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AGÊNCIA CBIC

17/09/2025

Artigo – Estresse térmico – Fundacentro publica nova edição da NHO 06 para avaliar exposição ocupacional ao calor

Artigo por José Augusto da Silva Filho – Consultor Técnico em Segurança e Saúde no Trabalho, Consultor Técnico da Revista Proteção, |Certificado pela Exemplar Global Inc. RABQSA International nas ISO 45001:2018, ISO 45002:2018, ISO 45003:2021, ISO 19011:2018 e ISO 31001:2018 (Gestão de Riscos).

 

A terceira edição da NHO 06 (Norma de Higiene Ocupacional 06), publicada neste ano pela Fundacentro, traz atualizações importantes no que diz respeito à avaliação da exposição ocupacional ao calor. Essa nova versão revoga a edição anterior e introduz melhorias significativas tanto em aspectos técnicos quanto metodológicos.

Ela está relacionada à exposição ocupacional ao calor em ambientes internos ou externos, com ou sem carga solar direta, em quaisquer situações de trabalho que possam trazer danos à saúde dos trabalhadores.

Neste artigo destacamos os principais pontos de mudança e inovação trazidos nesta atualização como a inclusão do “Monitor IBUTG” como ferramenta oficial; a melhoria na estruturação dos GES (Grupos de Exposição Similar); a atualização dos procedimentos de medição; a possibilidade de simulação de condições térmicas; a revisão nos critérios de cálculos e interpretação dos resultados e registro complementar necessário.

Inclusão do “Monitor IBUTG”

Sua inclusão como ferramenta oficial é uma das inovações mais relevantes. O recurso foi desenvolvido pela Fundacentro, e permite estimar o IBUTG (Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo) em áreas rurais a céu aberto sem fontes artificiais de calor.

O Monitor IBUTG pode ser utilizado complementarmente, como apoio às medições realizadas com equipamentos tradicionais, especialmente em áreas extensas e com necessidade de monitoramento contínuo (das 8h às 17h) e alternativamente, quando não for possível realizar medições in loco. Além disto, fornece previsões para os sete dias seguintes, facilitando o planejamento de atividades laborais e a implementação de medidas preventivas ou corretivas. O acesso é por navegador web ou aplicativo para dispositivos móveis (iOS e Android).

Melhor estruturação dos GES

A nova NHO 06 detalha de forma mais rigorosa os critérios para definição dos GES (Grupos de Exposição Similar). Esta abordagem visa otimizar a representatividade das avaliações sem comprometer a confiabilidade dos resultados. Destacam-se:

• A necessidade de documento específico que justifique a criação do GES, com critérios utilizados e a listagem nominal dos trabalhadores.

• Reconhecimento de que o GES não necessariamente coincide com cargos ou setores, sendo definido com base em semelhanças reais nas condições de exposição.

• Avaliação por GES deve utilizar estratégias de amostragem e considerar a variabilidade térmica durante diferentes turnos ou atividades operacionais.

Atualização dos procedimentos

Procedimentos de medição foram ampliados e reorganizados para garantir maior precisão e representatividade. Atualizações importantes incluem:

• Verificações obrigatórias nos equipamentos, como calibração adequada, integridade física, carga da bateria e condição do pavio (bulbo úmido).

• Conduta do avaliador deve evitar interferências na medição, como posicionamento inadequado ou bloqueio da fonte de calor.

• Medições devem ser feitas somente em condições térmicas representativas descartando dados coletados sob influência de nuvens ou em períodos de temperaturas amenas.

• Reforço para a importância da estabilização das leituras exigindo ao menos cinco valores consecutivos com variação inferior a 0,4°C para considerar os dados válidos. Situações térmicas com variações rápidas (como em veículos sem arcondicionado) devem ser avaliadas com amostragem intensiva recomendando-se no mínimo 20 medições em 60 minutos.

Simulação de condições térmicas

Para situações de curta duração (como uso intermitente de maçaricos ou abertura de fornos), a norma permite a simulação controlada dessas condições para permitir a estabilização do conjunto de medição. Isso assegura a viabilidade de análise de exposições que, de outra forma, seriam difíceis de capturar.

Revisão nos critérios de cálculo e interpretação dos resultados

A norma mantém o uso das equações tradicionais para o cálculo do IBUTG, mas reforça que a análise deve considerar: o IBUTG médio ponderado no tempo; o IBUTG pontual máximo, representando o pior momento da exposição; a média da taxa metabólica (W) durante o período de 60 minutos mais desfavorável.

Dependendo da combinação entre IBUTG e IBUTG pontual max, a exposição pode ser classificada como aceitável ou inaceitável, sendo obrigatória a adoção de medidas de controle nos casos em que os limites são ultrapassados, mesmo que não representem a condição mais desfavorável.

Registro complementar

Além dos aspectos mencionados a nova NHO 6 orienta para a necessidade de registro complementar em que sejam informados dados sobre os seguintes aspectos:

• Tempo de duração da atividade (determinado por cronometragem de no mínimo três observações);

• Descrição da operação: colheita manual, transporte de cestos;

• Observações de vestimenta e EPIs (Ex: calça, camisa de manga longa, chapéu de palha e luvas);

• Condições térmicas associadas ao esforço (ex: céu limpo, radiação solar direta, leve brisa).

Esse valor da taxa metabólica será utilizado em conjunto com o IBUTG médio ponderado, calculado para o ciclo de exposição, conforme descrito no item 8 da norma, para interpretar o risco de estresse térmico e definir a necessidade de medidas de controle.

NORMAS

O texto normativo revisado é resultado da experiência profissional de seus autores, de estudos e consultas em documentação técnica nacional e internacional. Em relação às referências técnicas ou normativas utilizadas como base os autores alertam que os usuários devem estar atentos à publicação de edições atualizadas ou de outras que venham substituí-las. Entre elas, estão:

• ISO 7243 (2017): Hot environments – Estimation of the heat stress on working man, based on the WBGT- -index (wet bulb globe temperature), (Ambientes quentes – Estimativa do estresse térmico no trabalhador, com base no IBUTG)

• ISO 7726 (1998): Ergonomics of the thermal environment – Instruments for measuring physical quantities (Ergonomia do ambiente térmico – Instrumentos para medição de grandezas físicas);

• ISO 8996 (2021): Ergonomics of the thermal environment – Determination of metabolic rate (Ergonomia do ambiente térmico – Determinação da taxa metabólica);

• Criteria for a recommended standard: Occupational exposure to heat and hot environments. NIOSH 1986, 2013 (Draft) e 2016 (Critérios para padrão recomendado: Exposição ocupacional ao calor e ambientes quentes);

• ACGIH heat stress and strain: TLV(R) Physical Agents 8th edition – Documentation (2022) (Estresse e deformação por calor da ACGIH: Agentes Físicos TLV(R) 8ª edição – Documentação).

AVANÇO

A edição 2025 da NHO 06 representa avanço significativo na proteção dos trabalhadores contra o estresse térmico. A incorporação de novas tecnologias, como o Monitor IBUTG, aliada a critérios mais robustos para amostragem, medição e definição de grupos de exposição reforça o compromisso da norma com a Saúde Ocupacional baseada em evidências.

A atualização exige atenção redobrada dos profissionais de SST, especialmente na aplicação prática dos novos critérios e na documentação exigida para conformidade com a norma. A correta implementação dessas diretrizes pode representar a diferença entre uma gestão de risco eficiente e a exposição indevida dos trabalhadores a ambientes potencialmente perigosos.

Para acessar o Monitor IBUTG – Avaliação da Exposição Ocupacional ao Calor é necessário baixar o aplicativo acessando https://bit.ly/43TBFD2. Para Android: https://bit.ly/3ZuSEt9 e para IOS: https://bit.ly/3SYfKV7 

Artigo publicado originalmente na edição de setembro da Revista Proteção 

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