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17/01/2011

O novo êxodo brasileiro

 

17/01/2011 :: Edição 045
Jornal Correio Braziliense/Br| 15/01/2011
O novo êxodo brasileiro

Trabalhadores que migraram para o Sul e o Sudeste hoje tomam o caminho de volta, atraídos pela expansão econômica do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste

VICTOR MARTINS/GUSTAVO BRAGA/ROSA FALCÃO

 O Eldorado não está mais no Sul e no Sudeste, as regiões mais ricas do Brasil. Nordestinos, nortistas e os que nasceram no cerrado do Centro-Oeste e fugiram da fome em caminhões pau-de-arara entre os anos 1970 e 1990 estão voltando para casa de avião em busca de oportunidades. Nos últimos 20 anos, as peças do xadrez econômico mudaram de tal forma que o desenvolvimento se desconcentrou e, por consequência, o país iniciou um processo de reversão do fluxo migratório.

 As cenas da seca com chão rachado e gado morto no pasto foram quase totalmente abandonadas pelas figuras imponentes dos complexos industriais e pela corrida consumista por bens duráveis e serviços.

 Nas ruas das cidades de menor porte, os jegues foram substituídos pelas motocicletas. Vultosos investimentos em tecnologia possibilitaram às regiões menos desenvolvidas tornarem-se polos exportadores de commodities (produtos básicos com cotação internacional).

 São Paulo e Rio de Janeiro ainda têm grande importância econômica, mas Norte, Nordeste e Centro-Oeste são as regiões com as maiores taxas de crescimento. Não à toa, a quantidade de migrantes para a Região Amazônica avançou 58,4% entre 2001 e 2009. O Amapá viu o número de estrangeiros de nacionalidade brasileira crescer expressivos 123,7% no período. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que também Rôndonia avançou acima da média da Amazônia: 64,2%.

 A expectativa é de que o estado tenha, nos próximos anos, migração ainda maior com a construção das usinas Jirau e Santo Antônio, que atraem mão de obra de outros localidades.

 Nos últimos oito anos, o Nordeste passou a receber migrantes e diminuiu a exportação de pessoas, registrando crescimento de 5,9% na população vinda de outras partes do Brasil. Essas regiões são a nova fronteira do país , afirma Fábio Romão, analista da LCA Consultoria. Nos cálculos dele, entre 1992 e 2002, o território nordestino perdeu 1,5% dos habitantes ao ano. De 2002 a 2007, a taxa caiu para 0,98%. Em 2009, o ritmo encolheu para 0,85% e, hoje, está próxima de zero. Estamos diante de um novo Brasil, que se desconcentra economicamente e reduz as desigualdades sociais.  O redesenho dos fluxos migratórios é consequência da robustez do Brasil nos últimos anos, em especial após a estabilização econômica.

 Se a bandeira verde e amarela ganhou projeção no cenário global, abandonando o mundo subdesenvolvido para flertar com a posição de 4ª potência econômica, a população entrou no xadrez e se beneficia da nova  ordem mundial. O jogo do poder econômico no país segue, de maneira semelhante, o que ocorre no planeta e o Brasil ganha cara nova.

 Virtuoso

 O ponto de ignição que tornou mais aparente essas mudanças foram os 30 milhões de brasileiros que ascenderam à classe média em oito anos. Esse contingente deixou as classes D e E, da base da pirâmide, para se tornar consumidor. Na opinião de especialistas, grande parte estava concentrada no Norte e no Nordeste. Nos cálculos da consultoria Plano CDE, apesar de todos os avanços, a maioria da população nordestina ainda está na camada social mais baixa: 71% de D e E.

 Mas a velocidade da mobilidade social mudará esse quadro. O público D do Nordeste é muito mais otimista em relação ao futuro do que os paulistas na mesma condição , conta Luciana Aguiar, antropóloga e diretora da Plano CDE.

 O otimismo é justificado pelo círculo virtuoso em que o país entrou a partir do controle da inflação, da melhora social e da explosão do crédito. Com a estabilização, veio o acesso a financiamentos, que é uma porta de entrada importante para o consumo , pondera Luciana. O crédito é estratégico para montar a casa com bens duráveis e ter acesso à educação. São várias as necessidades que dificilmente seriam atendidas com o salário do trabalhador.  A indústria foi para perto desses consumidores para melhor atendê-los.

 Não só encarou as marcas locais, como passou a contribuir para a geração de emprego e renda. A renda do Norte, Nordeste e Centro-Oeste cresce 12% ao ano, acima da média nacional (9,6%). A parte da população que recebia um salário mínimo passou a ter reajustes superiores à corrosão inflacionária e o Bolsa Família turbinou o consumo. Tamanho poder de compra chamou a atenção de multinacionais, que, sofrendo com mercados estagnados na Europa e nos Estados Unidos, viram nos rincões brasileiros um oásis.

 O pau-de-arara que levou milhões para o Sudeste perdeu clientela. As empresas aéreas e os ônibus mais confortáveis são o transporte dos que fazem parte do novo êxodo brasileiro. Valdemir Martins dos Santos, 40 anos, pernambucano do município de São José da Coroa Grande, migrou para São Paulo aos 17 anos em busca de emprego.

 Chegando lá, fez de tudo para sobreviver, até que se profissionalizou como eletricista. Um cliente deu a dica: o Estaleiro Atlântico Sul estava selecionando currículos no Porto de Suape, em Pernambuco. Santos foi contratado em 2008. Voltou para casa e se orgulha de concluir as instalações elétricas do navio petroleiro João Cândido.

 Sacrifício

 O eletricista faz parte de uma legião de nordestinos que partiu para o Sudeste nos anos 1970 e 1980 sonhando com um futuro melhor. Na época, os empregos pipocavam na construção civil e na indústria automotiva paulista. Os nordestinos fugiam dos empregos precários e dos baixos salários na lavoura da cana. Sair de Pernambuco, para mim, foi um sacrifício. Quando vai embora, a gente só tem uma coisa na cabeça: ganhar dinheiro para voltar.  Falo para a minha filha estudar, pois o futuro está aqui , diz.

 Joselma Pereira dos Santos, 35 anos, natural de Vitória de Santo Antão (PE), também fez o caminho de volta. Sete anos atrás, cansada dos bicos como babá e balconista, ela aceitou o convite de uma colega para trabalhar no Rio de Janeiro. Seis meses depois, foi para São Paulo. Eu tinha a ilusão de que São Paulo era tudo. Fui só com a cara e a coragem , relembra.

 Na capital paulista, Joselma foi balconista, auxiliar de escritório, fez cursos de inglês e espanhol, casou e teve um filho. No fim de 2006, em visita a Pernambuco, soube da construção do estaleiro. Comecei a sonhar, mas achava impossível construir navios , conta. Joselma se especializou como soldadora no curso do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural.

 Hoje, lidera uma equipe de 25 homens como supervisora de material.

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