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AGÊNCIA CBIC

21/11/2013

Casa própria mais cara

"Cbic"
21/11/2013

Estado de Minas

Casa própria mais cara

Elevação dos juros muda a taxa que corrige financiamentos habitacionais e pesa nas prestações. BC pode usar redutor para evitar o encarecimento do crédito imobiliário

Victor Martins e Paulo Silva Pinto

Brasília — A fatura da casa própria está mais pesada. Com a alta dos juros básicos da economia (Selic), um dos índices que corrige  os contratos de financiamento imobiliário, a Taxa Referencial (TR), tem deixado a conta de famílias e trabalhadores maior. O saldo devedor dessas operações, no entanto, ainda não parou de crescer. Enquanto o Banco Central der continuidade ao processo de aperto monetário, que este ano levou a Selic de 7,25% ao ano em março para 9,50% em outubro, o sonho de ter uma moradia ficará mais caro. Em um empréstimo de R$ 300 mil, que sofreu reajuste em 5 de novembro, o incremento chegou a R$ 283,86 pela TR. Se o juro do banco foi de 10% ao ano, o aumento total chega a quase R$ 30,3 mil em 12 meses.

Na tentativa de amenizar o custo de vida para os brasileiros, a alta dos juros promovida pelo BC impactou não apenas as prestações da casa própria, atingiu também as do carro novo e do crediário. A Taxa Referencial (TR), que até julho não passava de zero, vem pesando cada vez mais nas contas domésticas. "Tudo vai depender do tamanho da operação e do prazo do financiamento. Quanto maior o valor, mais forte é o impacto", ponderou Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor do BC. Terça-feira, por exemplo, a TR foi de 0,0785%. Um saldo devedor de R$ 100 mil, em função dessa taxa, cresceu R$ 78,50 no mês.

O consumidor, alertam os especialistas, quase nunca percebe esses aumentos porque olha apenas para a prestação, que dissolve o valor ao longo do ano. Ao analisar o financiamento a fundo, porém, é possível observar como os juros são muito superiores à amortização. Em função disso, para quem contratou um financiamento pela tabela SAC (Sistema de Amortização Constante), é vantajoso adiantar prestações e, se possível, usar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abater o saldo devedor.

Paulo Simão Safady, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), afirmou que ainda não há motivo para desespero e que o impacto da TR ainda é pequeno. "É baixo, mas a gente sabe que se houver uma mudança nos juros interbancários a tendência é aumentar um pouco", disse. A TR é calculada com base nas taxas dos Certificados de Depósito Bancário (CDB) das 30 maiores instituições financeiras no país. Se a Selic sobe, o custo desse produto financeiro também. O governo, no entanto, usa um redutor para amenizar o crescimento do índice quando julga necessário.

"Temos de esperar. Não sei como está a cabeça do BC, mas, se houver realmente uma disparada dos juros, a TR vai subir e permanecer alta por um tempo", argumentou. Ele observou, no entanto, que o governo está atento para essa questão e não deve permitir um encarecimento forte do crédito imobiliário, um setor estratégico para a economia.

A TR, explica o economista José Dutra Vieira, professor de matemática financeira, leva em conta em sua fórmula o número de dias úteis, no período de um mês, a partir da data de referência. Assim, em alguns dias, o consumidor pode ter a sorte da TR zerada. Isso, porém, tem sido cada vez menos frequente e tende a acabar. Vieira alerta ainda que tentar prever o valor exato da taxa do próximo aniversário é perda de tempo. "O cálculo é absurdamente complexo", criticou Vieira. Oportunidade O educador financeiro Reinaldo Domingos explica que aumentos nas prestações devem ser encarados como oportunidade para o consumidor rever a sua vida financeira. "Outra razão para esse esforço é o fato de estarmos no fim do ano. As famílias devem saber para onde vai cada centavo do que gastam", afirmou.

Esse planejamento, orienta o especialista, precisa levar em conta o fato de que as perspectivas para a economia no próximo ano são pouco animadoras. "O carnaval será em março, atrasando o início de várias atividades e projetos. Além disso, há a Copa. Com tudo isso, será um ano mais curto que o atual. Não se deve esperar que as coisas fiquem mais fáceis, sobretudo no caso do comércio", previu. Domingos acha que, com as taxas em vigor hoje, ainda é possível para o consumidor

endividado trocar o financiamento de um banco por outro mais em conta. "É preciso recorrer à portabilidade", recomendou. O economista Samy Dana, professor da Fundação Getulio Vargas, também alerta o consumidor que está endividado para as perspectivas de turbulências, sobretudo por conta das taxas de juros. "A inadimplência está aumentando e mesmo quem paga as prestações em dia acaba por ser punido com taxas maiores."
 

(Publicado também no Correio Braziliense)



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