AGÊNCIA CBIC
Indústria da construção registra pior desempenho nos últimos quatro anos
O setor da construção civil foi um dos segmentos com o pior desempenho nos últimos quatro anos. Essa afirmativa foi apontada pelo economista do Sinduscon/MG e coordenador do Banco de Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Daniel Furletti, durante o painel “Conjuntura Econômica Nacional e Construção Civil – Desempenho e Perspectivas”, debatido no 90º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), que aconteceu em Florianópolis/SC, entre os dias 16 e 18 de maio.
De acordo com Furletti, entre 2014 e 2017 a economia nacional sofreu uma queda, ocasionando perda em vários setores. Nesse período, o Produto Interno Bruto (PIB) sofreu uma retração de de 5,5%; enquanto a Indústria em geral registrou queda de 10,9%, Serviços -4% e a Construção Civil -20,1%. O economista atribuiu esse baixo desempenho no período à redução dos investimentos. ”Houve um impacto muito grande nos investimentos e esse cenário acabou por penalizar mais a construção civil que responde por mais de 50% dos investimentos no País.”, destacou.
Mas o coordenador vê com otimismo a conjuntura atual e arriscou dizer que o setor está vivendo uma melhora, ainda que tênue. Alguns indicadores sinalizam uma melhora das atividades da construção civil nos primeiros meses de 2018: A produção de insumos típicos do setor nos primeiros três meses do ano registrou incremento de 1% em relação a iguais meses do ano passado. Além disso, houve um incremento no faturamento da indústria de materiais de construção de 2,1% também no primeiro trimestre do ano e a construção civil registrou um saldo positivo de 19.108 vagas com carteira assinada nos primeiros três meses de 2018.
Para Furletti, a perspectiva de crescimento do setor da Construção Civil em 2018 é de 2%. Entretanto, destacou a importância do investimento em infraestrutura, especialmente em projetos de concessões e parcerias público-privadas, do restabelecimento do crédito, com estímulo aos financiamentos imobiliários e a melhoria do ambiente de negócios com iniciativas voltadas para a segurança jurídica e desburocratização. O economista destacou que o setor tem uma cadeia produtiva extensa e ela causa um impacto econômico grande, ao gerar renda, empregos e tributos por toda a economia. “Espera-se que o setor seja cada vez mais reconhecido como um segmento estratégico e importante do ponto de vista socioeconômico”, salientou.
A assessora aconômica do Sinduscon/MG e economista do Banco de Dados, Ieda Vasconcelos, que também foi uma das apresentadoras do painel, reforçou a tese de que o setor precisa de investimentos, principalmente depois de amargar uma queda acentuada nos últimos quatro anos. “Para que o segmento volte a ser a âncora do crescimento da economia nacional, é necessário o retorno dos investimentos”, frisou.
Para Vasconcelos, é a construção civil que promove as bases do crescimento sustentável da economia. Na sua visão, o setor tem forte influência na economia, quando gera emprego, renda e tributos e também tem influência na base social, quando trabalha para a redução do déficit habitacional , por exemplo.
A assessora comentou sobre o ano eleitoral e disse que apesar das incertezas políticas, espera do novo governo uma agenda positiva com vistas para o futuro do desenvolvimento econômico e social do país. Entre as reformas que precisam ser feitas, a economista destacou a da Previdência. “As reformas são de extrema relevância para um setor estratégico, como é o caso da construção civil, pois elas vão contribuir para o processo de crescimento e desenvolvimento do país”, concluiu .
VISÃO MACROECONÔMICA
Outro ponto levantado por Daniel Furletti ao longo do painel foi à situação macroeconômica do país. Segundo o coordenador, os parâmetros atuais estão bem melhores, do que de outros anos atrás. A inflaçãobrasileira está muito mais civilizada e a previsão do Boletim Focos é que devemos encerrar 2018 com 3,5% de aumento no IPCA/IBGE (indicador oficial da inflação no País). O PIB poderá fechar o ano de 2018 com um crescimento de 2,50%. Os juros, que rodavam na economia a 14% ao ano, hoje estão na casa dos 6,5%, podendo ainda cair pra 6,25 durante o ano. Diante desse cenário, Furletti visualiza que a construção civil tem tudo para consolidar seu crescimento e iniciar o processo de recuperação de suas atividades. Além disso, ele também destaca outro dado positivo para o segmento: a regulamentação pelo Banco Central das Letras Imobiliárias Garantidas (LIG), uma nova fonte de financiamento que pode ser utilizada pela Construção Civil.
Promovido pela CBIC e realizado pela Associação dos Sindicatos da Indústria da Construção Civil do Estado de Santa Catarina (ASICC-SC), o Enic é o principal evento do calendário anual do setor e mobiliza palestrantes nacionais e internacionais, entre os mais respeitados atores nos diversos temas da indústria da construção.























































































