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Agência CBIC

16/05/2019

91º ENIC: Encontro debate O Futuro do Trabalho na Indústria

Entrevista – Alexandre Herculano Coelho de Souza Furlan, presidente do Conselho de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

Alexandre Furlan. Foto: Thiago Ribeiro/CBIC

Novas tecnologias estão sendo desenvolvidas para a indústria da construção, conduzindo a maior segurança e qualificação das atividades no setor. Por consequência, diante das exigências de novos conhecimentos, habilidades e atitudes, aumentaram os desafios impostos aos gestores, trabalhadores e empresários. Para debater a questão, o 91º Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC) promoveu na manhã do dia 16 de maio, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, um amplo debate durante o painel ‘O Futuro da Construção: Inovação e Trabalho’.

O painel conjunto envolveu três comissões da CBIC, com assuntos que têm relação com os projetos desenvolvidos por elas com a correalização do Serviço Social da Indústria (Sesi Nacional) e do Senai Nacional:

  • Comissão de Política de Relações Trabalhistas (CPRT/CBIC), com o projeto Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria da Construção – plano de trabalho Sesi-CBIC 2018-2019;
  • Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade (Comat/CBIC), com o projeto Tendências e Melhorias de Gestão, Tecnologia e Inovação na Construção – plano de trabalho Senai-CBIC 2018-2019;
  • Comissão de Responsabilidade Social (CRS/CBIC), com os projetos Ética e Compliance na Construção e Desenvolvimento de Lideranças – plano de trabalho Sesi-CBIC 2018-2019.

Em entrevista exclusiva ao CBIC Hoje+ – Edição Especial do 91º ENIC, o presidente do Conselho de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Alexandre Herculano Coelho de Souza Furlan, ressalta a importância do setor produtivo e seus impactos nas relações do trabalho, e também aponta as tendências e os desafios do futuro no trabalho para as empresas.

Confira a seguir:

CBIC Hoje+: Na sua avaliação, o setor da construção está preparado para as transformações no mundo do trabalho?
Alexandre Herculano Coelho de Souza Furlan: Acho que nem o setor da construção, nem os demais setores. Passamos por uma nova revolução na produção e no trabalho, que tem sido chamada de “Futuro do Trabalho”, e que ocorre cada vez mais rapidamente. Ela envolve inovações que passam pela Indústria 4.0 (digitalização do processo produtivo, manufatura e robótica avançadas, inteligência artificial e internet das coisas, por exemplo), a integração dos trabalhadores no mundo do trabalho por meio de plataformas digitais; e a necessidade de uma mudança na preparação dos trabalhadores para o trabalho com novo quadro de habilidades necessárias para operar com as novas tecnologias. Ninguém está, na verdade, realmente preparado.

CH+: Qual a importância do setor produtivo e seus impactos nas relações do trabalho?
A.H.C.S.F: O setor produtivo é um essencial para o crescimento econômico e para a geração de oportunidade profissionais, entre outros. Além disso, o setor produtivo é um dos motores da inovação e da criação de novas formas de trabalhar e de produzir, sendo, portanto, fundamental para a evolução das relações do trabalho.

CH+: O que a CNI tem feito para o futuro do trabalho?
A.H.C.S.F: A CNI tem focado em diversas ações para diagnosticar e apresentar a situação atual e as dificuldades que o país deve enfrentar. A partir disso, temos defendido políticas públicas e modernizações legais para que o país e empresas estejam preparadas para essas transformações.

O Sistema Indústria tem atuado também, por exemplo, na preparação das empresas para o salto tecnológico e de práticas profissionais necessário para a indústria 4.0 no Brasil, com iniciativas que têm como objetivo a preparação do setor industrial para essa nova revolução industrial.

Outro aspecto importante é a nossa participação em discussões em todo o mundo em relação à realidade no chão de fábrica, como também na discussão de políticas e da legislação trabalhista. Por exemplo, participamos ativamente das discussões na OIT sobre o “Futuro do Trabalho”, que é, inclusive, um dos temas centrais da Conferência Internacional do Trabalho esse ano, e que pode influenciar profundamente as discussões nos países.

Além disso, especificamente temos defendido a continuidade da modernização da legislação trabalhista e a preparação dos trabalhadores para o novo mundo do trabalho. Mesmo a Lei 13.467/2017, a chamada “Reforma Trabalhista”, foi também um passo essencial que defendemos para que o país tenha uma regulação trabalhista mais clara e adaptável aos novos tempos de trabalho e de produção, ou seja, ao futuro do trabalho. Não era possível querermos Indústria 4.0 e conectividade e trabalho em redes, por exemplo, mantendo nossa legislação da década de 1940.

CH+: Além das mudanças na legislação trabalhista, o senhor acredita que a economia digital e a Indústria 4.0 são fontes de pressão de mudanças?
A.H.C.S.F: A modernização da legislação trabalhista é uma necessidade para que possamos estar melhor preparados para enfrentar o chamado futuro do trabalho, da qual fazem parte a economia digital e a indústria 4.0. Não há dúvidas de que esses fenômenos são fontes de pressão de mudanças, porque causam alterações nas perspectivas de trabalho e de renda das pessoas, e também nos arranjos produtivos. De forma similar à terceirização, por exemplo, são fenômenos da sociedade e do mundo produtivo que não podem ser impedidos. O que precisamos é de regulações adequadas a fim de que todos possam tirar o melhor proveito possível desse processo, de forma equilibrada, geradora de trabalho e renda.

CH+: O Brasil está preparado para realizar novas experiências com as novas formas de produção, que surgirão com a Indústria 4.0?
A.H.C.S.F: Em 2012 surgiu, na Alemanha, o termo Indústria 4.0 ou 4ª Revolução Industrial. Lá eles continuam se preparando para se adequar às novas tecnologias e tirar delas o melhor proveito. Mas há muito a ser feito. Por exemplo, temos que continuar buscando adequações no que importa às formações profissionais adequadas para a utilização das novas tecnologias, como a formação em habilidades de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (as chamadas STEM).

Também dentro das nossas empresas há ainda muito trabalho para preparar para a utilização da Indústria 4.0. Por exemplo, muitas empresas sequer iniciaram um processo de digitalização de etapas produtivas, o que é um passo em direção à Indústria 4.0 e do uso de estratégias vinculadas ao futuro do trabalho. Então podemos afirmar que estamos nos preparando para essas novas experiências, havendo áreas do país já se adequando e capazes de realizar essas experiências, enquanto outras ainda precisam iniciar processos de mudança.

CH+: Quais são as tendências e os desafios no futuro do trabalho para as empresas e as organizações que representam os empregadores?
A.H.C.S.F: Cada vez mais temos que compreender esse novo mundo e buscar analisar as oportunidades e os desafios. O aumento da computação e da robótica avançadas, inteligência artificial, digitalização de processos, foco em formações profissionais técnicas avançadas, são, por exemplo, tendências que nossas organizações precisam compreender a fim de buscar o melhor diagnóstico e respostas adequadas, seja para dentro das empresas, seja no mundo externo, a fim de realizar a defesa de interesses para a concretização de políticas públicas e de alterações na legislação que permitam que o país e suas empresas tenham uma regulação adequada para as novas formas de trabalho e produção.

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