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11/03/2011

Construção atrai nordestinos no Pará

 

11/03/2011 :: Edição 054

Jornal Valor Econômico/BR   |   11/03/2011

construção atrai nordestinos no pará

Marli Lima

Quando José Elton Pereira recebeu convite para trabalhar na construção civil em Curitiba, a reação
foi imediata. Onde que é isso?, perguntou ele, que nasceu em São João, no
Piauí, e já havia procurado emprego em Brasília e em São Paulo. Ele desembarcou
na capital paranaense em setembro e, em janeiro, trouxe dois amigos, com os
quais divide uma casa. Mas o rapaz solteiro, de 28 anos de idade, não está à
vontade na cidade. A moda daqui é diferente. A balada é outra, diz.

Osnildo de Oliveira Roseno, 27 anos, deixou a mulher em Icó, no Ceará, e
veio atrás da oportunidade de atuar como carpinteiro no Sul, depois de ter
tentado o mesmo em São Paulo. Aqui é melhor. Tem menos correria, diz, sem
esconder o desejo de ficar pouco tempo, porque vai ser pai em agosto. Ele hoje
mora em um alojamento com outros 15 colegas, entre eles José Vicente Leandro,
42 anos, também de Icó, que planeja trazer a família que deixou na capital paulista
e também os amigos. Quem tem conhecido na região, vai chamar para vir para cá,
opina ele, que veio para trabalhar na construtora Gafisa há sete meses e agora
está na construtora Plaenge.

São Paulo sempre foi o Estado que mais atraiu cidadãos do Nordeste em busca
de oportunidades de emprego e renda. Eles também chegaram ao Paraná no passado,
principalmente para trabalhar na agricultura. O que se vê agora é o movimento
de empresas e empreiteiros que vão até outros Estados atrás da mão de obra que falta
no Sul. Alguns desses trabalhadores já deixaram o Nordeste anos antes e estão
aceitando fazer uma nova mudança. Outros são buscados na origem.

Um dos responsáveis por contratar nordestinos para trabalhar no Paraná é
Evandro Freitas, encarregado de obras de uma empresa em Campinas, a A.S.
Serviços de Construção Civil, e que foi
chamado pela construtora paranaense Plaenge para ajudar a erguer prédios em
Curitiba. A gente já conhece o pessoal do Nordeste que tem experiência e vai
buscar, explica ele, que também deixou Icó em 1986. Freitas vive há seis meses
na cidade e já trouxe 16 pessoas de fora, número que planeja aumentar para 46
em dois meses.

Falta gente, diz Fernando Fabian, diretor e um dos sócios da Plaenge, que
tem sede em Londrina (PR), faturou R$ 1 bilhão no ano passado, e vai precisar
de mais gente para atingir o objetivo de crescer 50% em 2011. O empresário
conta que o problema de falta de mão de obra é maior em duas cidades em que a
empresa atua, Curitiba e Cuiabá (MT). Mas ainda não há o movimento de
nordestinos para o Centro-Oeste.

Não é só na construção civil
que as empresas encontram dificuldade para contratar pessoal no Paraná. A
prefeitura de Curitiba tem organizado feiras em uma praça central da cidade
para que as empresas divulguem suas vagas e disputem os que vão até o local
interessados em emprego com carteira assinada. Representantes das áreas de
recursos humanos de supermercadistas estão sempre presentes. No interior do
Estado, cooperativas têm recorrido à contratação de índios e presidiários em
regime semiaberto para manter o quadro que precisam em seus frigoríficos de
aves.

A Plaenge possui 1,6 mil empregados e, segundo Fabian, o número de
terceirizados chega a quatro vezes isso. A importação de pessoal de várias
cidades teve início há dois anos e há seis meses começaram a chegar
trabalhadores do Nordeste, diz. A construtora montou uma escola de construção e
está começando a treinar a segunda turma de pedreiros. Também decidiu
incentivar mulheres com a formação de azulejistas. Quer formar 400
trabalhadores até o fim do ano e distribui panfletos nas obras para encontrar
os futuros alunos.

Enquanto isso, em dois dos 16 canteiros de obras mantidos pela Plaenge em
Curitiba, os nordestinos atendem por dois nomes, Paraíba ou Ceará. É comum
ouvir no local alguém dizer pra levar alguma coisa que o Paraíba está
precisando. Outro nome bastante citado é Ricardão, uma provocação para os que
deixaram mulher em outro Estado. No Ceará, chamamos de Zé da Bodega, comenta
Antonio Nunes da Silva, 45 anos, que nasceu no Piauí e morou por 25 anos em São
Paulo, onde ainda vivem a ex-mulher e dois filhos. Vim conhecer um lugar
diferente, diz, em uma manhã de chuva fina. Se o frio atacar, vou ter de correr
atrás de alguém, responde, ao ser questionado sobre o clima de Curitiba.

A proximidade do inverno preocupa os engenheiros que acompanham a rotina dos
novos trabalhadores. Vão enfrentar o primeiro inverno curitibano, lembra a
engenheira Marilucia Oliveira, que demorou três meses para contratar um servente
de pedreiro, oferecendo salário de R$ 720 mais refeição. Outro engenheiro,
Marcelo Campiolo, explica que há falta de serventes porque, sempre que um vai
bem na profissão, acaba sendo treinado para outras funções.

Tanto patrão como empregados dizem que o preço por metro quadrado de serviço
executado é parecido no Paraná ou em São Paulo. Longe da família e vivendo em
alojamento, os trabalhadores importados passam o maior tempo na obra e ficam em
casa apenas no domingo.

Esli Carvalho Lopes, 19 anos, solteiro, aceitou o desafio de mudar de Estado
para ser servente. Ele é de Abreulândia, no Tocantins, e chegou em dezembro com
a intenção de ficar um ano. Mas já chamou um irmão, que está querendo vir. Lá é
fraco de serviço. O engenheiro Adriano Sovierzoski diz que hoje conta com 80%
de trabalhadores de Curitiba e 20% de fora, em especial do Nordeste, no
canteiro onde vai erguer um edifício, no bairro Campo Comprido. Mas ele
acredita que a relação vai mudar com o avanço da obra. Devemos ter uma relação
quase inversa, com 60% de gente de fora, diz.


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