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03/01/2011

A construção do futuro

CBIC Clipping

03/01/2011 :: Edição 035

Revista Istoé Dinheiro/BR|   /02/01/2011

A construção do futuro

Por que a infraestrutura será a área crucial para manter o Brasil na rota do crescimento e uma das principais preocupações do governo de Dilma Rousseff

 Por Crislaine Coscarelli e Érica Polo

 O segundo semestre mal havia começado e o porto de Santos já batia recordes. Mas, ao contrário do que se imagina, os números não eram positivos. No dia 2 de agosto, 119 navios esperavam em uma fila para atracar no porto numa lentidão que ultrapassou 30 dias. Detalhe: o máximo aceitável seria de 15 embarcações na espera.

 Esse gargalo não foi causado por alguma greve e muito menos por falta de funcionários. O real motivo foi a falta de infraestrutura. Esse é apenas um exemplo entre tantos outros que se espalham em setores vitais para a economia, como o de energia, o aeroportuário, o rodoviário… Segundo um estudo da FGV, o PIB do Brasil poderia ser entre 12% e 15% maior que o atual caso os investimentos em infraestrutura tivessem sido feitos nos últimos 25 anos.

 Em valores atuais, a diferença seria equivalente a uma geração de riqueza de R$ 460 bilhões ao ano. Por isso mesmo a infraestrutura será um dos grandes desafios do governo de Dilma Rousseff. A "mãe" do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que durante o governo Lula coordenou investimentos de R$ 444 bilhões neste segmento, deverá agora dar continuidade a esses programas, mas com um agravante: o aperto monetário. Com a necessidade de manter a taxa de juros elevada para controlar a inflação, o principal desafio da nova líder nacional, na opinião de empresários e especialistas no assunto ouvidos por DINHEIRO, será garantir que os investimentos do setor privado se intensifiquem. "O governo terá que encontrar uma fórmula que não desestimule investimentos. Esse equilíbrio será o desafio", afirma Sérgio Leme, presidente da Dedini Indústrias de Base.   Um estudo realizado pela LCA Consultores prevê que, até 2022, o Brasil deverá investir mais de R$ 2 trilhões somente em projetos de infraestrutura. A pergunta que surge diante de tamanho montante é inevitável: de onde virá esse dinheiro?

 "O BNDES é a principal e quase única fonte de crédito para investimentos em infraestrutura no País", diz Eduardo Bernini, ex-presidente da Eletropaulo e sócio da Tempo Giusto Consultoria. "A instituição vem cumprindo seu papel. Mas, sozinha, não dará conta do volume de aportes necessários não só para energia, mas para projetos de infraestrutura em todas as áreas", continua. O governo parece ter parte da solução. No dia 15 de dezembro, foi anunciado um pacote de incentivos de R$ 13 bilhões para empresas privadas que invistam em infraestrutura. Companhias criadas para investir em estradas, hidrelétricas, por exemplo, pagarão menos impostos. Outra medida foi prorrogar até dezembro de 2011 a desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de caminhões, picapes e bens de capital.

 O objetivo é garantir que haja recursos disponíveis para grandes obras sem que o Tesouro Nacional se veja obrigado a fazer aportes bilionários no BNDES, como vem acontecendo. Nos últimos dois anos, o governo destinou quase R$ 200 bilhões para o banco de fomento. Para a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), as medidas vão criar um ambiente propício para concretizar vários projetos de infraestrutura que estavam no papel. "Esse era, sem dúvida, um dos principais gargalos, que agora deve ser bem equacionado", diz Paulo Godoy, presidente da entidade. A Abdib projeta que, até 2014, por conta da organização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, além de vários outros projetos já programados, o Brasil deve atingir um nível de investimento acima de R$ 160 bilhões por ano em infraestrutura. Isso reforça a necessidade de acelerar fontes de crédito alternativas para complementar os desembolsos do BNDES. "Nenhuma nação conseguiu atingir patamar de bem-estar social e desenvolvimento econômico de forma sustentável sem investimento maciço em energia, transportes, saneamento e telecomunicações”, diz Godoy.
 
 O Brasil de hoje, um País que é visto como potência aos olhos do mundo, não pode se dar o luxo de agir lentamente. "O Brasil não tem mais estrada, não tem mais porto, não tem mais espaço aéreo. É preciso encontrar uma forma de intensificar rapidamente os investimentos em infraestrutura ou vamos parar", afirma Marcus Elias, sócio da Laep, empresa com participação na Lácteos do Brasil. Outro tema que deverá ser estudado com atenção pela equipe de Dilma é o estabelecimento de marcos regulatórios, sobretudo nos setores aéreo e portuário. Esta é, inclusive, a principal reivindicação de grande parte do empresariado brasileiro e que será apresentada pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) em carta aberta destinada à presidente já no mês de janeiro. "Em energia, as regras estabelecidas depois do apagão de 2002, por exemplo, animaram investidores.Elas proporcionaram segurança jurídica", exemplifica Manuel Carlos de Lima Rossito, diretor da Fiesp. O documento elaborado pela entidade ressalta ainda que a participação da iniciativa privada nos projetos de transporte, energia, petróleo e gás, telecomunicações e saneamento, até 2022, ainda é baixa. Para se ter uma ideia, para cada R$ 1 de investimento público no setor de transportes, apenas R$ 0,28 veem do setor privado ou misto. Para modernizar e expandir os modais de transporte nos próximos 12 anos, a estimativa é de que a proporção de investimentos privados suba para R$ 3,35, de acordo com a avaliação da Fiesp. Problemas de gestão também são apontados como cruciais para a criação dos gargalos. "Quem precisa movimentar cargas reclama também dos processos burocráticos e aduaneiros, que são morosos, complicados e custosos", afirma Paulo Fleury, diretor-geral do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos).   Uma pesquisa realizada pela instituição, no primeiro semestre deste ano com 300 empresas do setor logístico mostrou que a infraestrutura é avaliada como regular, com média de 5,2 em uma escala que vai até 10.

O modal aéreo – acreditem – foi o que tirou a melhor nota, com 6,6 e o ferroviário obteve a menor, 4,2. "O setor ferroviário ficou abandonado por mais de duas décadas, mas o governo Lula retomou os investimentos. A década que está se iniciando será, sem dúvida, a melhor para o setor", afirma Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer). Pelo visto, otimismo não falta entre os empresários, assim como não faltará trabalho para a nova presidente.

 Crislaine Coscarelli e Érica Polo 

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