AGÊNCIA CBIC
CNI: condições financeiras da indústria da construção continuam negativas no segundo trimestre
Juros elevados pressionaram margens de lucro e dificultaram acesso ao crédito; falta ou alto custo da mão de obra e de matérias-primas também atrapalham o setor
As condições financeiras da indústria da construção continuaram negativas no segundo trimestre do ano, aponta a Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), nesta quinta-feira (23).
Segundo o levantamento, o índice de satisfação com a situação financeira variou 0,2 ponto em relação ao primeiro trimestre, chegando aos 45,2 pontos, em uma escala que vai de 0 a 100. Apesar do avanço, o indicador segue abaixo da linha divisória de 50 pontos, refletindo insatisfação dos empresários com as finanças das empresas.
Já o índice de facilidade de acesso ao crédito cresceu 1,6 ponto, passando de 37,7 pontos para 39,3 pontos. O resultado, no entanto, foi insuficiente para reverter a percepção da grande dificuldade para o acesso a empréstimos e financiamentos pelos industriais.
Houve também uma melhora do índice de satisfação com o lucro operacional, que subiu 0,4 ponto e alcançou 41,7 pontos. A exemplo dos demais indicadores, o índice também encontra-se abaixo dos 50 pontos, o que revela frustração dos industriais com as margens dos negócios.
Por outro lado, o índice de evolução do preço médio de insumos e matérias-primas recuou 2,2 pontos, caindo para 66,2 pontos. O resultado mostra que os empresários continuam sentindo o encarecimento desses itens, ainda que de forma menos intensa e disseminada do que no primeiro trimestre.
“O setor tem sido bastante pressionado não só pelas taxas de juros, que encarecem as dívidas das empresas, mas também por uma elevação consistente dos custos, tanto da mão de obra qualificada e não qualificada como dos insumos e matérias-primas, problema que se agravou com a guerra no Oriente Médio”, afirma Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
Juros altos seguem no topo das preocupações do setor
Os juros elevados seguiram no topo do ranking de principais problemas enfrentados pela indústria da construção. No segundo trimestre, o entrave foi assinalado por 36,2% dos empresários do setor, um aumento em relação aos 34,9% registrados no primeiro trimestre.
A preocupação com a carga tributária caiu de 33,9% para 33,6%, mas segue na segunda posição dos maiores obstáculos, seguida pela falta ou alto custo da mão de obra não qualificada, apontada por 28,9% dos empresários, ante 26,7% no trimestre anterior.
Fecham a lista dos cinco principais problemas enfrentados pelas empresas a falta ou alto custo de trabalhador qualificado (28,6%) e a demanda interna insuficiente (17,3%).
Desempenho do setor recua
O desempenho do setor recuou em junho. O índice que mede a evolução do nível de atividade da indústria da construção caiu 1,9 ponto, de 49,1 para 47,2 pontos. Já o indicador que mede a evolução do número de empregados registrou queda de 0,6 ponto, passando de 48,5 para 47,9 pontos. Apesar dos resultados, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) manteve-se em 67%, mesmo patamar observado em junho do ano passado. Desde o início de 2026, a UCI acumula crescimento de três pontos percentuais.
Expectativas pessimistas para os próximos meses
A pesquisa aponta que todos os índices de expectativas da indústria da construção para os próximos seis meses caíram e cruzaram a linha divisória de 50 pontos no mês de julho.
- Nível de atividade: -3,7 pontos, para 49,2 pontos;
- Número de empregados: -3,6 pontos, para 49,1 pontos;
- Novos empreendimentos e serviços: -3,6 pontos, para 48,9 pontos;
- Compra de insumos e matérias-primas: -4,5 pontos, para 48,3 pontos.
Os resultados sinalizam que os empresários do setor agora projetam redução do nível de atividade, dos postos de trabalho, do lançamento de empreendimentos e serviços e da compra de insumos e matérias-primas. Trata-se da primeira vez desde abril de 2020, ainda no início da pandemia de Covid-19, que os quatro indicadores passam do campo positivo para o negativo ao mesmo tempo.
O pessimismo quanto ao futuro contribuiu para a queda do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do setor, que recuou 2,1 pontos em julho e chegou aos 45,6 pontos. Os empresários estão ainda mais pessimistas do que em junho.
Diante das expectativas negativas, os industriais diminuíram a intenção de investimento. O indicador caiu de 43,7 pontos para 42,4 pontos.
Sobre a Sondagem Indústria da Construção
Para esta edição da Sondagem Indústria da Construção, a CNI consultou 321 empresas — 121 pequenas, 132 médias e 68 grandes — entre 1º e 10 de julho de 2026.























































































