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26/06/2014

Construção civil impede queda na criação de novos empregos

"Cbic"
26/06/2014

DCI Online

Construção civil impede queda na criação de novos empregos

SÃO PAULO

O que impediu uma queda no nível de ocupação na Grande São Paulo no mês passado foi a contratação de mão de obra para construção, somada ao aumento do número de empregados domésticos. Enquanto a indústria demitiu 22 mil trabalhadores na passagem de abril para maio e o comércio, 61 mil, a construção foi capaz de criar 38 mil postos de trabalho. É o que mostra a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) apurada pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgada ontem.

O setor de serviços também não fechou o mês no negativo: contratou 19 mil pessoas. Na abertura dos dados, contudo, o maior aumento no nível de ocupação do setor é verificado nos serviços domésticos (alta de 6% de um mês para outro), ainda na análise dos domiciliados na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Construção e serviços barraram um número negativo no nível de ocupação da região, que se manteve relativamente estável, com variação de -0,2%.

Na apuração que abrange seis regiões metropolitanas – além de São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife e Salvador -, o resultado não é muito diferente. O nível de ocupação total manteve-se relativamente estável em maio (-0,1%), com pressão positiva do setor de construção, que contratou 37 mil pessoas (aumento de 2,5% ante abril). O aumento da mão de obra na construção foi registrado apenas em São Paulo e Belo Horizonte em maio, suficiente para puxar o resultado geral. Comércio e indústria também demitiram na pesquisa nacional e o segmento de serviços aumentou em 0,7% sua mão de obra.

As contratações para a construção contrariam todos os indicadores setoriais, lembra o coordenador da pesquisa na Região Metropolitana de São Paulo, Alexandre Loloian. A sondagem da construção, apurada pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), mostrou ontem um recuo pelo quarto mês consecutivo na confiança do setor, no trimestre encerrado em junho. "Uma das únicas possibilidades [para explicar o resultado do emprego] é a contratação de informais na construção", disse Loloian.

Sobre o aumento do número de trabalhadores em serviços domésticos, Loloian ressalta um aspecto negativo: "serviços domésticos normalmente estão associados à falta de alternativa no mercado de trabalho, principalmente para mulheres".

Enquanto serviços seguem com mão de obra no terreno positivo e construção surpreende, do lado negativo está a esperada retração na indústria e, como destaque, o comércio e reparação de veículos automotores. No ano, o comércio acumula queda de 7,7% na ocupação na RMSP. "O que preocupa é o desastre do comércio", ressalta Loloian.

Junto com a indústria, que demitiu 135 mil pessoas entre dezembro e maio, o comércio puxa para baixo o resultado do ano. De dezembro a maio, o nível de oNa análise das seis regiões, o comércio demitiu 89 mil pessoas na passagem de abril para maio.



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