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Agência CBIC

18/05/2015

Crédito encolhe e leva junto mercado de imóveis

ECONOMIA CASA PRÓPRIA A ALTA DO JURO e a escassez de recursos para financiamento imobiliário provocam redução de lançamentos e atingem também o mercado de trabalho no Estado Um dos setores mais favorecidos pelo ciclo de crescimento atravessado pelo país nos últimos anos, a construção civil sofre agora um abalo em dois de seus principais pilares. A retração da economia e a percepção de que o desemprego tende a subir minam a confiança de quem ainda poderia se animar a adquirir a casa própria. Ao mesmo tempo, o sistema financeiro vive um momento oposto ao do passado recente, com crédito restrito e juro mais alto.

Com a redução na quantidade de empreendimentos previstos para serem construídos, o reflexo é imediato no mercado de trabalho que chegou a sofrer com um apagão de mão de obra. Conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, também nos últimos 12 meses finalizados em março, a construção civil fechou 10,3 mil vagas com carteira assinada no Rio Grande do Sul. Na Região Sul, o Estado foi o único com fechamento de oportunidades no primeiro trimestre do ano com 1.298 a menos.

Com as estruturas que sustentam a atividade comprometidas, os números exibidos pela construção deixaram a exuberância no passado. Na Capital, as vendas de imóveis novos caíram 13,73% nos últimos 12 meses encerrados em março, mostram as estatísticas do Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS). Os lançamentos também recuaram. No mesmo período de um ano, a queda chegou a 46,93% ante o intervalo anterior (veja quadro na página ao lado).

PROPOSTA PARA AMPLIAR VALOR UTILIZADO DO FGTS

O setor agora tenta negociar com o governo federal uma saída para melhorar a oferta de crédito, também mais enxuta em razão dos saques recordes na poupança recurso tradicionalmente usado devido à procura por investimentos com melhor remuneração. Primeiro, foi tentada a liberação de compulsórios recolhidos por bancos, o que poderia representar injeção de até R$ 40 milhões, mas a alternativa foi vetada pela equipe econômica por contrariar o aperto monetário para tentar conter a inflação.

Outra possibilidade seria ampliar o valor limite financiado pelos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), hoje em R$ 190 mil para Porto Alegre, por exemplo. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) teve um encontro semana passada com a cúpula do Banco Central e do Ministério da Fazenda, mas saiu da reunião com as mãos abanando. No curto prazo, não há perspectiva de melhora do mercado, avalia o presidente do Sinduscon-RS, Ricardo Sessegolo.

Não poderíamos perder esses dois fatores ao mesmo tempo. Se somarmos a baixa confiança com a falta de crédito, vamos mais para baixo alerta Sessegolo./ Zero Hora

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