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Agência CBIC

26/06/2019

Artigo: Os avanços tecnológicos e a requalificação urbana

 

Maria Henriqueta Arantes Ferreira é arquiteta e urbanista. Consultora técnica da CBIC é pioneira e uma das mais importantes especialistas sobre o FGTS.

 

 

A Requalificação difere da Revitalização e do Retrofit. Enquanto o Retrofit se caracteriza por reformar um edifício, inclusive com mudança de uso/função, a Revitalização é mais completa, abrangendo também a melhoria física do ambiente urbano em uma dada área. Já a Requalificação vai mais além, buscando conferir ao ambiente urbano de uma região um desempenho otimizado para o conforto e felicidade de seus usuários.

Os avanços tecnológicos, as inovações, já chegaram e, com eles, a mudança de costumes e hábitos. No comércio, o e-commerce ganha espaço de forma acelerada. Como reflexo, os lojistas passam a precisar mais de galpões para estoque e menos de lojas para exposição de mercadoria. Muda o projeto físico das lojas, muda a opção de localização e interfere no ambiente urbano. Podemos dizer que os empregos migraram também, de vendedores para estoquistas ou para a área de tecnologia. Essas mudanças já ocorrem e tendem a acelerar. Eram os centros das cidades concentradores das lojas, foram substituídos por espaços em locais mais nobres das cidades, que foram seguidos por shoppings, que também estão em processo de remodelação para adaptação aos tempos do e-commerce.

Na indústria, já vislumbramos o ciclo 4.0. A robotização já é uma realidade, com maior ou menor avanço, dependendo do setor. Também essas transformações interferem na dinâmica das cidades, que passam a necessitar de colaboradores mais qualificados e menor espaço físico. Surgem as empresas de logística, que encurtam as distâncias entre a indústria e o comprador. Muda o fluxo das mercadorias produzidas, que reduzem o percurso, não mais passam pelas lojas sem, contudo, dispensá-las do processo.

A maior revolução ocorre na habitação. O conceito de ser proprietário vem sendo substituído pelo de ter o uso do imóvel, copiando modelos que já estão internalizados do uber, do e-commerce ou e-food.  As famílias são menores, muitas delas unifamiliares, formadas por jovens independentes, divorciados, idosos. As mulheres trabalham fora de casa. A disponibilidade de equipamentos para uso doméstico cada vez mais inteligentes, permitindo controle à distância, veio para permitir acomodar todas as necessidades de mudança de rotina da “nova família”.

Esses avanços de tecnologia também passam a permitir o trabalho em casa, interferindo na organização de novos espaços que acontecem na área privativa da habitação ou em áreas de compartilhamento. Aliás, o compartilhamento de serviços ganha espaço. Eram casas, viraram apartamentos que tendem a diminuir seu espaço físico e mudar as funções. Garagem, que eram indispensáveis, passam a não ser mais. Outras modalidades de transporte atendem melhor: bicicletas/ciclovias, patinetes elétricas, Uber – daqui a pouco, veículos pequenos, elétricos e sem motorista. O reflexo sobre o trânsito das cidades é obvio.

Os equipamentos de serviço para saúde, educação e lazer são afetados pelas alterações dos hábitos e costumes dos usuários. Ganham importância. As escolas tendem a assumir horário integral, a saúde, com apoio da tecnologia, passa a fazer atendimentos à distância, as áreas e locais de lazer tendem a ampliar-se.

Nas grandes cidades a disfunção de espaços urbanos são mais perceptíveis do que nas cidades menores. Na nossa opinião, a disfunção das cidades acelera a degradação de áreas urbanas consolidadas, que tendem à ampliação. Nesse sentido, a requalificação entrará na pauta do desenvolvimento urbano sustentável.

A vantagem da Requalificação Urbana, do ponto de vista social, está na recriação do ambiente e da dinâmica urbana, potencializando o bem-estar dos cidadãos. Do ponto de vista da cidade, moderniza a gestão e recupera áreas que já tenham infraestrutura, evitando a expansão do perímetro urbano. Do ponto de vista econômico, gera ambientes adequados ao crescimento da produtividade, melhorando a arrecadação municipal.

*Artigos divulgados neste espaço, não necessariamente correspondem à opinião da entidade.

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