimento e ao crescimento sustentável do setor”, afirmou Aroeira.
Apesar do ambiente desafiador, a construção segue contratando. No primeiro semestre de 2026, o setor registrou saldo positivo de cerca de 169 mil novas vagas formais, ante 158 mil em 2025. Aroeira também chamou atenção para a taxa de desemprego de 5,4%, que evidencia um mercado de trabalho aquecido.
Um dos destaques apresentados foi a mudança no perfil da geração de empregos. Pela primeira vez desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020, a infraestrutura criou mais postos de trabalho do que a Construção de Edifícios em um primeiro semestre. Entre janeiro e junho deste ano, foram abertas 64.793 vagas em infraestrutura, crescimento de 30,26% em relação às 49.741 registradas no mesmo período de 2025. A Construção de Edifícios, por sua vez, gerou 60.552 postos de trabalho.
“Historicamente, a Construção de Edifícios tem sido um grande motor do setor, mas estamos vendo a infraestrutura ganhar força. Esse crescimento é muito impulsionado por investimentos e projetos que começam a se refletir no mercado de trabalho. Os leilões e as Parcerias Público-Privadas realizados nos últimos anos, além dos investimentos associados ao novo marco legal do saneamento, ajudam a explicar esse cenário”, avaliou.
Reforma tributária e jornada de trabalho
A reforma tributária também esteve entre os temas abordados por Aroeira. O presidente da CBIC lembrou a atuação da entidade nas negociações com o Ministério da Fazenda e destacou os avanços obtidos para o setor. Segundo ele, a CBIC continuará acompanhando as discussões sobre a regulamentação e defendendo condições adequadas às especificidades da construção.
“Negociamos bastante com o Ministério da Fazenda e tivemos avanços importantes para a construção civil. Agora estamos discutindo a regulamentação da reforma. É uma luta que continuamos liderando”, afirmou.
Outro ponto de atenção foi o debate sobre a redução da jornada de trabalho. Aroeira alertou para os impactos que eventuais mudanças podem provocar na construção, atividade intensiva em mão de obra, e defendeu que a discussão considere os efeitos sobre produtividade, custos, organização dos canteiros e segurança jurídica das empresas.
Industrialização e produtividade
A industrialização da construção também esteve entre os temas da apresentação. Aroeira apontou que a maior industrialização dos canteiros pode contribuir para elevar a produtividade do setor e reduzir a dependência de processos intensivos em mão de obra.
Para o presidente da CBIC, avançar nesse processo é uma resposta necessária à escassez de trabalhadores enfrentada pelas empresas. A adoção de métodos construtivos mais industrializados, aliada à tecnologia e à qualificação profissional, pode trazer ganhos de produtividade, eficiência e escala para o setor.
Custos pressionam atividade
Outro desafio apresentado pelo presidente da CBIC foi a elevação dos custos da construção. O Custo da Construção Brasil, calculado pela entidade com base nos Custos Unitários Básicos (CUBs) estaduais, acumulou alta de 7,06% nos 12 meses encerrados em junho de 2026, acima do IPCA, que avançou 4,64% no mesmo intervalo.
Os materiais tiveram elevação de 7,92%, enquanto o custo da mão de obra avançou 6,33%. Alguns insumos registraram aumentos ainda mais expressivos, como o fio de cobre, cujo preço médio nacional subiu 21,35% no período.























































































