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02/05/2011

(Coluna Panorama Econômico) Mãos à obra

"Cbic"
 
02/05/2011 :: Edição 088

Jornal O Globo/BR – 30/04/2011

(coluna panorama econômico) mãos à obra

Miriam Leitão

O mercado imobiliário está
pressionado por gargalos: falta de mão de obra; grandes centros sem terrenos;
infraestrutura precária em áreas afastadas; cartórios superlotados; preços de
imóveis de alta renda subindo e os de baixa renda com limites. A alta da
inflação e a dos juros tiram renda das famílias e encarecem financiamentos,
apesar de o crédito imobiliário
não ser ligado diretamente à Selic.

Executivos de algumas das principais construtoras do país são unânimes em
afirmar que o ritmo de crescimento do seu próprio mercado deveria ser mais
lento. O preço dos terrenos subiu muito, os reajustes de salários estão sendo
sempre acima da inflação, os fornecedores estão esgotando sua capacidade de
atender à demanda, os cartórios não conseguem processar a papelada. Tudo ajuda
a aumentar os custos.

Há uma distorção entre os segmentos de alta e média renda em relação aos de
baixa renda. Os preços dos imóveis de maior renda têm tido forte aumento, mas
no mercado de baixa renda os preços não podem subir porque, do contrário,
perderão benefícios e linhas de financiamento. Há impedimentos burocráticos,
mesmo que os custos fiquem mais altos, como explica o presidente da MRV
Engenharia, Rubens Menin:

– Há um teto de preço para o mercado de baixa renda, imposto pelo Fundo de
Garantia, pelo número de salários mínimos, pelo Minha Casa, Minha Vida. A MRV é a única construtora brasileira
100% focada em baixa renda. Esse é um setor que não permite erro, é tudo
contado, não pode ter inconsistência. Por isso, preferimos correr em ritmo de
maratona. O ideal é que o crescimento seja moderado, por um período mais longo
– afirmou.

O presidente da Câmara Brasileira da
Indústria da Construção
(CBIC),
Paulo Simão, constata que os
gargalos já estão obrigando as construtoras a reduzir o ritmo de lançamentos em
todos os segmentos. Ele prevê que o crescimento do setor este ano desacelere de
11,5%, em 2010, para cerca de 6%:

– O setor passou a andar rápido demais, mas por bons motivos: novo marco
regulatório, abertura de crédito, a atenção dada ao setor por agentes
financeiros, nova massa de consumidores. Então quando as amarras se soltaram,
foi forte demais num primeiro momento. Há gargalo de mão de obra, terrenos,
burocracia, acúmulo de problema nos cartórios.

Rogério Jonas Zylbersztajn, vice-presidente da Cyrela, acha que está
acontecendo no mercado imobiliário
o mesmo que em outros setores da economia brasileira:

– Estamos lidando com gargalos em vários setores, não é só na construção civil. É assim no mercado
de telefonia, nos aeroportos, nos hotéis, é gargalo para tudo quanto é lado. De
mão de obra, por exemplo, é geral. A Cyrela nunca havia atrasado obra e agora
está atrasando. E não somos só nós, mas todas as construtoras. Como bater uma
estaca se não há estaca para comprar? Você abre processo de concorrência e
fornecedores preferem não participar porque sabem que não conseguirão produzir.
Nunca havia visto isso acontecer. A compra de elevadores, por exemplo, está
atrasando. Tudo isso gera uma preocupação muito grande porque ninguém sabe como
esse tipo de problema será resolvido.

A falta de mão de obra é vista como o maior gargalo. Rubens Menin, da MRV,
explica que a produtividade aumentou muito nos últimos anos. Isso dificulta
ganhos de escala por esse meio. Ele cita que em 2004, por exemplo, eram
necessários 12 trabalhadores para construir um apartamento em um mês. Hoje,
sete dão conta do recado. Rogério Jonas, da Cyrela, diz que nem mesmo no
Nordeste encontra-se mão de obra disponível para treinamento.

A mesma avaliação é feita por Alexandre Dinkelmann, diretor de RI da
Brookfield Incorporações:

– O principal desafio, a meu ver, está na mão de obra, principalmente a
semiqualificada, como pintores, carpinteiros, bombeiros hidráulicos. A
aprovação de documentos por parte de órgãos públicos também não está
acompanhando o crescimento do setor. O ciclo de entrega de documentos está
ficando mais longo – disse.

Uma das opções para a falta de terrenos nos grandes centros seria a
construção em áreas mais afastadas, mas aí as construtoras encontram novas
barreiras, pela falta de planejamento urbano.

– Falta de tudo, desde transporte para as pessoas a redes de água, esgoto,
luz – diz Menin.

A alta da inflação e dos juros são vistos pelo mercado financeiro como
entrave, mesmo que o crédito
imobiliário
não responda diretamente à Selic. O Imob, índice que mede os
papéis das construtoras, apresenta queda de 7% este ano. Algumas sentiram mais
os efeitos, como Cyrela (-21%), Gafisa (-16,5%) e RMV (-11%), enquanto outras
tiveram valorização, como Brookfield (6,79%) e Rossi (1,76%).

– O mercado faz uma ligação muito grande entre aumento de juros e inflação e
mercado imobiliário. O setor é
muito dependente de crédito e se
o consumidor entender que não tem como fazer um financiamento que vai durar 25
anos, ele posterga a decisão de compra – disse Armando Halfeld, analista de construção civil da Ativa
Investimentos.

O INCC (Índice Nacional da Construção Civil), medido pela FGV,
subiu 7,4% nos 12 meses terminados em março, acima do IPCA. O índice já sente
os acordos salariais fechados em cada grande centro. No Rio de Janeiro houve
alta de 7,5%, enquanto o piso subiu entre 9,5% e 10,5%. Em Salvador, houve
dissídio de 9,47%.

– O que o setor viveu de 2008 para cá não é confortável, principalmente no
que se refere à mão de obra. O aumento dos custos reflete a evolução dos
salários. O mercado está difícil, de forma generalizada – disse Ana Castelo,
responsável pela pesquisa do INCC,
da FGV.

O mercado imobiliário ficou
muito tempo parado e quando começou a crescer encontrou limites. Os empresários
do setor não sabem ainda como removê-los.




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