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AGÊNCIA CBIC

21/10/2026

“Brasil não está na beira do precipício”, avalia Joaquim Levy sobre situação fiscal do Brasil em evento da CBIC

Para debater o cenário econômico e fiscal brasileiro e como ele impacta o setor da construção, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) promoveu nesta quarta-feira (21), um encontro com especialistas no seu canal no YouTube. O diretor de Estratégia Econômica e Relações com Mercados do Banco Safra, Joaquim Levy, analisou as perspectivas para a economia e defendeu a redução da taxa básica de juros (Selic) como condição para estimular os investimentos e fortalecer o setor privado.

Na avaliação de Levy, apesar dos desafios fiscais, o país não enfrenta uma situação de iminente ruptura econômica. “A ideia de que a gente está na beira do precipício fiscal não é exatamente correta. A gente tem um problema da rigidez do orçamento, mas não está à beira de quebrar”, afirmou. O economista ressaltou, no entanto, a necessidade de disciplina fiscal e de medidas estruturais para garantir a sustentabilidade das contas públicas nos próximos anos.

O especialista destacou a redução da Selic como um dos principais desafios da política econômica. Para ele, o ajuste fiscal e a construção de uma trajetória crível para as contas públicas podem contribuir para a queda dos juros e a retomada do crescimento. “Baixar a Selic não só é essencial para a sobrevivência das empresas, como vai ser um grande impulso para o setor privado brasileiro”, declarou. Levy defendeu um plano fiscal plurianual, com metas claras e medidas graduais, sem cortes abruptos que comprometam a atividade econômica.

Outro ponto de atenção é a redução do espaço para o crédito direcionado e subsidiado. Segundo Levy, setores como a construção vão precisar ampliar o acesso ao mercado de capitais e buscar alternativas às fontes tradicionais de financiamento. No crédito imobiliário, ele chamou a atenção para os limites da poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como fontes de recursos. “Você vai ter que ir para o mercado, para as taxas de mercado. E, portanto, essas taxas vão ter que convergir para um nível que seja sustentável”, afirmou.

Diante desse cenário, Levy apontou a securitização como uma alternativa para ampliar as fontes de financiamento imobiliário, a exemplo do que já ocorre nos setores de infraestrutura e agricultura. A mudança, segundo ele, será importante para garantir recursos suficientes à expansão dos setores produtivos, especialmente em um contexto de menor disponibilidade de crédito subsidiado pelo governo.

“O Brasil não precisa de cortes, só precisa de disciplina. Independente de quem ganhar (as eleições presidenciais), qualquer que seja o gato vai ter atrás desse rato. As coisas que podem ser alcançadas desde que haja foco”, sugeriu o especialista.

Na abertura do encontro, o presidente da CBIC, Eduardo Aroeira, destacou a importância do tema para o setor e para a sociedade. “O tema fiscal é fruto de discussões diárias na CBIC porque afeta o setor e a vida das pessoas”, afirmou.

Também participaram do encontro Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC, Filipe Pontual, diretor executivo da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP) e o estatístico José Fernando Pereira Gonçalves, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC/COINP) no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para assistir a live completa clique aqui

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